{"id":12709,"date":"2008-07-09T15:01:00","date_gmt":"2008-07-09T15:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12709"},"modified":"2008-07-09T15:01:00","modified_gmt":"2008-07-09T15:01:00","slug":"ouvir-os-profetas-um-caminho-de-renovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ouvir-os-profetas-um-caminho-de-renovacao\/","title":{"rendered":"Ouvir os profetas, um caminho de renova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O profetismo verdadeiro \u00e9 sempre um dom a favor de uma comunidade concreta, que vive e se constr\u00f3i em cada dia, sente interpela\u00e7\u00f5es novas, \u00e9 convidada a tomar iniciativas e a correr riscos, e se sente, pela sua miss\u00e3o, obra inacabada, mas nunca instalada, desanimada ou vencida. <\/p>\n<p>O Deus da f\u00e9, em rela\u00e7\u00e3o ao Seu povo, serviu-se dos profetas para mostrar caminhos, animar percursos, julgar passos andados, convidar \u00e0 fidelidade, corrigir desvios, acordar compromissos. A presen\u00e7a activa dos profetas no meio do povo, provocava alegria e gratid\u00e3o, porque Deus continuava presente. O seu sil\u00eancio dava ocasi\u00e3o \u00e0 tristeza e desola\u00e7\u00e3o, porque o povo se julgava esquecido e abandonado, embora nem sempre os ouvisse.<\/p>\n<p>Ontem, como hoje, na Igreja nunca faltaram profetas. Muitos deles sentiram, e sentem a indiferen\u00e7a e, por vezes, o abandono e o despeito dos chefes medrosos, detentores de uma autoridade que n\u00e3o dialoga, ou s\u00e3o esquecidos e perseguidos por um povo que n\u00e3o se quer converter e n\u00e3o suporta o inc\u00f3modo de profetas que ousam dizer aquilo que n\u00e3o lhe agrada. Por vezes e s\u00f3 depois de muitos anos aparece quem acorde para as palavras do profeta. Ent\u00e3o pode-se ver que alguns, ontem perseguidos, s\u00e3o reabilitados e at\u00e9 canonizados, como santos de altar. Recordemos Rosmini que ousou falar das chagas da Igreja. Foi por isso perseguido e agora elevado aos altares.<\/p>\n<p>Nos tempos que correram temos visto de tudo isto. N\u00e3o era de esperar, dado que o Vaticano II deu consci\u00eancia aos membros da Igreja de que, como baptizados, todos participam do profetismo de Cristo, acordando-os, assim, para o essencial, um aspecto em que o profetismo tem papel insubstitu\u00edvel. N\u00e3o t\u00eam faltado, tamb\u00e9m, aqui e ali, falsos profetas com interesses que n\u00e3o s\u00e3o os de Cristo. Ele advertiu-nos disso.<\/p>\n<p>O cardeal Martini, arcebispo em\u00e9rito de Mil\u00e3o, biblista reconhecido em toda a Igreja, optou por terminar os seus dias em Jerusal\u00e9m, \u201ca sua p\u00e1tria antes da p\u00e1tria eterna\u201d. Com a liberdade interior que sempre teve e a humildade real e discreta que o torna corajoso e construtivo, continua a exercer o profetismo, como luz do Esp\u00edrito e dom \u00e0 Igreja. Assim o fez antes em s\u00ednodos, simp\u00f3sios, congressos, no dia-a-dia do seu minist\u00e9rio episcopal em Mil\u00e3o e como presidente do Conselhos das Confer\u00eancias Episcopais da Europa. Conheci-o ao longo de v\u00e1rios anos e de muitos encontros regulares. Aprendi com ele a crescer no amor \u00e0 Igreja de Cristo e na liberdade de a servir. Vi no seu profetismo corajoso um modo de agir em consci\u00eancia, sem depender de cr\u00edticas ou de elogios e ousando sempre pagar o pre\u00e7o de todos os profetas.<\/p>\n<p>Diz-nos ele agora que \u201csonhou com uma Igreja que segue o seu caminho na pobreza e na humildade\u2026 uma Igreja que n\u00e3o depende dos poderes deste mundo\u2026 uma Igreja que d\u00e1 espa\u00e7o \u00e0s pessoas que pensam mais longe\u2026 uma Igreja jovem, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para a desconfian\u00e7a\u2026\u201d Anuncia uma s\u00e9rie de temas em aberto, campo de muito sofrimento e alguma esperan\u00e7a, para os quais a Igreja deve de ter coragem prof\u00e9tica e ser capaz de ouvir os profetas, que o Esp\u00edrito suscita. De h\u00e1 muito vem falando neles.<\/p>\n<p>Insiste que n\u00e3o basta dizer, \u00e0 maneira de Cristo, que o caminho da Igreja \u00e9 o homem e que \u201cas alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens do nosso tempo, mormente dos mais pobres e de todos os aflitos, s\u00e3o tamb\u00e9m as dos disc\u00edpulos de Cristo, e que nada existe de verdadeiramente humano que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nada disto se compadece com o alheamento em rela\u00e7\u00e3o aos profetas, se por ventura se querem caminhos inovadores e n\u00e3o apenas a receita de conselhos piedosos.<\/p>\n<p>O cardeal Martini incomoda muita gente instalada, mas fala apenas, eu o posso testemunhar, por fidelidade ao homem e \u00e0 miss\u00e3o da Igreja. S\u00e3o assim os verdadeiros profetas: livres, corajosos, comprometidos com o essencial, nunca desistindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O profetismo verdadeiro \u00e9 sempre um dom a favor de uma comunidade concreta, que vive e se constr\u00f3i em cada dia, sente interpela\u00e7\u00f5es novas, \u00e9 convidada a tomar iniciativas e a correr riscos, e se sente, pela sua miss\u00e3o, obra inacabada, mas nunca instalada, desanimada ou vencida. 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