{"id":1271,"date":"2010-03-31T11:23:00","date_gmt":"2010-03-31T11:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1271"},"modified":"2010-03-31T11:23:00","modified_gmt":"2010-03-31T11:23:00","slug":"os-tempos-de-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-tempos-de-encontro\/","title":{"rendered":"Os tempos de encontro"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> DOMINGO DE P\u00c1SCOA &#8211; Ano C<\/p>\n<p>Todos os grandes acontecimentos come\u00e7am nos cen\u00e1rios comuns da nossa vida. Se n\u00e3o fosse assim, n\u00e3o significariam nada para n\u00f3s.<\/p>\n<p>O pior de muitas \u00abdisposi\u00e7\u00f5es superiores\u00bb \u00e9 verificarmos que n\u00e3o v\u00eam ao encontro da gente. Por outro lado, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de pregui\u00e7a que nos impede de ir ao encontro do que \u00e9 bom (o que, muitas vezes, passa por ir ao encontro do mal para o erradicar).<\/p>\n<p>O Domingo de P\u00e1scoa come\u00e7ou num cen\u00e1rio de tristeza e ternura: cuidar dos restos mortais de Jesus \u2013 aquele homem que n\u00e3o se sabia bem por que raz\u00e3o vivera e morrera, e que tanto \u00abmexera com a gente\u00bb.<\/p>\n<p>Iam ao encontro de uma mem\u00f3ria, ao encontro das saudades, ao encontro de uma pergunta no ar (sem d\u00favida que semelhante \u00e0 pergunta que fazemos quando algu\u00e9m muito querido nos morre).<\/p>\n<p>N\u00e3o encontrar o que procuramos \u00e9 sempre angustiante. Por\u00e9m, mais importante do que n\u00e3o se encontrar o corpo de Jesus \u00e9 o facto do cristianismo n\u00e3o girar \u00e0 volta de um monumento funer\u00e1rio (o culto do sepulcro \u00e9 muito posterior).<\/p>\n<p>Quem ia \u00e0 procura do corpo de Jesus, s\u00f3 encontrou novas quest\u00f5es: o que \u00e9 que teria acontecido? E por que \u00e9 que aconteceu?<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos mais chegados come\u00e7aram a lembrar e a relacionar o que conheceram de Jesus, com a ajuda da riqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o religiosa do juda\u00edsmo. E assim se dispuseram a encontrar quem de facto era Jesus Cristo \u2013 um encontro nunca definitivo, que se torna mais intenso e diversificado ao longo da vida de cada qual e da longa hist\u00f3ria de todas as vidas. <\/p>\n<p>O t\u00famulo vazio reviveu a antiga e confusa ideia de que Jesus voltaria para instaurar o reino de Deus; a sequ\u00eancia dos \u00abencontros\u00bb purificou o sentido de \u00abreino de Deus\u00bb e de \u00abressuscitado\u00bb  (nem o Novo Testamento fala de cad\u00e1ver ressuscitado, de um esp\u00edrito ou fantasma: apresenta uma figura humana real, mas que nem \u00e9 f\u00e1cil de reconhecer, como se pode ver nos epis\u00f3dios de Maria Madalena e dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas). E pelos tempos fora, muita luz e muitas sombras foram lan\u00e7adas sobre a quest\u00e3o central \u2013 o significado da vida de Jesus.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que o \u00abdomingo de P\u00e1scoa\u00bb \u00e9 a matriz de todos os domingos: s\u00e3o um tempo para os encontros com a Vida. Vida que \u00e9 simbolizada na alegria de festas vistosas e de bom gosto, mas que deveria ser sobretudo vivida na continua\u00e7\u00e3o do gesto familiar da \u00ab\u00faltima ceia\u00bb, como quem se senta \u00e0 volta da mesma mesa.<\/p>\n<p>(Os domingos tornaram-se demasiado um teatro, e mesmo este s\u00f3 pretensamente interactivo, com deixas que n\u00e3o v\u00e3o ao encontro da vida).<\/p>\n<p>A vida e morte de Jesus revelou a vida como projecto divino, um bem sempre amea\u00e7ado e sempre a defender, e que afinal n\u00e3o termina com a morte: um projecto onde todos os dramas, aventuras, momentos de prazer ou de tristeza\u2026 se passam num ambiente familiar. Onde \u00e9 poss\u00edvel tratar a Deus como Pai, com quem se discute e pede conselho sobre o que \u00e9 a justi\u00e7a, e a quem se pede uma \u00abajudinha\u00bb para fazermos com que n\u00e3o falte \u00abo p\u00e3o de cada dia\u00bb, para superar os desencontros de uns com os outros, e para que nos ajude a s\u00e9rio a ver onde est\u00e1 o mal.<\/p>\n<p>Porque a vida \u00e9 um tempo de encontros\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-1271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}