{"id":12735,"date":"2008-07-17T11:54:00","date_gmt":"2008-07-17T11:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12735"},"modified":"2008-07-17T11:54:00","modified_gmt":"2008-07-17T11:54:00","slug":"aprender-com-paulo-proposito-da-igreja-aveirense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aprender-com-paulo-proposito-da-igreja-aveirense\/","title":{"rendered":"Aprender com Paulo, prop\u00f3sito da igreja aveirense"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Aveiro sobre o Ano Paulino <!--more--> A Igreja Aveirense\u00a0quer \u201caprender com Paulo a paix\u00e3o pelo Ressuscitado, o gosto pela sabedoria do Evangelho, a abertura aos novos caminhos de renova\u00e7\u00e3o, as raz\u00f5es firmes da esperan\u00e7a, a determina\u00e7\u00e3o para ir ao encontro de todos na imensa vastid\u00e3o do mundo a evangelizar\u201d \u2013 afirmei na homilia da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica do Dia da Igreja diocesana no Santu\u00e1rio de Santa Maria de Vagos. Na mesma ocasi\u00e3o e perante numerosa assembleia de fi\u00e9is, fiz a abertura do \u201cAno Paulino\u201d com um gesto cheio de simbolismo: a apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica da imagem de S. Paulo que, significativamente, provinha da par\u00f3quia de Belazaima do Ch\u00e3o, no arciprestado de \u00c1gueda. <\/p>\n<p>Quero, agora, aprofundar este simbolismo e desenvolver algumas dimens\u00f5es da vida e da obra de S. Paulo, que podem ajudar-nos a enriquecer a nossa vida crist\u00e3, a das nossas comu-nidades, a dos v\u00e1rios movimentos e associa\u00e7\u00f5es e a apreciar as propostas pastorais do pr\u00f3ximo Ano Apost\u00f3lico. <\/p>\n<p>O Papa Bento XVI confessa ser para ele uma gra\u00e7a propor \u00e0 Igreja a celebra\u00e7\u00e3o do \u201cAno Paulino\u201d, para que nos d\u00ea um novo ardor na evangeliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00f3s Bispos Portugueses definimos, em recente documento conjunto, o prop\u00f3sito de \u201cter o Ap\u00f3stolo Paulo como guia inspirador da nossa miss\u00e3o de pastores, de todos os evangelizadores, de quantos, neste mundo secularizado, querem viver connosco a aventura da Igreja\u201d.<\/p>\n<p>Em Outubro pr\u00f3ximo, inicia-se em Roma o S\u00ednodo sobre a Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Ocorre assim uma feliz e significativa coincid\u00eancia que nos aponta um caminho a percorrer com S. Paulo, o Ap\u00f3stolo da Palavra, por excel\u00eancia.<\/p>\n<p>1. De facto, o amor \u00e0 Escritura constitui uma constante da sua vida. Na fam\u00edlia, em Tarso; na escola de Gamaliel, em Jerusal\u00e9m; na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, com Ananias e Barnab\u00e9; na comunidade dos irm\u00e3os, em Antioquia; nas rotas apost\u00f3licas que tra\u00e7ou para as suas viagens. Este amor \u00e0 Palavra leva-o a procurar sempre o des\u00edgnio de Deus e a ser coerente no seu agir: no tempo em que era fiel observante da Lei e, por isso, perseguidor; ap\u00f3s a convers\u00e3o em que se sente chamado por Jesus a ser ap\u00f3stolo dos gentios. Leva-o igualmente a expressar este des\u00edgnio nas linguagens e culturas onde exerceu o seu apostolado, fez o primeiro an\u00fancio de Jesus Cristo e organizou comunidades dotando-as de servidores e minist\u00e9rios.  <\/p>\n<p>Este amor entranhado constitui o ponto de partida e de chegada de uma vida crist\u00e3 s\u00e9ria, alicer\u00e7ada em fundamentos s\u00f3lidos, portadora de energias revigorantes, geradora de atitudes criativas e ousadas, consistentes e qualificadas, empenhadas e solid\u00e1rias.<\/p>\n<p>Felizmente, muitos crist\u00e3os fazem da Palavra de Deus o alimento e o guia das suas vidas, dos seus crit\u00e9rios, das suas op\u00e7\u00f5es e dos seus comportamentos. Muitos outros dedicam-se a torn\u00e1-la acess\u00edvel e conhecida, a apreciar e a aprofundar a sua mensagem. Outros ainda, a come\u00e7ar por tantas fam\u00edlias, disponibilizam-se para a transmitir e comunicar nas mais diversas modalidades, designadamente nas catequeses de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o interpessoal, em pequenos grupos e nas grandes multid\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, a imensa maioria ainda n\u00e3o descobriu a beleza e a riqueza da Palavra de Deus, nem est\u00e1 iniciada no uso religioso e na leitura ass\u00eddua e habitual da B\u00edblia. E \u00e9 urgente proporcionar-lhe condi\u00e7\u00f5es e meios para que o fa\u00e7a da melhor forma. \u201cNa verdade \u2013 lembra o Vaticano II a pertinente observa\u00e7\u00e3o de S. Jer\u00f3nimo \u2013 ignorar as Escrituras \u00e9 ignorar Cristo\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, exorto vivamente a que se aproveitem todas as ocasi\u00f5es que surjam ou que se possam razoavelmente criar para que este trabalho seja prosseguido com dilig\u00eancia e sem hiatos longos. Al\u00e9m de proporcionar uma grande riqueza espiritual, uma inicia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria evita problemas de manipula\u00e7\u00e3o b\u00edblica que provocam as mais delicadas situa\u00e7\u00f5es religiosas. E muitas j\u00e1 se v\u00e3o manifestando entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>2. A Palavra de Deus, por excel\u00eancia, \u00e9 Jesus Cristo, o Verbo do Pai e Fonte da nossa Esperan\u00e7a, que deve ser escutado com fidelidade e amor. Paulo de Tarso v\u00ea-se surpreendido na estrada de Damasco por esta Palavra que uma voz celeste identifica com Jesus Cristo. Estabelece com ele um di\u00e1logo denso e interpelante, narrado por tr\u00eas vezes nos Actos e na Carta aos G\u00e1latas. Em todas as narra\u00e7\u00f5es, Paulo v\u00ea-se \u201capanhado\u201d por Jesus Cristo e chamado a uma nova miss\u00e3o, eleito e constitu\u00eddo Ap\u00f3stolo. Em todas as narra\u00e7\u00f5es, Jesus Cristo identifica-se com os perseguidos por Paulo, com os disc\u00edpulos que \u201chaviam entrado na via\u201d, com os que haviam descoberto e aceite a novidade da mensagem crist\u00e3, da pessoa de Jesus, que morreu e ressuscitou para nossa salva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Este encontro com a pessoa de Jesus constitui, sem d\u00favida, a experi\u00eancia fundante da vida crist\u00e3. Para ela convergem muitas iniciativas na Igreja. Dela brotam os projectos apost\u00f3licos mais audaciosos, sonhados e realizados por pessoas apaixonadas por Jesus Cristo vivo e actuante nos pobres e humildes. Com ela, embora n\u00e3o anule os espinhos das limita\u00e7\u00f5es pessoais, nem as dificuldades da procura, nem as \u201cnoites\u201d das adversidades, ganham ra\u00edzes profundas as convic\u00e7\u00f5es religiosas. Por ela, \u201csei em Quem acredito\u201d, pode repetir-se \u00e0 maneira de Paulo. <\/p>\n<p>Este grau de certeza \u00e9 t\u00e3o grande que o Ap\u00f3stolo exclama como resumo das suas aspira\u00e7\u00f5es: \u201cPara mim viver \u00e9 Cristo e o resto n\u00e3o tem valor algum\u201d. E acrescenta noutra ocasi\u00e3o: \u201cAi de mim se n\u00e3o evangelizar\u201d, tal \u00e9 a urg\u00eancia sentida de comunicar a experi\u00eancia vivenciada.<\/p>\n<p>Na Igreja de hoje s\u00e3o v\u00e1rios os movimentos e diversificadas as propostas que visam proporcionar as condi\u00e7\u00f5es para que possa ocorrer um encontro t\u00e3o \u00edntimo e profundo entre a pessoa que busca e Jesus que nos acolhe. Dou gra\u00e7as ao Senhor pela maravilha deste encontro e pelas iniciativas, sobretudo sequenciadas, que o tornam poss\u00edvel. Aqui se situa a g\u00e9nese do dom e do mist\u00e9rio da voca\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio do caminho de todos os chamados.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que Deus est\u00e1 sempre dispon\u00edvel e a todos oferece os seus dons, mas n\u00f3s precisamos de estar preparados para os acolher, valorizar e multiplicar. Da\u00ed prov\u00e9m a nobreza do trabalho apost\u00f3lico que ajuda a nascer em cada um de n\u00f3s uma nova criatura. Da\u00ed surge a import\u00e2ncia dos espa\u00e7os de ora\u00e7\u00e3o e de contempla\u00e7\u00e3o, dos movimentos e grupos vocacionados para este servi\u00e7o, dos \u201cmestres\u201d espirituais que solicitamente se dedicam a acompanhar cada pessoa ou comunidade no seu itiner\u00e1rio de perfei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>3. O encontro com Cristo provoca uma convers\u00e3o radical e abrangente, que nos faz olhar e amar as pessoas e as realidades de forma original e sempre nova. O irm\u00e3o de sangue, sem deixar de o ser, \u00e9 irm\u00e3o porque partilha a mesma f\u00e9 confiante no Senhor Jesus; o vizinho de resid\u00eancia torna-se o pr\u00f3ximo com quem convivo; o necessitado, o pobre, o sem-abrigo, o desempregado ou o estrangeiro fazem-se o amigo que d\u00e1 rosto humano a Jesus Cristo; o inimigo converte-se em semelhante a amar em si mesmo, a perdoar nas ofensas. Este novo olhar suscita um apre\u00e7o diferente pelos bens, pois a sua posse privada, nunca \u00e9 incondicional e absoluta, mas est\u00e1 sempre aberta \u00e0s necessidades fundamentais de todos. <\/p>\n<p>H\u00e1 uma hierarquia de valores que o Ap\u00f3stolo estabelece e reco-menda, para que se observe: \u201cCada um veja como constr\u00f3i (\u2026). Tudo \u00e9 vosso; v\u00f3s sois de Cristo; e Cristo \u00e9 de Deus\u201d (1\u00aa Cor 3, 10c.22c e 23). Esta unidade deixa transparecer a harmonia do projecto de Deus ao servi\u00e7o do qual se encontra a Igreja na sua realiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. <\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a unidade na comu-nh\u00e3o que leva Paulo a assumir a aten\u00e7\u00e3o aos pobres de Jerusal\u00e9m e, nas suas viagens apost\u00f3licas, a fazer recolha de dons \u2013 as colectas \u2013 para lhes enviar (Gl 2, 10 e 2 Cor 9). Se todos comungavam nos mesmos bens espirituais, por que n\u00e3o haviam de partilhar os bens materiais? A recusa de partilha de uns deixa a claro a insufici\u00eancia da comunh\u00e3o nos outros.<\/p>\n<p>Felizmente vai-se avan\u00e7ando na compreens\u00e3o desta unidade fundamental. Tomar parte nos dons da Eucaristia implica necessariamente partilhar, at\u00e9 onde se puder, os bens da natureza e do trabalho. Al\u00e9m da carga fiscal do Estado e do contributo estabelecido para os servi\u00e7os das comunidades crist\u00e3s, h\u00e1 uma generosidade \u2013 por vezes her\u00f3ica! \u2013 que n\u00e3o se pode contabilizar. Os crist\u00e3os-cidad\u00e3os est\u00e3o convidados a cultivar aquele olhar novo e a estar atentos \u00e0s necessidades novas e urgentes que v\u00e3o surgindo, ainda que os organismos oficiais tardem a organizar-se, a mobilizar recursos, a dar a resposta adequada.<\/p>\n<p>Mas muitos outros d\u00e3o sinais inequ\u00edvocos de viverem exclusivamente para satisfazer os seus interesses individuais. Empobrecem-se humanamente, desequilibram as for\u00e7as sociais e agravam as situa\u00e7\u00f5es de pobreza e de mis\u00e9ria. E os n\u00fameros \u2013 que escondem dramas silenciados \u2013 crescem sem medida e agravam situa\u00e7\u00f5es sem estat\u00edstica.<\/p>\n<p>A nossa Igreja diocesana tem dedicado uma aten\u00e7\u00e3o intensa e uma solicitude permanente a estas situa\u00e7\u00f5es. \u201cOs pobres n\u00e3o podem esperar\u201d \u2013 tenho repetido como preg\u00e3o que desperta consci\u00eancias e suscita generosidades. \u00c9 tamb\u00e9m o objectivo principal do pr\u00f3ximo Ano Pastoral, o primeiro deste quinqu\u00e9nio que nos levar\u00e1 \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Grande Miss\u00e3o Jubilar como forma especial de celebrar os 75 anos da restaura\u00e7\u00e3o da Diocese e em que nos propomos como Igreja Diocesana consciente e renovada na caridade ser esperan\u00e7a no mundo. <\/p>\n<p>A par da necessidade de evangelizar a religiosidade do povo Aveirense e de dar rosto humano ao progresso que j\u00e1 ent\u00e3o se fazia sentir, foi a urg\u00eancia de atender aos pobres a raz\u00e3o mais consistente para \u201cpedir\u201d a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese, que em 2013 nos dispomos a celebrar festivamente.<\/p>\n<p>Que S. Paulo nos guie nos caminhos da nova evangeliza\u00e7\u00e3o e nos contagie com o seu entusiasmo e criatividade para sermos \u00e2ncora e farol de um mundo novo; e que Santa Joana, nossa Padroeira, a \u201camiga dos pobres de Aveiro\u201d, nos anime com a for\u00e7a da esperan\u00e7a que sempre a acompanhou.<\/p>\n<p>Aveiro, 11 de Julho (dia lit\u00fargico de S\u00e3o Bento) de 2008<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Francisco dos Santos<\/p>\n<p>Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Bispo de Aveiro sobre o Ano Paulino<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-12735","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12735\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}