{"id":12754,"date":"2008-07-17T15:22:00","date_gmt":"2008-07-17T15:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12754"},"modified":"2008-07-17T15:22:00","modified_gmt":"2008-07-17T15:22:00","slug":"um-outro-turismo-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-outro-turismo-e-possivel\/","title":{"rendered":"Um outro turismo \u00e9 poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Recordarei 2008 como o ano em que, por diversas raz\u00f5es, das profissionais ao lazer, passando pelas matrimoniais e pelas legais, fiz v\u00e1rias viagens ao estrangeiro, durante as quais tive possibilidade de interagir com culturas locais, nativas, extremamente ricas e diversas. Al\u00e9m do mais, nestas viagens, tem sido igualmente poss\u00edvel constatar o imenso poder dessa ind\u00fastria dos tempos modernos a que se chama turismo.<\/p>\n<p>Longe vai o tempo em que o turismo era apenas uma \u201ctend\u00eancia de quase todos os pa\u00edses civilizados (&#8230;), principalmente ingleses e americanos, para viajarem atrav\u00e9s de pa\u00edses naturalmente pitorescos\u201d, tal como refere a entrada turismo na Grande Enciclop\u00e9dia Luso-Brasileira.<\/p>\n<p>Hoje, o turismo tornou-se uma das maiores e mais poderosas industrias mundiais. Movimentando bili\u00f5es de d\u00f3lares anualmente e envolvendo milh\u00f5es de pessoas, acaba por ocasionar impactos fort\u00edssimos na vida das popula\u00e7\u00f5es e nos ecossistemas em que essa actividade se desenvolve.<\/p>\n<p>Na verdade, o turismo convencional, ou turismo de massas, tem-se desenvolvido extraordinariamente, ao longo dos \u00faltimos 50 anos; por\u00e9m desconhecemos, ou s\u00e3o-nos ocultados, o grande desrespeito \u00e0s culturas nativas e os graves danos ao meio ambiente que esse tipo de turismo ocasiona. Para quem est\u00e1 envolvido com a causa mission\u00e1ria ou com activismo em organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, \u00e9 comum escutar as den\u00fancias feitas pelos que trabalham no terreno e observam o impacto da ind\u00fastria do turismo: grandes grupos econ\u00f3micos privados que, ao implantarem-se com a l\u00f3gica do lucro, subordinam as popula\u00e7\u00f5es locais, apropriam-se de territ\u00f3rios e do patrim\u00f3nio natural, originando situa\u00e7\u00f5es graves de exclus\u00e3o social e de destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Tudo isso me levou a questionar sobre o futuro da industria tur\u00edstica e sobre a minha atitude enquanto cidad\u00e3o que, regularmente, veste a \u201cpele\u201d do turista.  <\/p>\n<p>Felizmente, no pequeno arquip\u00e9lago equatorial, perdido no Mar Eritru, onde usufru\u00ed dos direitos matrimoniais, o turismo pauta-se por um enorme respeito \u00e0s culturas locais, ao ecossistema e at\u00e9, em pequenas conversas com os trabalhadores nativos, deu para perceber que os seus direitos laborais s\u00e3o bem salvaguardados, o que tem possibilitado uma evolu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao retornar de viagem, e ao colocar em dia a leitura do meu correio electr\u00f3nico, fui surpreendido com uma \u201cnewsletter\u201d brasileira que subscrevo, onde, curiosamente, se apresentava uma declara\u00e7\u00e3o sa\u00edda do II Semin\u00e1rio Internacional de Turismo Sustent\u00e1vel, que tinha acontecido, por essas mesmas alturas, em Fortaleza, Nordeste Brasileiro. <\/p>\n<p>O conte\u00fado da declara\u00e7\u00e3o apresenta, de uma forma bem atraente, a op\u00e7\u00e3o por um turismo alternativo, sustent\u00e1vel, a que se chamou \u201cturismo comunit\u00e1rio solid\u00e1rio\u201d. <\/p>\n<p>Trata-se de um turismo radicalmente diferente do turismo convencional de massas!<\/p>\n<p>S\u00e3o experi\u00eancias que j\u00e1 acontecem em diversas regi\u00f5es do mundo (Am\u00e9rica Latina, \u00cdndico ou Sudeste Asi\u00e1tico) e que contrariam a l\u00f3gica do modelo tur\u00edstico convencional, pelo qual as empresas se estabelecem num determinado lugar, mas retiram dessas regi\u00f5es os seus lucros, n\u00e3o deixando muitos benef\u00edcios \u00e0 base comunit\u00e1ria ou \u00e0 sociedade local. Isto mesmo foi denunciado por algumas vozes, como o catal\u00e3o Ernest Ca\u00f1ada que, desde a Nicar\u00e1gua, consciencializa os seus conterr\u00e2neos para o impacto negativo das empresas tur\u00edsticas na destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente: \u201cuma vez destru\u00eddo um lugar, degradado um territ\u00f3rio, emigram para outro, a fim de implantar o mesmo modelo depredador\u201d.<\/p>\n<p>Contra estes efeitos nefastos do turismo convencional se batem os que preconizam o turismo comunit\u00e1rio solid\u00e1rio, pois no turismo sustent\u00e1vel d\u00e1-se especial destaque \u00e0 autonomia das culturas locais, \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e0 s\u00f3cio-economia solid\u00e1ria que est\u00e1 na origem do com\u00e9rcio justo.<\/p>\n<p>Assim, reconhe\u00e7o que a aposta deve ser feita no turismo rural comunit\u00e1rio, no ecoturismo comunit\u00e1rio e no turismo respons\u00e1vel, uma vez que estas formas de turismo alternativo se pautam pela \u00e9tica da sustentabilidade e da autonomia, constru\u00eddas, colectivamente, de forma solid\u00e1ria. E, por tudo isto, passei a dar o meu apoio \u00e0 press\u00e3o que se vem fazendo para defender o turismo comunit\u00e1rio como um interesse universal. <\/p>\n<p>\u00c9 urgente mostrar que (tamb\u00e9m) um outro turismo \u00e9 poss\u00edvel!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recordarei 2008 como o ano em que, por diversas raz\u00f5es, das profissionais ao lazer, passando pelas matrimoniais e pelas legais, fiz v\u00e1rias viagens ao estrangeiro, durante as quais tive possibilidade de interagir com culturas locais, nativas, extremamente ricas e diversas. 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