{"id":12806,"date":"2008-07-24T11:57:00","date_gmt":"2008-07-24T11:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12806"},"modified":"2008-07-24T11:57:00","modified_gmt":"2008-07-24T11:57:00","slug":"trabalho-e-capital-outras-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/trabalho-e-capital-outras-lutas\/","title":{"rendered":"Trabalho e capital &#8211; outras lutas"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A revis\u00e3o do C\u00f3digo do Trabalho veio intensificar as lutas laborais. Numa observa\u00e7\u00e3o superficial, a luta fundamental \u00e9 a do trabalho contra o capital, e vice-versa. Por\u00e9m, numa leitura mais atenta, tornam-se patentes outras lutas.<\/p>\n<p>Um delas \u00e9 a da ci\u00eancia e tecnologia contra o trabalho, sobretudo quando elas se associam ao capital. A ci\u00eancia e a tecnologia proporcionam condi\u00e7\u00f5es para a diminui\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, chegando mesmo \u00e0 automa\u00e7\u00e3o, contribuem para o fosso abissal entre os trabalhadores altamente qualificados &#8211; do \u00abn\u00facleo duro\u00bb das organiza\u00e7\u00f5es &#8211; e os outros &#8211; \u00abperif\u00e9ricos\u00bb e tratados como n\u00e3o qualificados, mesmo quando possuem habilita\u00e7\u00f5es escolares elevadas e realizam trabalhos de alta responsabilidade. A ci\u00eancia e a tecnologia investem muito mais, embora indirectamente, na dispensabilidade e explora\u00e7\u00e3o do trabalho do que na valoriza\u00e7\u00e3o do mesmo. <\/p>\n<p>Outra luta \u00e9 a que se processa contra as empresas de menor dimens\u00e3o, de maior fragilidade e que procuram cumprir a lei. Tais empresas t\u00eam contra si as reivindica\u00e7\u00f5es sindicais, a concorr\u00eancia das empresas mais poderosas e das que actuam \u00e0 margem da lei. Nalguma teoria laboral, elas re\u00fanem condi\u00e7\u00f5es para serem aliadas naturais do movimento sindical; no entanto, isso n\u00e3o tem acontecido, verificando-se at\u00e9 que as reinvindica\u00e7\u00f5es sindicais as atingem mais a elas do que \u00e0s outras.<\/p>\n<p>Uma terceira luta &#8211; quase s\u00f3 percept\u00edvel por quem est\u00e1 no terreno &#8211; ocorre entre empresas e trabalhadores cumpridores da lei e das normas \u00e9ticas, e as empresas e os trabalhadores n\u00e3o cumpridores. Quem cumpre fica a perder, com muita frequ\u00eancia, perante quem n\u00e3o cumpre. <\/p>\n<p>Face a estas e a tantas outras lutas, bem se compreende que a doutrina social da Igreja tenha reconhecido que \u00abo trabalho (&#8230;) se encontra mesmo no centro da \u00abquest\u00e3o social\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica \u00abLaborem Exercens\u00bb, n\u00ba. 2). Bem se compreende tamb\u00e9m que ela n\u00e3o considere, como vit\u00f3ria final desej\u00e1vel, a do trabalho contra o capital nem vice-versa. Considera, sim, como luta final, actual e mais profunda, o esfor\u00e7o cooperante e permanente a favor da realiza\u00e7\u00e3o (salva\u00e7\u00e3o) de cada pessoa, em justi\u00e7a e paz, e da promo\u00e7\u00e3o do bem comum universal. A maior dificuldade com que esta orienta\u00e7\u00e3o se defronta na pr\u00e1tica \u00e9 a do reconhecimento efectivo de que, \u00abpor detr\u00e1s\u00bb do trabalho e do capital, \u00abh\u00e1 homens, os homens vivos e concretos\u00bb (ibidem, n\u00ba. 14). A esta dificuldade associa-se a do reconhecimento de que \u00abo trabalho \u00e9, em certo sentido, insepar\u00e1vel do capital\u00bb (n\u00ba. 15) e de que o capital acumulado \u00ab\u00e9 produto do trabalho de gera\u00e7\u00f5es\u00bb (n\u00ba. 14).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}