{"id":12808,"date":"2008-07-24T12:00:00","date_gmt":"2008-07-24T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12808"},"modified":"2008-07-24T12:00:00","modified_gmt":"2008-07-24T12:00:00","slug":"um-projecto-que-parou-ou-um-proposito-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-projecto-que-parou-ou-um-proposito-esquecido\/","title":{"rendered":"Um projecto que parou ou um prop\u00f3sito esquecido?"},"content":{"rendered":"<p>Num documento que pretendeu marcar o ritmo da Igreja para o terceiro mil\u00e9nio, Jo\u00e3o Paulo II, ao falar da necessidade e das exig\u00eancias de uma espiritualidade de comunh\u00e3o, disse textualmente: \u201cDepois do Vaticano II j\u00e1 muito se fez nomeadamente quanto \u00e0 reforma da C\u00faria Romana, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos S\u00ednodos, ao funcionamento das Confer\u00eancias Episcopais; mas certamente h\u00e1 ainda muito que fazer para valorizar o melhor poss\u00edvel as potencialidades destes instrumentos de comunh\u00e3o, hoje particularmente necess\u00e1rios, tendo em vista a exig\u00eancia de dar resposta pronta e eficaz aos problemas que a Igreja tem de enfrentar nas r\u00e1pidas mudan\u00e7as do nosso tempo\u201d (NMI 44).<\/p>\n<p>A justeza destas palavras parece estar a esquecer-se ou, ent\u00e3o, o projecto parou, n\u00e3o se sabe se por in\u00e9rcia, se por interfer\u00eancia de quem parece n\u00e3o ter entendido ainda nem a raz\u00e3o de ser da Igreja, como servi\u00e7o ao Povo de Deus e ao mundo a evangelizar, nem os sinais dos tempos, t\u00e3o eloquentes e exigentes no est\u00edmulo a caminhos novos, que n\u00e3o se compadecem com demoras.<\/p>\n<p>Sempre se disse que a Igreja Cat\u00f3lica, pela sua longa hist\u00f3ria e pelos atrelados que foi juntando, \u00e9 uma m\u00e1quina pesada e ronceira. Quando se reflecte e decide tendo em conta a universalidade de povos e das culturas, onde a Igreja est\u00e1 implantada, nunca a rapidez \u00e9 o crit\u00e9rio mais exigente, porque a compreens\u00e3o e a defesa da unidade, num contexto necessariamente plural, pede pondera\u00e7\u00e3o e cuidado. Mas, para muitos casos em que a solu\u00e7\u00e3o urgia, houve sempre mecanismos jur\u00eddicos mais r\u00e1pidos como o direito mission\u00e1rio, os poderes especiais dos delegados pontif\u00edcios e at\u00e9 dos bispos diocesanos quando o acesso a Roma n\u00e3o tinha as facilidades de hoje.<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, parece que estamos a voltar a um centralismo que esquece o esp\u00edrito e orienta\u00e7\u00f5es conciliares e menospreza a esperan\u00e7a de Jo\u00e3o Paulo II. Quando tudo parece mais f\u00e1cil de resolver, mais escandalizam as demoras de solu\u00e7\u00e3o de problemas reais ou, pelo menos, a devida explica\u00e7\u00e3o das mesmas demoras.<\/p>\n<p>A meu ver, bastaria que se desse maior aten\u00e7\u00e3o e se outorgasse mais poder, como ser\u00e1 sempre de esperar, \u00e0s confer\u00eancias episcopais de cada pa\u00eds e muitas coisas melhorariam. Tamb\u00e9m estas teriam de sentir, como \u00e9 \u00f3bvio, as normais exig\u00eancias efectivas da comunh\u00e3o eclesial, sem o que n\u00e3o se evitaria o peso de novas burocracias paralisantes.<\/p>\n<p>Se s\u00e3o muitas as express\u00f5es a pedir considera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, h\u00e1 sempre casos que se podem considerar gritantes, como a demora de prover dioceses sem bispos desde h\u00e1 meses. O papel e miss\u00e3o do bispo s\u00e3o essenciais na vida da Igreja diocesana. Quem n\u00e3o foi bispo diocesano n\u00e3o entender\u00e1 facilmente esta exig\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 meramente nem principalmente administrativa. <\/p>\n<p>O Vaticano II deixou clara a miss\u00e3o do Bispo na Igreja que lhe \u00e9 confiada. Se j\u00e1 n\u00e3o se entende este recente vai vem de nomea\u00e7\u00f5es para outras dioceses de bispos que mal ficaram a conhecer a diocese onde estavam, menos ainda se entende que passem meses sem que as dioceses sem bispo sejam, como t\u00eam direito,  pelo menos informadas.<\/p>\n<p>Se se trata de uma substitui\u00e7\u00e3o que s\u00f3 se d\u00e1 com a entrada do novo bispo, n\u00e3o raro ocorre a sensa\u00e7\u00e3o de orfandade e de menosprezo. N\u00e3o se pode pedir a um bispo que sai para outra diocese, onde para ele tudo come\u00e7a, que continue a acompanhar a diocese de onde saiu, at\u00e9 que chegue o seu sucessor, que nem se sabe quem \u00e9, nem quem ser\u00e1.<\/p>\n<p>Os estragos perdurar\u00e3o. Nem seria dif\u00edcil encontrar solu\u00e7\u00f5es eclesiais e pastorais v\u00e1lidas. Bastava que os decisores estivessem perto dos problemas, o que n\u00e3o acontece, nem na dist\u00e2ncia, nem nos afectos. As palavras de Jo\u00e3o Paulo II s\u00e3o, portanto, actuais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num documento que pretendeu marcar o ritmo da Igreja para o terceiro mil\u00e9nio, Jo\u00e3o Paulo II, ao falar da necessidade e das exig\u00eancias de uma espiritualidade de comunh\u00e3o, disse textualmente: \u201cDepois do Vaticano II j\u00e1 muito se fez nomeadamente quanto \u00e0 reforma da C\u00faria Romana, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos S\u00ednodos, ao funcionamento das Confer\u00eancias Episcopais; mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12808","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12808\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}