{"id":12810,"date":"2008-07-30T15:51:00","date_gmt":"2008-07-30T15:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12810"},"modified":"2008-07-30T15:51:00","modified_gmt":"2008-07-30T15:51:00","slug":"ha-50-anos-13-7-1958-d-antonio-ferreira-gomes-confrontou-salazar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-50-anos-13-7-1958-d-antonio-ferreira-gomes-confrontou-salazar\/","title":{"rendered":"H\u00e1 50 anos (13-7-1958) D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes &#8220;confrontou&#8221; Salazar"},"content":{"rendered":"<p>Eu, ainda jovem e estudante, acompanhei todo o processo relacionado com o \u201cdiv\u00f3rcio\u201d Bispo do Porto, Salazar.<\/p>\n<p>De harmonia com o estabelecido na Concordata, na altura, a Santa S\u00e9, quando pretendia nomear um Bispo para uma diocese de Portugal ou para outro cargo, apresentava, atrav\u00e9s da Nunciatura Apost\u00f3lica, tr\u00eas nomes ao Governo presidido por Salazar. Geralmente, o Governo n\u00e3o apresentava qualquer objec\u00e7\u00e3o \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o ou escolha de qualquer dos candidatos.<\/p>\n<p>Se o Presidente do Conselho previsse a oposi\u00e7\u00e3o ao seu governo que o futuro Bispo do Porto lhe iria fazer, sem d\u00favida que, \u00e0 partida, indexava o nome de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o aconteceu e D. Ant\u00f3nio, com o irrequietismo que lhe era pr\u00f3prio, arriscou um combate que lhe custou o ex\u00edlio.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes aspirava a uma Igreja com liberdade de ac\u00e7\u00e3o no campo do ensino, doutrina social, no campo c\u00edvico-pol\u00edtico, o que, na sua maneira de ver, n\u00e3o acontecia com a Igreja em Portugal.<\/p>\n<p>As ideias avan\u00e7adas do Bispo do Porto geraram um mal estar tal entre a Igreja e o Estado, que a Santa S\u00e9 aconselhou D. Ant\u00f3nio a suspender as suas fun\u00e7\u00f5es e fazer uma viagem apost\u00f3lica at\u00e9 Roma, onde permaneceu durante algum tempo.<\/p>\n<p>Mais tarde, o Professor Marcelo Caetano, com uma vis\u00e3o pol\u00edtica diferente do seu antecessor, pediu o seu regresso \u00e0 diocese. O que veio a acontecer.<\/p>\n<p>Do meu ponto de vista, conclus\u00f5es a tirar deste acontecimento ocorrido h\u00e1 50 anos:<\/p>\n<p>1) &#8211; Os nossos Bispos, por quem tenho a maior considera\u00e7\u00e3o, respeito e estima, n\u00e3o devem ter medo, nem acanhamento de denunciar o que vai mal no Pa\u00eds, no que diz respeito \u00e0s tomadas de posi\u00e7\u00e3o do actual Governo, nomeadamente, em que  \u00e9 atingida a Igreja Cat\u00f3lica na sua ac\u00e7\u00e3o evangelizadora e apost\u00f3lica. E aqui, sa\u00fado D. Ant\u00f3nio Marcelino, porque o merece.<\/p>\n<p>2) &#8211; N\u00e3o concordo com a afirma\u00e7\u00e3o do Dr. Jos\u00e9 Manuel Pureza, professor universit\u00e1rio de Coimbra, quando, ao comentar no Jornal de Not\u00edcias de 15 de Julho a posi\u00e7\u00e3o do Bispo do Porto, diz: \u201cSer cat\u00f3lico \u00e9 uma filia\u00e7\u00e3o club\u00edstica, com deveres de lealdade t\u00edpicos de uma seita\u201d. A Igreja Cat\u00f3lica uma seita?! Que mais hei-de ouvir em Portugal&#8230;<\/p>\n<p>3) &#8211; Ao ilustre Doutor Catedr\u00e1tico, respondo-lhe com o Poeta Miguel Trigueiros: \u201cSe \u00e9 loucura ter f\u00e9, sejamos todos loucos\u201d.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio de Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu, ainda jovem e estudante, acompanhei todo o processo relacionado com o \u201cdiv\u00f3rcio\u201d Bispo do Porto, Salazar. 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