{"id":12832,"date":"2008-07-30T16:22:00","date_gmt":"2008-07-30T16:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12832"},"modified":"2008-07-30T16:22:00","modified_gmt":"2008-07-30T16:22:00","slug":"vida-de-s-tiago-retratada-na-igreja-paroquial-da-moita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vida-de-s-tiago-retratada-na-igreja-paroquial-da-moita\/","title":{"rendered":"Vida de S. Tiago retratada na igreja paroquial da Moita"},"content":{"rendered":"<p>Pain\u00e9is de Francisco da Cunha <!--more--> Francisco Cunha, um pintor art\u00edstico de pain\u00e9is de azulejos, aveirense, \u00e9 o autor e executor dos dois pain\u00e9is, cada um deles com oito metros quadrados (quatro por dois metros), colocados recentemente nas paredes laterais da capela-mor da Igreja Matriz da Moita, pr\u00f3ximo de Anadia.<\/p>\n<p>\u201cEm cada painel fiz quatro epis\u00f3dios da vida de S. Tiago\u201d, come\u00e7ou por explicar o artista, que prosseguiu, dizendo que \u201co primeiro painel \u00e9 sobre a vida de S. Tiago no tempo de Cristo, onde retratei quatro epis\u00f3dios da vida de S. Tiago na Palestina. O segundo painel \u00e9 sobre a vida de S. Tiago na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p>Para idealizar as quatro cenas do painel sobre a vida de S. Tiago na Galiza, o artista esteve em Santiago de Compostela e zona envolvente, onde visitou e fotografou os locais que lhe serviram de inspira\u00e7\u00e3o. Por isso, real\u00e7a que este trabalho foi \u201cmuito interessante, porque n\u00e3o foi baseado em reprodu\u00e7\u00f5es mas foram composi\u00e7\u00f5es. Eu estive nos locais a estudar as viv\u00eancias e a tomar conhecimento da hist\u00f3ria, para depois poder resumir a vida de S. Tiago na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica em quatro epis\u00f3dios\u201d.<\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o desses dois pain\u00e9is, Francisco Cunha teve o cuidado de os enquadrar no que j\u00e1 existia dentro da igreja, em termos de obras de arte e de motivos decorativos, uma vez que esse templo \u00e9 bastante rico em patrim\u00f3nio e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cComo a igreja tem uma tra\u00e7a arquitect\u00f3nica muito interessante, eu tentei adaptar os pain\u00e9is, de forma a n\u00e3o agredir o que j\u00e1 estava na igreja e a toda a sua hist\u00f3ria. Tentei fazer com que os pain\u00e9is sejam uma forma complementar ao que j\u00e1 existia, de modo a enriquecer um pouco mais o patrim\u00f3nio da pr\u00f3pria igreja\u201d, sublinha o artista.<\/p>\n<p>Com esse objectivo em mente, Francisco Cunha concebeu os pain\u00e9is de forma a se situarem na corrente art\u00edstica do classicismo, como explica, ao dizer que \u201cpelas figuras, pelo volume das figuras e dos anjos, e pelas cercaduras, os pain\u00e9is est\u00e3o mais dentro do estilo cl\u00e1ssico, do classicismo\u201d, que tamb\u00e9m se verifica no azul e branco destes pain\u00e9is.<\/p>\n<p>Na realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho, Francisco Cunha teve total liberdade para conceber e compor as imagens sobre S. Tiago, facto que ainda motivou mais o artista.<\/p>\n<p>A Igreja Matriz da Moita j\u00e1 tinha outros pain\u00e9is assinados por Francisco Cunha, obras de menores dimens\u00f5es e colocados em paredes exteriores.<\/p>\n<p>Igreja \u00e9 anterior \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de Portugal<\/p>\n<p>S. Cucufate foi padroeiro antes de S. Tiago<\/p>\n<p>A primitiva Igreja Matriz da Moita foi constru\u00edda na \u00e9poca anterior \u00e0 da funda\u00e7\u00e3o de Portugal e teve como primeiro patrono S. Cucufate, refere A. Nogueira Gon\u00e7alves no livro \u201cInvent\u00e1rio Art\u00edstico de Portugal \/ Distrito de Aveiro \/ Zona \u2013 Sul\u201d, editado em 1959.<\/p>\n<p>Segundo esse investigador, no ano 943 o \u201cpresb\u00edtero Pedro Bahalul vendeu a igreja pr\u00f3pria de S. Cucufate, em Arcos, ao presb\u00edtero Daniel, sob condi\u00e7\u00e3o de a deixar ao mosteiro de Lorv\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para A. Nogueira Gon\u00e7alves, a igreja referida naquele documento do ano 943 s\u00f3 poderia ser a do actual lugar da Moita, a qual tinha por patrono S. Cucufate, um m\u00e1rtir de Barcelona. O livro transcreve uma l\u00e1pide, do s\u00e9culo XII, existente na actual Igreja da Moita, que informa que esse templo fora constru\u00eddo em honra de S. Cucufate, na era de 1233 (que corresponde ao ano de 1195).<\/p>\n<p>Quando da visita que A. Nogueira Gon\u00e7alves fez \u00e0 Moita, durante a inventaria\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o do livro, constatou que da primitiva igreja medieval pouco ou nada restava, considerando que o actual corpo principal da igreja data do s\u00e9culo XVII, ainda que haja vest\u00edgios de \u00e9pocas anteriores. A torre e a fachada principal remontam ao s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>No interior, h\u00e1 algumas sepulturas e um t\u00famulo em pedra trabalhada, constru\u00eddo no s\u00e9culo XV, que investigadores locais apontam como sendo o de Lu\u00eds de Cam\u00f5es. <\/p>\n<p>Concelho medieval com &#8220;cabe\u00e7a&#8221; em Ferreiros<\/p>\n<p>Moita doada em conjunto com \u00cdlhavo e Verdemilho<\/p>\n<p>A regi\u00e3o da Moita formou um concelho medieval, cuja \u201ccabe\u00e7a\u201d era o lugar de Ferreiros, povoa\u00e7\u00e3o j\u00e1 referenciada na primeira reconquista. O rei D. Sancho I, em Maio de 1210, deu carta de foro e de couto \u00e0 vila de Ferreiros. No entanto, em 1514, quando do foral manuelino, a cabe\u00e7a do concelho era o lugar de Carvalhais, lugar muito pr\u00f3ximo da actual Igreja Matriz da Moita.<\/p>\n<p>As terras de Carvalhais, Ferreiros, \u00cdlhavo, Verdemilho (lugar junto \u00e0 cidade de Aveiro) e Avel\u00e3s de Cima \u201candaram unidas nas doa\u00e7\u00f5es que os reis delas fizeram, as quais acabaram por ficar de juro e herdade nos Borges\u201d, escreveu A. Nogueira Gon\u00e7alves, no volume do Invent\u00e1rio Art\u00edstico de Portugal dedicado \u00e0 zona sul do Distrito de Aveiro.<\/p>\n<p>O rei D. Afonso V deu essas terras a Rui Borges e, por morte deste, ao filho Gon\u00e7alo Borges. O \u201c\u00faltimo senhor a gozar das terras da coroa foi o 13\u00ba, Jos\u00e9 Maria de Almeida Castro de Noronha da Silveira Lobo (nascido em 1779 e falecido em 1854), o primeiro e \u00fanico Conde de Carvalhais\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nia de Mendon\u00e7a, filha da 9\u00aa donat\u00e1ria da Casa de Carvalhais, D. Maria Ant\u00f3nia de Almada, foi a primeira esposa do Marqu\u00eas de Pombal.<\/p>\n<p>Lu\u00eds de Cam\u00f5es est\u00e1 sepultado na Moita?<\/p>\n<p>Alguns investigadores defendem que Lu\u00eds de Cam\u00f5es, o grande poeta \u00e9pico, autor de \u201cOs Lus\u00edadas\u201d, possa estar sepultado na Igreja Matriz da Moita, numa arca tumular datada do s\u00e9culo XV, em pedra trabalhada, que actualmente serve de \u201cmesa\u201d de um dos altares laterais.<\/p>\n<p>Segundo essa tese, o poeta, por altura da sua morte, teria por namorada uma filha dos referidos Borges, propriet\u00e1rios do Pa\u00e7o de Carvalhais, edif\u00edcio solarengo e brasonado que se ergue no final da \u201cRua Lu\u00eds de Cam\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, A. Nogueira Gon\u00e7alves, no j\u00e1 citado volume do Invent\u00e1rio Art\u00edstico de Portugal, \u00e9 de opini\u00e3o que a art\u00edstica arca tumular da Igreja da Moita guarde os restos mortais de Rui Borges ou de Gon\u00e7alo Borges, respectivamente, 1\u00ba e 2\u00ba senhores da Casa de Carvalhais.<\/p>\n<p>Pedro de Mariz, o autor da mais antiga biografia de Lu\u00eds de Cam\u00f5es, impressa em 1613, na edi\u00e7\u00e3o de \u201cOs Lus\u00edadas\u201d, comentados por Manuel Correa, e reimpressa na edi\u00e7\u00e3o das \u201cRimas\u201d, de 1616, com altera\u00e7\u00f5es\u201d, contradiz a \u201chip\u00f3tese Moita\u201d. <\/p>\n<p>Nessa biografia, publicada cerca de 30 anos ap\u00f3s a morte do poeta, Pedro de Mariz escreve sobre Lu\u00eds de Cam\u00f5es: \u201cMorto ele em tanta mis\u00e9ria que o enterraram na Igreja de Sant\u2019Ana desta cidade (Lisboa), de modo que custou muito trabalho atinarem com o lugar de sua sepultura, quando um fidalgo portugu\u00eas, que s\u00f3 neste reino deu o primeiro balan\u00e7o, lhe mandou fazer sepultura pr\u00f3pria (mas t\u00e3o rasa como as do mais povo) mas com este epit\u00e1fio nela esculpido:<\/p>\n<p>Aqui jaz Lu\u00eds de Cam\u00f5es. Pr\u00edncipe dos Poetas de seu tempo.<\/p>\n<p>Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu, ano de 1579.<\/p>\n<p>Esta campa lhe mandou p\u00f4r Dom Gon\u00e7alo Coutinho<\/p>\n<p>Na qual n\u00e3o se enterrar\u00e1 pessoa alguma\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pain\u00e9is de Francisco da Cunha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12832\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}