{"id":12856,"date":"2008-07-30T17:07:00","date_gmt":"2008-07-30T17:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12856"},"modified":"2008-07-30T17:07:00","modified_gmt":"2008-07-30T17:07:00","slug":"para-pessoas-vivas-nao-ha-tempos-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/para-pessoas-vivas-nao-ha-tempos-mortos\/","title":{"rendered":"Para pessoas vivas n\u00e3o h\u00e1 tempos mortos"},"content":{"rendered":"<p>Os tempos mortos s\u00e3o os que se gastam sem objectivos, os que se vivem sem que comuniquem vida. Para muita gente s\u00e3o assim os dias de f\u00e9rias. N\u00e3o fazer nada, n\u00e3o pensar em nada, nada que preocupe. S\u00f3 descansar, s\u00f3 gozar, s\u00f3 matar o tempo com prazer. Pois se a vida cansou tanto, porque n\u00e3o agora descansar sempre sem preocupa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que, ao longo do ano, muitas coisas se deixaram para f\u00e9rias, altura, diz-se, em que se est\u00e1 mais livre e se pode fazer o que n\u00e3o foi poss\u00edvel fazer ent\u00e3o. Nestes afazeres adiados, pensa-se em tempo para estar com os filhos, tempo para o casal partilhar com serenidade a sua vida a dois, tempo para ler, descansar, reflectir e contemplar, tempo para reconquistar a aten\u00e7\u00e3o para coisas fundamentais que se foram esfumando e perdendo o sentido. F\u00e9rias, mais tempo para si e para os outros, sem obsess\u00f5es, sem sacrif\u00edcios for\u00e7ados, sem escusas injustificadas, sem lamento de impossibilidades.<\/p>\n<p>Nem toda a gente pode beneficiar de uns dias de f\u00e9rias, tamb\u00e9m estas bem merecidas e necess\u00e1rias. Ent\u00e3o, que quem as pode usufruir as torne \u00fateis, como express\u00e3o de vida e de enriquecimento pessoal e familiar. Uma boa oportunidade nunca se pode perder.<\/p>\n<p>Para os crist\u00e3os, se j\u00e1 descobriram o valor verdadeiro do tempo, que n\u00e3o \u00e9 apenas o do rel\u00f3gio, as f\u00e9rias t\u00eam ainda um valor e um sentido acrescido. Constituem, em muitos casos, uma ocasi\u00e3o de testemunho de vida, de valoriza\u00e7\u00e3o pessoal pela pr\u00e1tica da solidariedade, de enriquecimento relacional que pode proporcionar experi\u00eancias apost\u00f3licas, v\u00e1lidas e \u00fanicas, em comunidades de acolhimento, em lugares de veraneio, em tarefas partilhadas, em comunica\u00e7\u00e3o rec\u00edproca de caminhos andados, em amizades iniciadas ou refor\u00e7adas.<\/p>\n<p>Tenho encontrado nas minhas f\u00e9rias muita gente com preocupa\u00e7\u00f5es diversificadas, mas com o mesmo objectivo de n\u00e3o deixar que as f\u00e9rias sejam tempo sem sentido ou de sentido reduzido e meramente utilit\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9, tamb\u00e9m, sempre um toque positivo para muitas pessoas, ver como h\u00e1 jovens universit\u00e1rios que partem nas suas f\u00e9rias para regi\u00f5es pobres, como volunt\u00e1rios em campos diversos de apostolado, cultura e ensino, trabalho diverso, actividades de ordem social. Como toca profundamente ver a alegria com que partem, a atitude generosa que lhes enche o cora\u00e7\u00e3o e j\u00e1 a antecipada certeza do bem que receber\u00e3o, por via do bem que foram dispostos e determinados em fazer em favor de outros.<\/p>\n<p>No fundo, jovens de hoje est\u00e3o a dizer a todos que as f\u00e9rias tamb\u00e9m s\u00e3o para fazer bem aos outros e que nesse sentido s\u00e3o igualmente f\u00e9rias \u00fateis e libertadoras para quem opta por esse caminho.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o consumismo e os jogos de mercado que o servem tornam dif\u00edceis as f\u00e9rias de muita gente, v\u00edtima de barulho at\u00e9 altas horas que n\u00e3o deixa descansar, ou envolvida por uma publicidade sofisticada de propostas a que \u00e9 dif\u00edcil resistir, porque h\u00e1 sempre na fam\u00edlia quem tombe e fa\u00e7a for\u00e7a que arrasta outros para o lado do mais agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>A liberdade, tamb\u00e9m em f\u00e9rias, est\u00e1 sempre na capacidade de escolher com crit\u00e9rios, porque se tudo \u00e9 permitido, nem tudo tem valor.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: ou n\u00f3s comandamos o nosso tempo e temos tempo para tudo, ou nos tornamos escravos dele, a ponto que chegamos a dizer que n\u00e3o temos tempo para nada, e, de facto, cada vez teremos menos tempo para o que devemos fazer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tempos mortos s\u00e3o os que se gastam sem objectivos, os que se vivem sem que comuniquem vida. 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