{"id":12885,"date":"2008-09-03T15:54:00","date_gmt":"2008-09-03T15:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12885"},"modified":"2008-09-03T15:54:00","modified_gmt":"2008-09-03T15:54:00","slug":"centenario-da-misericordia-de-anadia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/centenario-da-misericordia-de-anadia\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia de Anadia"},"content":{"rendered":"<p>Sede acolhe Museu Jos\u00e9 Luciano de Castro <!--more--> A Miseric\u00f3rdia de Anadia celebra 100 anos no dia 8 de Dezembro de 2008. Conhe\u00e7a esta institui\u00e7\u00e3o quase centen\u00e1ria<\/p>\n<p>A Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Anadia foi fundada em 1908, por um grupo de cidad\u00e3os, entre os quais Jos\u00e9 Luciano de Castro, um dos mais influentes pol\u00edticos portugueses das \u00faltimas d\u00e9cadas da Monarquia e que chefiou o governo na na\u00e7\u00e3o durante v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>A sede da Miseric\u00f3rdia de Anadia est\u00e1 instalada no antigo palacete Seabra de Castro, onde residiu Jos\u00e9 Luciano de Castro. O im\u00f3vel acolhe tamb\u00e9m o Museu Jos\u00e9 Luciano de Castro, a Biblioteca e o Arquivo. O edif\u00edcio est\u00e1 localizado na Rua Alexandre Seabra, outro ilustre anadiense, sogro de Jos\u00e9 Luciano de Castro, que ficou na hist\u00f3ria portuguesa como um dos maiores jurisconsultos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da sede, a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Anadia possui diversas val\u00eancias, nomeadamente o Jardim-de-Inf\u00e2ncia, o Lar de Idosos \u201cJos\u00e9 Luciano de Castro\u201d, o Centro de Dia de Idosos \u2013 Complexo Seabra de Castro e a Quinta das Felgueiras.<\/p>\n<p>Esp\u00f3lio do pol\u00edtico e arte sacra<\/p>\n<p>O Museu Jos\u00e9 Luciano de Castro ocupa as tr\u00eas salas da ala esquerda do r\u00e9s-do-ch\u00e3o, junto \u00e0 capela priva-tiva do palacete, templo que continua aberto ao culto. <\/p>\n<p>O esp\u00f3lio do museu \u00e9 muito diversificado. Integra pe\u00e7as de pintura, desenho, gravura, plantas, fotografia, imagin\u00e1ria, mobili\u00e1rio, cer\u00e2mica, vidro, ourivesaria, numism\u00e1tica, trajes (civis e oficiais), livros e documentos em papel. H\u00e1 ainda condecora\u00e7\u00f5es e outros objectos inerentes \u00e0 actividade pol\u00edtica e social exercida por Jos\u00e9 Luciano de Castro. <\/p>\n<p>A par do esp\u00f3lio referente a Jos\u00e9 Luciano de Castro, h\u00e1 o acervo de arte sacra em que a pr\u00f3pria capela privativa do palacete est\u00e1 inserida. <\/p>\n<p>Para al\u00e9m das duas salas de exposi\u00e7\u00f5es permanentes e da capela, h\u00e1 outros espa\u00e7os inclu\u00eddos no circuito visit\u00e1vel, como o corredor (com v\u00e1rios pain\u00e9is de azulejos) e os jardins. A terceira sala da ala museol\u00f3gica, situada junto \u00e0 entrada, acolhe as exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias.<\/p>\n<p>Arquivo e Biblioteca<\/p>\n<p>A Biblioteca e o Arquivo situam-se no piso superior. Esses dois espa\u00e7os acolhem o que resta da rica biblioteca \/ arquivo documental pessoal de Jos\u00e9 Luciano de Castro. No entanto, h\u00e1 ainda in\u00fameros documentos e cartas pessoais dirigidas ao pol\u00edtico por importantes personalidades da vida pol\u00edtica, social, econ\u00f3mica e cultural da \u00e9poca, documentos relevantes para um melhor conhecimento desses conturbados anos da vida portuguesa, marcados por acontecimentos relevantes como o \u201cMapa cor de rosa\u201d, o \u201cUltimato Ingl\u00eas\u201d, a captura de Gongunhana, o \u201crotativismo partid\u00e1rio\u201d e o \u201cregic\u00eddio\u201d de D. Carlos.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m desse esp\u00f3lio bibliogr\u00e1fico e documental, a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia foi acolhendo mais documentos e livros, nomeadamente origin\u00e1rio de outras fam\u00edlias ilustres de Anadia e regi\u00e3o envolvente, bem como ofertas de benem\u00e9ritos.<\/p>\n<p>A todo esse acervo h\u00e1 que juntar o pr\u00f3prio arquivo da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Anadia, com documentos fundamentais para a hist\u00f3ria local dos \u00faltimos cem anos.<\/p>\n<p>Miseric\u00f3rdias no terreno h\u00e1 510 anos<\/p>\n<p>As \u201cMiseric\u00f3rdias\u201d formam a mais antiga rede de IPSS (Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social) existente no pa\u00eds, estando no terreno h\u00e1 510 anos. <\/p>\n<p>Foi precisamente em 1498 que a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa assumiu o seu \u201ccompromisso\u201d. Pouco depois, foram criadas outras Miseric\u00f3rdias no pa\u00eds, entre as quais a de Aveiro, cujo \u201ccompromisso\u201d data de 11 de Dezembro de 1519.<\/p>\n<p>A Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de \u00c1gueda \u00e9 a segunda mais antiga existente na Diocese de Aveiro, tendo sido fundada no dia 12 de Novembro de 1859. A funda\u00e7\u00e3o da Miseric\u00f3rdia da Murtosa ocorreu no dia 23 de Setembro de 1896. Ainda no s\u00e9culo XIX, em 1898, surgiu a Miseric\u00f3rdia de Anadia.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, foram criadas mais sete Miseric\u00f3rdias na Diocese de Aveiro. Assim, em 1919, surgiu a Miseric\u00f3rdia de \u00cdlhavo. No ano seguinte, em 13 de Setembro, foi criada a Miseric\u00f3rdia de Oliveira do Bairro. A funda\u00e7\u00e3o da Miseric\u00f3rdia de Albergaria-a-Velha ocorreu no dia 5 de Maio de 1923. No dia 18 de Outubro de 1932 foi criada a Miseric\u00f3rdia de Sangalhos. A Miseric\u00f3rdia de Estarreja surgiu no \u00faltimo dia de Outubro de 1933. A funda\u00e7\u00e3o da Miseric\u00f3rdia de Vagos ocorreu no dia 16 de Janeiro de 1939. A mais recente Miseric\u00f3rdia a ser fundada na \u00e1rea geogr\u00e1fica da Diocese de Aveiro foi a de Sever do Vouga. O evento ocorreu no dia 14 de Janeiro de 1955.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luciano de Castro: Pol\u00edtico no governo e na oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luciano de Castro Pereira Corte Real nasceu em Oliveirinha (Aveiro), no dia 14 de Dezembro de 1834, e faleceu em Anadia, no dia 9 de Mar\u00e7o de 1914). Entre 1885 e 1910, chefiou cinco governos, actividade que intercalou com a lideran\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o e da administra\u00e7\u00e3o do Cr\u00e9dito Predial Portugu\u00eas. Nesse per\u00edodo, Jos\u00e9 Luciano de Castro alternava esses cargos (no governo e no banco) com Hintze Ribeiro, l\u00edder do partido rival (quando um chefiava o governo, o outro presidia ao banco).<\/p>\n<p>Com apenas 14 anos de idade, Jos\u00e9 Luciano de Castro matriculou-se na Universidade de Coimbra, terminando o curso de Direito cinco anos mais tarde, altura em que, com 19 anos de idade, foi eleito deputado, cargo que assumiu com o patroc\u00ednio do parlamentar aveirense Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o e do jurisconsulto bairradino Alexandre de Seabra (seu futuro sogro), autor do C\u00f3digo do Processo Civil. <\/p>\n<p>Ainda na universidade, iniciou a sua actividade jornal\u00edstica, tendo colaborado, dirigido e fundado jornais, tanto da regi\u00e3o de Aveiro, como de Coimbra, Porto e Lisboa. Entre os jornais que fundou destacam-se o \u201cJornal do Porto\u201d (no qual J\u00falio Dinis publicou em fasc\u00edculos a obra \u201cA Morgadinha dos Canaviais\u201d) e \u201cO Direito \u2013 Revista de Legisla\u00e7\u00e3o e Jurisprud\u00eancia\u201d. Na sua perman\u00eancia na cidade do Porto, Jos\u00e9 Luciano de Castro partilhou a casa com Camilo Castelo Branco (na altura em que o escritor mantinha o romance com Ana Pl\u00e1cido). No Porto iniciou a carreira de advogado, que culminou com a sua escolha para vogal efectivo do Supremo Tribunal Administrativo. <\/p>\n<p>Foi na pol\u00edtica que Jos\u00e9 Luciano de Castro se notabilizou. No Parlamento demonstrou grandes dotes orat\u00f3rios, com discursos que ficaram para a hist\u00f3ria. A n\u00edvel partid\u00e1rio e governamental, foi \u201csubindo degraus\u201d at\u00e9 chegar a dirigente m\u00e1ximo do Partido Progressista, de que foi fundador, e a Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro Ministro), cargo que exerceu nos seguintes per\u00edodos: de 20\/2\/1886 a 14\/1\/1890, de 7\/4\/1897 a 25\/8\/1890 e de 20\/10\/1904 a 20\/3\/1906. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, retirou-se definitivamente da pol\u00edtica, n\u00e3o s\u00f3 pela idade mas tamb\u00e9m pela extrema debilidade f\u00edsica devido a complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, acabando por deixar Lisboa e regressar definitivamente a Anadia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sede acolhe Museu Jos\u00e9 Luciano de Castro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12885\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}