{"id":12905,"date":"2008-09-03T16:26:00","date_gmt":"2008-09-03T16:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12905"},"modified":"2008-09-03T16:26:00","modified_gmt":"2008-09-03T16:26:00","slug":"d-manuel-de-almeida-trindade-e-a-manifestacao-dos-cristaos-de-aveiro-no-verao-quente-de-75","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/d-manuel-de-almeida-trindade-e-a-manifestacao-dos-cristaos-de-aveiro-no-verao-quente-de-75\/","title":{"rendered":"D. Manuel de Almeida Trindade e a Manifesta\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os de Aveiro no &#8216;Ver\u00e3o quente de 75&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>No \u201cCorreio do Vouga\u201d de 12 de Agosto, no seu n\u00famero especial de Homenagem a D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro, na p\u00e1g. 10, escrita por Ant\u00f3nio Marujo, h\u00e1 algumas informa\u00e7\u00f5es ou afirma\u00e7\u00f5es que s\u00e3o erradas, pelo que se torna indispens\u00e1vel corrigi-las para repor a verdade hist\u00f3rica dos factos.<\/p>\n<p>1. Escreveu Ant\u00f3nio Marujo: \u201cNo dia 7 de Julho de 1975, o bispo de Aveiro ainda demorou a tomar a decis\u00e3o da sua vida. Manuel de Almeida Trindade era um homem discreto e prudente, que prezava os valores tradicionais. Mas acabaria por convocar para o dia 13 desse m\u00eas a primeira de v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de cat\u00f3licos que, no \u201cVer\u00e3o quente\u201d de 1975, reivindicaram a propriedade cat\u00f3lica da R\u00e1dio Renascen\u00e7a e ajudaram a arrefecer os \u00edmpetos do Governo de Vasco Gon\u00e7alves.\u201d (&#8230;)<\/p>\n<p>Para repor a verdade hist\u00f3rica dos factos \u00e9 indispens\u00e1vel dizer-se: n\u00e3o foi D. Manuel de Almeida Trindade que \u201cconvocou\u201d essa Manifesta\u00e7\u00e3o. Dizer ou escrever que ele a \u201cconvocou\u201d \u00e9 errado, n\u00e3o \u00e9 a verdade; nem a \u201cconvocou\u201d, nem a sugeriu, nem a promoveu nem a organizou. Quem decidiu faz\u00ea-la, quem a promoveu, quem a organizou foi um grupo de cat\u00f3licos da Diocese, constitu\u00eddo por alguns leigos &#8211; homens e mulheres &#8211; e alguns padres, que se reuniram no dia 8 de Julho, 3a feira, para ponderarem a hip\u00f3tese de se se devia fazer uma manifesta\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o; e, se sim, se devia ser no domingo a seguir, dia 13, ou no outro, dia 20. Eram 19h20, quando os presentes tomaram a decis\u00e3o de fazer, de organizar a manifesta\u00e7\u00e3o, e faz\u00ea-la logo no domingo seguinte, dia 13. Nesta reuni\u00e3o, foram as mulheres presentes as primeiras a declarar, em tom determinado, convicto e firme, que a manifesta\u00e7\u00e3o se fizesse, e logo no domingo seguinte. Esta atitude t\u00e3o convicta, firme e determinada foi apoiada pelos outros presentes, mesmo pelos que, antes de entrarem para a reuni\u00e3o, estavam reticentes. A decis\u00e3o estava tomada. Agora era necess\u00e1rio fazer as dilig\u00eancias necess\u00e1rias, e a primeira era dar a saber ao Bispo da Diocese, D. Manuel de Almeida Trindade (o que fizemos em audi\u00eancia j\u00e1 solicitada com a indica\u00e7\u00e3o do assunto a tratar), da decis\u00e3o que tinha sido tomada e da necessidade de ele estar presente, pois ela era destinada a manifestar o apoio dos cat\u00f3licos da Diocese ao seu bispo, e, na pessoa dele, ao episcopado portugu\u00eas, pela atitude p\u00fablica tomada a reclamar a restitui\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a \u00e0 Igreja (Renascen\u00e7a que, recorde-se, tinha sido ocupada &#8211; a sede e o posto emissor de Lisboa &#8211; pelas for\u00e7as ou organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias do P.R.E.C. &#8211; esquerda comunista e extrema esquerda). Quando lhe dissemos que a manifesta\u00e7\u00e3o era j\u00e1 no pr\u00f3ximo domingo, disse-nos que, nessa data, teria dificuldade, pois estava para partir para Roma para tratar de assuntos relativos ao Col\u00e9gio Portugu\u00eas e nessa data seria dif\u00edcil poder j\u00e1 estar em Aveiro. Dissemos-lhe que ele tentasse tratar os assuntos a tempo de estar em Aveiro, no domingo, \u00e0s 17h.; no caso de n\u00e3o ter tempo de tratar todos os assuntos, que viesse, ainda que tivesse de voltar a Roma, que n\u00f3s lhe pagar\u00edamos a despesa da nova viagem. E assim ficou combinado. (A ele j\u00e1 tinham apresentado, no dia 5, s\u00e1bado, a ideia, a sugest\u00e3o de se fazer a manifesta\u00e7\u00e3o, dois padres &#8211; o P. Jos\u00e9 Henriques da Silva e o P. Alfredo Rei -, depois de terem ouvido a opini\u00e3o do vig\u00e1rio geral de ent\u00e3o, P.e Ant\u00f3nio dos Santos, que lhes deu opini\u00e3o favor\u00e1vel, depois do que disseram a outro padre &#8211; o P.e Belinquete, &#8211; que era preciso que este aceitasse organiz\u00e1-la.).<\/p>\n<p>D. Manuel de Almeida Trindade n\u00e3o se op\u00f4s \u00e0 decis\u00e3o tomada e que lhe transmitimos. Tivemos \u201cluz verde\u201d; pod\u00edamos avan\u00e7ar. E foi o que fizemos. Estes s\u00e3o os factos hist\u00f3ricos que aqui s\u00e3o escritos por quem acompanhou todos os passos, desde a origem.<\/p>\n<p>Que a Manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi \u201cconvocada\u201d por ele, ele pr\u00f3prio o afirmou no seu breve discurso, no final da Manifesta\u00e7\u00e3o, dirigindo-se \u00e0 multid\u00e3o, calculada em cerca de, para uns, 40.000, para outros, 50.000 pessoas (segundo estimativas de jornalistas estrangeiros que se encontravam em Aveiro para fazer a cobertura do acontecimento). A multid\u00e3o tinha-se concentrado no Largo da Esta\u00e7\u00e3o da C.P. para receber o seu bispo, que chegaria de comboio, e manifestar-lhe o seu apoio. Desfilou a seguir pela Av. Dr. Louren\u00e7o Peixinho com a ordem e um civismo admirados por quantos assistiam (sem quaisquer for\u00e7as policiais a acompanhar o desfile), em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00e9 Catedral, em cujo Largo e ruas que a ele vinham dar se tinha concentrado.<\/p>\n<p>Disse D. Manuel de Almeida Trindade com voz forte, convicta, a come\u00e7ar o seu discurso: \u201c Eu sinto-me plenamente \u00e0 vontade, hoje, em Aveiro. E sinto-me plenamente \u00e0 vontade, em primeiro lugar, porque eu n\u00e3o promovi esta manifesta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE sinto-me plenamente \u00e0 vontade porque sei que esta manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para o bispo de Aveiro como tal, mas \u00e9 para o Episcopado Portugu\u00eas que ele aqui representa.\u201d<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>\u201cE sinto-me, por fim, e ainda, plenamente \u00e0 vontade, porque esta n\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9! N\u00e3o foi promovida por nenhum partido pol\u00edtico, embora possam estar aqui pessoas que perten\u00e7am a partidos pol\u00edticos diversos. Mas esta n\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de homens que se sentem no seio da Igreja e a\u00ed encontram um espa\u00e7o de liberdade para poderem viver.\u201d<\/p>\n<p>(&#8230;) \u201cExistem crist\u00e3os em todas as dioceses de Portugal. Oxal\u00e1 que o exemplo de Aveiro desperte os crist\u00e3os, do Minho ao Algarve, e que se apresentem, assim, em massa, a apoiar os seus bispos!<\/p>\n<p>\u201cQue os crist\u00e3os, se porventura, t\u00eam vivido adormecidos, acordem, finalmente! Acordem! Acordem!\u201d<\/p>\n<p>2. Escreveu Ant\u00f3nio Marujo: (&#8230;) \u201cConta o antigo secret\u00e1rio que, naquela noite, Trindade chegou a temer ser detido (alguns manifestantes foram) e que houve documentos importantes retirados de casa.\u201d<\/p>\n<p>Esclarecemos: n\u00e3o \u00e9 verdade que tenha sido detido qualquer manifestante; nem dos organizadores nem dos manifestantes ou participantes na manifesta\u00e7\u00e3o. Repetimos e reafirmamos: ningu\u00e9m foi detido. Foi \u2018saneado\u2019, isso sim, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, o estudante do 4\u00b0 ano, Aul\u00e1cio Manuel da Costa Almeida, em \u2018A M\u2019 (Assembleia Magna), acusado de ter estado \u201c\u00e0 frente da manifesta\u00e7\u00e3o fascista de Aveiro\u201d e de \u201corganizador da recente manifesta\u00e7\u00e3o ultra-reaccion\u00e1ria de Aveiro\u201d, num folheto, um pasquim em que transpirava em cada frase \u00f3dio, texto de que temos um exemplar em nosso poder, escrito pelo \u201cN\u00facleos Sindicais de Economia\u201d, datado de 15\/7\/75. Isto foi uma acusa\u00e7\u00e3o falsa, mentirosa, caluniosa, mal\u00e9vola, ign\u00f3bil, pois este estudante n\u00e3o teve qualquer interfer\u00eancia ou participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o da Manifesta\u00e7\u00e3o; apenas ter\u00e1 participado no desfile (e dizemos ter\u00e1 porque n\u00e3o o vimos l\u00e1) como qualquer um dos muitos milhares de cidad\u00e3os que nele tomaram parte.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Marujo atribui a Jo\u00e3o Gaspar, secret\u00e1rio que foi de D. Manuel, que, na noite da Manifesta\u00e7\u00e3o, teria havido \u2018documentos importantes retirados de casa.\u2019 O que o P.e Jo\u00e3o Gaspar disse \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia, declara\u00e7\u00f5es transcritas no jornal diocesano Correio do Vouga foi que \u201ccheg\u00e1mos a retirar de casa alguns valores estimativos e importantes.\u201d Isto \u00e9 uma rectifica\u00e7\u00e3o, mas que consideramos sem import\u00e2ncia de maior.<\/p>\n<p>Padre Jos\u00e9 Belinquete<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u201cCorreio do Vouga\u201d de 12 de Agosto, no seu n\u00famero especial de Homenagem a D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro, na p\u00e1g. 10, escrita por Ant\u00f3nio Marujo, h\u00e1 algumas informa\u00e7\u00f5es ou afirma\u00e7\u00f5es que s\u00e3o erradas, pelo que se torna indispens\u00e1vel corrigi-las para repor a verdade hist\u00f3rica dos factos. 1. 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