{"id":12907,"date":"2008-09-03T16:31:00","date_gmt":"2008-09-03T16:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12907"},"modified":"2008-09-03T16:31:00","modified_gmt":"2008-09-03T16:31:00","slug":"o-trabalho-na-clausura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-trabalho-na-clausura\/","title":{"rendered":"O Trabalho na Clausura"},"content":{"rendered":"<p>CARMELITAS DESCAL\u00c7AS DO CARMELO DE CRISTO REDENTOR<\/p>\n<p>Hoje, queremos falar da realidade do trabalho vivido no \u201cmundo da clausura\u201d. E queremos faz\u00ea-lo desde o Carmelo, a \u201ccasa\u201d de Teresa e de Jo\u00e3o da Cruz, onde ela \u201cfiava e cozinhava\u201d com gosto, e onde ele trabalhava como \u201cpedreiro e hortel\u00e3o\u201d. Casa \u201csoalheira\u201d para Isabel da Trindade, que nunca estava ociosa, segundo o que dizem dela as Irm\u00e3s; \u201cC\u00e1tedra\u201d para Edith Stein, onde conseguiu a melhor s\u00edntese entre ci\u00eancia e Cruz; \u201ccampo de batalha\u201d para Teresa de Lisieux, que morreu com as armas na m\u00e3o\u2026 Resumindo, Vinha do Senhor onde todas as manh\u00e3s milhares de mulheres somos contratadas por Jesus Cristo para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o do seu Reino.<\/p>\n<p>Adivinha-se assim a nossa forma de trabalhar: Oramos trabalhando e trabalhamos orando. Pode parecer que \u00e9 a mesma coisa, mas \u00e9 e n\u00e3o \u00e9\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 um estilo de vida<\/p>\n<p>Para muitos o trabalho na clausura pode ser novidade, para outros pelo contr\u00e1rio, a clausura \u00e9 inconceb\u00edvel sem trabalho. A verdade \u00e9 que as Irm\u00e3s trabalham sendo solid\u00e1rias com todos aqueles que ganham o \u201cp\u00e3o com o suor do seu rosto\u201d. S\u00e3o v\u00e1rios os trabalhos que realizamos: desde o cultivo da terra, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais, passando pela pintura, pelo restauro de imagens, confec\u00e7\u00e3o de paramentos, de ter\u00e7os e escapul\u00e1rios, at\u00e9 outros mais estruturados como \u00e9 o caso da confec\u00e7\u00e3o de h\u00f3stias, n\u00e3o esquecendo as lides do convento. <\/p>\n<p>A nossa jornada laboral oscila entre quatro a cinco horas di\u00e1rias distribu\u00eddas, segundo circunst\u00e2ncias e lugares, num hor\u00e1rio que marca e unifica o ritmo de trabalho. Deste modo, todas sentimos que participamos numa nova ordem de comunh\u00e3o e harmonia, marcada pela colabora\u00e7\u00e3o e o est\u00edmulo, a exig\u00eancia e a disciplina, a ajuda e a aprendizagem\u2026 Mas nem sempre \u00e9 assim, temos de admiti-lo, \u00e0s vezes perde-se a calma e surgem pequenas tens\u00f5es que depressa s\u00e3o apaziguadas com a reflex\u00e3o, o di\u00e1logo e o perd\u00e3o mutuo.<\/p>\n<p>Mas a novidade do \u201cestilo de viver o trabalho\u201d n\u00e3o est\u00e1 no que fazemos, nem na quantidade do trabalho que fazemos, ainda que seja isto o que nos torna solid\u00e1rias com os demais trabalhadores, mas no \u201cCOMO\u201d trabalhamos: \u201cFazemos com alegria e simplicidade o que nos \u00e9 mandado\u201d. \u00c9 uma meta que nos desafia e nos serve de orienta\u00e7\u00e3o de vida. E \u00e9 assim, simplesmente porque:<\/p>\n<p>Trabalhamos orando<\/p>\n<p>Que \u00e9 o verdadeiro e real trabalho duma contemplativa. Um trabalho que se concretiza na ESCUTA DA PALAVRA: aquela pela qual Deus, o grande trabalhador, fez todas as coisas do c\u00e9u e da terra. Escuta tamb\u00e9m, das mil e uma palavras da humanidade, nos seus emaranhados e subtis matizes de sil\u00eancio, sussurro, canto, grito, gemido e queixume\u2026 e das outras que s\u00e3o puro vazio porque n\u00e3o t\u00eam conte\u00fado\u2026<\/p>\n<p>Escuta dific\u00edlima, que exige um grande esfor\u00e7o de const\u00e2ncia e aten\u00e7\u00e3o, de presen\u00e7a consciente, sem f\u00e9rias, nem folgas\u2026 Trabalho dif\u00edcil, porque sup\u00f5e decifrar e incorporar todas essas palavras \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia, chegando ao cora\u00e7\u00e3o da solidariedade universal.<\/p>\n<p>Trabalho que se pode expressar atrav\u00e9s da proximidade e do acolhimento. Por isso, o \u201cestar ocupadas\u201d durante o dia tem o duplo sentido humano de ganhar o p\u00e3o, e ao mesmo tempo, ser ponto de partida e meio concreto de realiza\u00e7\u00e3o do trabalho contemplativo.<\/p>\n<p>Existe ainda uma outra faceta cheia de beleza pela sua terapia equilibradora dos \u00e2nimos: a mudan\u00e7a na forma de \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d, que \u00e9 uma das muitas maneiras de assumir e reassumir a carga negativa que implica o esfor\u00e7o de trabalhar.<\/p>\n<p>No Carmelo, as pr\u00f3prias \u201ccolegas\u201d de trabalho s\u00e3o a fam\u00edlia que \u00e9 necess\u00e1rio alimentar, os \u201cempres\u00e1rios\u201d a quem obedecer e at\u00e9 as \u201ctrabalhadoras\u201d a quem \u00e9 necess\u00e1rio mandar.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel separar trabalho manual e contemplativo, porque o primeiro perde o seu encanto sem o segundo. As imagens falam por si! Como \u00e9 bonito ouvir as Irm\u00e3s contar  como escutaram essa Palavra criadora de Deus nos seus trabalhos! Com que alegria, com que gozo O descobrem e O contemplam no que fazem. Por exemplo, uma irm\u00e3 que trabalha na horta que, com um ar muito feliz, diz: \u201cAs coisas (o que cultiva) ensinam \u2013 me a conhecer a Deus\u201d.<\/p>\n<p>Daqui \u00e0 atitude de Agradecimento ao Dono da Vinha vai s\u00f3 um passo. E esse passo est\u00e1 chamado a d\u00e1-lo o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e mulher, que \u00e9 a \u201cterra\u201d que Deus mesmo trabalha, quando se humaniza com a pr\u00f3pria actividade do trabalho e coopera com Deus, tornando-se \u201cSenhor da Cria\u00e7\u00e3o\u201d.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARMELITAS DESCAL\u00c7AS DO CARMELO DE CRISTO REDENTOR Hoje, queremos falar da realidade do trabalho vivido no \u201cmundo da clausura\u201d. 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