{"id":12911,"date":"2008-09-03T16:35:00","date_gmt":"2008-09-03T16:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12911"},"modified":"2008-09-03T16:35:00","modified_gmt":"2008-09-03T16:35:00","slug":"incoerencias-no-horizonte-do-portugal-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/incoerencias-no-horizonte-do-portugal-moderno\/","title":{"rendered":"Incoer\u00eancias no horizonte do Portugal moderno"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica, no direito que lhe assiste, vetou a nova lei do div\u00f3rcio e deu raz\u00f5es do seu acto. Logo vieram \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica pessoas e grupos para protestar e o mimosear com os habituais ep\u00edtetos. Sempre os mesmos: conservador, reaccion\u00e1rio, trav\u00e3o do Portugal moderno. Os jotas do PS, incontidos aspirantes a cargos pol\u00edticos, n\u00e3o pouparam as cr\u00edticas, afirmando \u00e0 sua maneira que \u201cningu\u00e9m nos trava\u201d. O Dr. Lou\u00e7\u00e3, a sonhar com uma coliga\u00e7\u00e3o que o possa levar ao governo, fez no essencial coro com a vaga socialista. Manuel Alegre, numa aproxima\u00e7\u00e3o pensada e interessada, disse que \u201ceste veto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pol\u00edtico, mas ideol\u00f3gico e que traduz uma vis\u00e3o conservadora e ultrapassada da viv\u00eancia e necessidades da sociedade actual\u201d. Frase cuidada a n\u00e3o dizer nada. Pedro Passos, para n\u00e3o espantar a gente nova, tamb\u00e9m disse sim e n\u00e3o. <\/p>\n<p>No dizer dos mais empenhados em esvaziar o pa\u00eds de compromissos consistentes, negar valor \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, p\u00f4r debaixo do tapete direitos de alguns cidad\u00e3os, fazer dos portugueses uma carneirada ab\u00falica e submissa \u00e0 qual s\u00f3 se permite dobrar a cabe\u00e7a aos poderes da maioria democr\u00e1tica, o Portugal moderno precisa do div\u00f3rcio facilitado, do casamento dos homossexuais, do uso livre das drogas, do aborto sem restri\u00e7\u00f5es, da eutan\u00e1sia a pedido, de cortar com o conservadorismo da Igreja\u2026<\/p>\n<p>Entretanto, \u201cquatro homic\u00eddios em 24 horas\u201d, assaltos de dia e de noite aos bens de quem trabalha, roubo e viaturas com viol\u00eancia com aumento de 73% em Abril e 63% em Maio, p\u00e1ginas de jornais di\u00e1rios com publicidade \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, casas de penhores franqueadas por gente que a\u00ed deixa, com l\u00e1grimas de sangue, peda\u00e7os de vida, criminosos \u00e0 solta por via de leis que parecem proteg\u00ea-los, aumento de desemprego, leis do trabalho que at\u00e9 abafam desregramentos e injusti\u00e7as do Estado patr\u00e3o, desmotiva\u00e7\u00e3o crescente de professores, m\u00e9dicos, magistrados judiciais, for\u00e7as de seguran\u00e7a, empurr\u00f5es compulsivos aos jovens sem futuro \u00e0 vista, intoxica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com meias verdades. Pinceladas, hoje, do Portugal moderno a delinear futuro que n\u00e3o queremos.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es do PR, que tem o direito e o dever de velar pela ac\u00e7\u00e3o da assembleia legislativa e do governo, s\u00e3o tidas como desfocadas da realidade. De facto, elas fogem ao interesse dominante de pessoas e grupos que fazem da modernidade da realidade nacional uma interpreta\u00e7\u00e3o falaciosa. A este proceder cr\u00edtico, que goza dos favores de \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social, pode chamar-se tentativa de ditadura pol\u00edtica, facciosismo ideol\u00f3gico, usurpa\u00e7\u00e3o encoberta do pa\u00eds por gente que, da realidade e da cultura, tem uma vis\u00e3o superficial e pobre. Mas ser\u00e1 capaz de outra?<\/p>\n<p>Sempre houve e haver\u00e1 na sociedade desvios, males e problemas. As mudan\u00e7as sociais e culturais agravam-nos com repercuss\u00f5es, por vezes graves, nas pessoas e na sua rela\u00e7\u00e3o, nas institui\u00e7\u00f5es que marcam a vida dos cidad\u00e3os, como a fam\u00edlia, a escola, as inst\u00e2ncias culturais e pol\u00edticas, na aprecia\u00e7\u00e3o serena dos valores morais e \u00e9ticos, no modo de viver e entender o presente que se vive e o futuro que se projecta. Perante isto, aumentam as opini\u00f5es e as divis\u00f5es. Os poderes digladiam-se sempre que a vida em sociedade se torna mais dif\u00edcil e surgem ent\u00e3o os bodes expiat\u00f3rios. \u00c9 altura de todos assumirmos, com humildade, as limita\u00e7\u00f5es, pois que, nas situa\u00e7\u00f5es complexas ficam mais a descoberto a fragilidades e incapacidades de cada um.  <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 do exterior que vem a solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Ela reside na for\u00e7a interior que leva ao respeito m\u00fatuo, ao di\u00e1logo aberto, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, \u00e0 an\u00e1lise objectiva da realidade, \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o sadia, ao cuidado de n\u00e3o fazer dos outros os eternos culpados dos males que grassam. O mal n\u00e3o est\u00e1 nos erros e desvios. Est\u00e1 em quem os nega, justifica e defende, como se fossem virtudes. <\/p>\n<p>Os pol\u00edticos devem olhar menos para si e seus interesses e mais para os problemas a resolver. \u00c9 este o caminho da liberdade democr\u00e1tica, mesmo das maiorias absolutas.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica, no direito que lhe assiste, vetou a nova lei do div\u00f3rcio e deu raz\u00f5es do seu acto. Logo vieram \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica pessoas e grupos para protestar e o mimosear com os habituais ep\u00edtetos. Sempre os mesmos: conservador, reaccion\u00e1rio, trav\u00e3o do Portugal moderno. Os jotas do PS, incontidos aspirantes a cargos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}