{"id":12915,"date":"2008-09-12T15:04:00","date_gmt":"2008-09-12T15:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12915"},"modified":"2008-09-12T15:04:00","modified_gmt":"2008-09-12T15:04:00","slug":"asfixia-dominante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/asfixia-dominante\/","title":{"rendered":"Asfixia dominante"},"content":{"rendered":"<p>Um Estado de direito rapidamente se aproxima das fronteiras da anarquia, quando se promove, de forma programada, a desagrega\u00e7\u00e3o moral individual e a extin\u00e7\u00e3o progressiva das institui\u00e7\u00f5es sociais estruturantes.<\/p>\n<p>Estamos perturbados com a inseguran\u00e7a que se vive, com a incerteza da efic\u00e1cia da justi\u00e7a, com o medo da burla, da corrup\u00e7\u00e3o, que levam a uma generalizada desconfian\u00e7a\u2026 <\/p>\n<p>Come\u00e7amos a sentir que em qualquer esquina nos pode surgir uma armadilha, mesmo trilhando os caminhos mais honestos. Basta que algu\u00e9m pense em linchar algu\u00e9m na pra\u00e7a p\u00fablica, que logo se lhe oferecer\u00e1 o terreno prop\u00edcio de alguma comunica\u00e7\u00e3o social sem escr\u00fapulos, capaz de esventrar a privacidade de quem quer que seja, a partir de realidades ou apoiada em difama\u00e7\u00f5es e fic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00edcito esperar que o Estado se torne o moderador da vida p\u00fablica. Sem censuras ditatoriais, cabe-lhe coordenar e promover os esfor\u00e7os de todas as for\u00e7as c\u00edvicas, em busca de solu\u00e7\u00f5es dignificantes da pessoa humana e harmonizadoras das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Todavia, quando a arrog\u00e2ncia das maiorias faz ouvidos surdos aos reparos dos outros, quando persiste na imposi\u00e7\u00e3o das ideias dos \u201csalvadores pensantes\u201d, em pleno desrespeito pelos que pensam de maneira diferente, entramos em clima de subtil ditadura ideol\u00f3gica, de subterr\u00e2neo terrorismo pol\u00edtico, que tolhe as for\u00e7as de quantos sonham projectos diferentes, dado que as mordomias deixam de m\u00e3os atadas muitas iniciativas indispens\u00e1veis \u00e0 vida social, submetendo tudo ao favor estatal. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 esta a \u00fanica \u00e9poca da hist\u00f3ria, tamb\u00e9m entre n\u00f3s, em que tal se verifica. Desde os sonhos de submeter as crian\u00e7as, a partir dos primeiros dias de vida, a uma educa\u00e7\u00e3o \u201cdirigida\u201d, passando pela perspectiva de seleccionar manuais escolares (com que crit\u00e9rios?) e impor desenhos curriculares laicistas, at\u00e9 \u00e0 relativiza\u00e7\u00e3o do crime, \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e materializa\u00e7\u00e3o da vida, passando pela total dilui\u00e7\u00e3o de compromissos pessoais e sociais, a\u00ed est\u00e3o todos os ingredientes para uma ditadura que deixe de ser subtil para mostrar \u00e0 luz do dia os seus tent\u00e1culos.<\/p>\n<p>A Igreja sabe que a sua miss\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a neste tipo de mundo. E sabe que os seus verdadeiros fi\u00e9is, vivendo as realidades deste mundo, t\u00eam de ser fermento de valores diferentes &#8211; os do Reino. Sabe que, n\u00e3o sendo mais que o Mestre, \u00e9 sua condi\u00e7\u00e3o sofrer a hostilidade dos poderes institu\u00eddos, que, por muito favor\u00e1veis que pare\u00e7am, sempre \u201cperdem a cabe\u00e7a\u201d quando s\u00e3o contrariados. <\/p>\n<p>Todavia, essa \u00e9 a sua miss\u00e3o: ser reserva da Humanidade. No Verbo incarnado brilha a plenitude do Homem. E \u00e9 esse que a Igreja tem de anunciar, gritando na pra\u00e7a p\u00fablica, pregando nos p\u00falpitos das igrejas, anunciando e denunciando nos are\u00f3pagos que sobrem da asfixia dominante e inventando outros, mesmo na clandestinidade! A Igreja n\u00e3o pode nunca negociar o essencial da sua miss\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Estado de direito rapidamente se aproxima das fronteiras da anarquia, quando se promove, de forma programada, a desagrega\u00e7\u00e3o moral individual e a extin\u00e7\u00e3o progressiva das institui\u00e7\u00f5es sociais estruturantes. 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