{"id":12944,"date":"2008-10-23T10:22:00","date_gmt":"2008-10-23T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12944"},"modified":"2008-10-23T10:22:00","modified_gmt":"2008-10-23T10:22:00","slug":"visitar-a-murtosa-nao-foi-um-passeio-turistico-foi-uma-peregrinacao-as-minhas-raizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/visitar-a-murtosa-nao-foi-um-passeio-turistico-foi-uma-peregrinacao-as-minhas-raizes\/","title":{"rendered":"&#8220;Visitar a Murtosa n\u00e3o foi um passeio tur\u00edstico&#8230; foi uma peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas ra\u00edzes&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>D. Francisco Barbosa da Silveira, Bispo de Minas (Uruguai): <!--more--> eira \u00e9 Bispo de Minas, Uruguai. Ap\u00f3s a visita dos bispos uruguaios a Bento XVI, no Vaticano, passou pela Diocese de Aveiro, para conhecer a terra de origem da sua fam\u00edlia, a Murtosa, onde foi acolhido com grandes sinais de afecto pela comunidade crist\u00e3 e pela C\u00e2mara Municipal.<\/p>\n<p>O Correio do Vouga conversou com D. Francisco Barbosa da Silveira sobre as suas origens familiares, mas tamb\u00e9m sobre a Igreja neste pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul \u2013 comunidade geograficamente longe, mas espiritualmente pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>D. Francisco Barbosa da Silveira, 64 anos, foi ordenado padre em 1972 e bispo no dia 8 de Maio de 2004.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Como soube que as suas origens familiares est\u00e3o na Murtosa?<\/p>\n<p>D. FRANCISCO BARBOSA DA SILVEIRA \u2013 H\u00e1 muitos anos, em 1990, tive a oportunidade de vir a Aveiro participar num encontro da Federa\u00e7\u00e3o Internacional dos Movimentos Rurais Crist\u00e3os. Estivemos na casa de encontros de Albergaria quase um m\u00eas. Falando com gente daqui, um senhor que pertencia ao movimento da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural, notando que eu tinha sobrenomes portugueses, explicou que \u201cos Barbosas\u201d tinham emigrado a partir da Murtosa. Nessa oportunidade n\u00e3o tive tempo de conhecer a Murtosa e tamb\u00e9m n\u00e3o conhecia o Bispo de Aveiro. Mas sempre cultivei o sonho de um dia poder vir a conhecer a Murtosa.<\/p>\n<p>Antes disso n\u00e3o sabia que tinha ascend\u00eancia portuguesa?<\/p>\n<p>Sabia. Ao falar com os meus familiares mais velhos, sempre me disseram que os nossos antepassados vinham de povo pequeno, de Portugal, onde se trabalhava nas salinas, ligado ao mar, \u00e0 pesca. Com o passar do tempo, atrav\u00e9s do correio electr\u00f3nico, entrei em contacto com D. Ant\u00f3nio Francisco e disse-lhe que depois da visita a Roma teria oportunidade de visitar Aveiro. Ele respondeu que me acolheria com muito gosto na sua casa e me acompanharia na visita \u00e0 Murtosa.<\/p>\n<p>Foi bem acolhido na Murtosa?<\/p>\n<p>Nunca imaginei que me recebesse com tanta honra, com tanto carinho e manifesta\u00e7\u00f5es de amizade e de reconhecimento. N\u00e3o imaginava tal coisa e os meus familiares [no Uruguai] ainda menos.<\/p>\n<p>Celebrei a Eucaristia \u00e0s 10h30 na Murtosa. Cheia de gente. Sa\u00ed \u00e0 porta, costume que temos no Uruguai, para saudar o povo e porque era uma maneira de ficar mais perto desta gente t\u00e3o atenta e t\u00e3o generosa que foi \u00e0 missa n\u00e3o s\u00f3 porque tem de ir, mas tamb\u00e9m para conhecer o bispo que tinha a\u00ed os seus antepassados. Mais tarde, celebramos a Missa na par\u00f3quia da Torreira. Comoveu muito presidir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o em que os escuteiros faziam a promessa. Durante muitos anos, sendo padre jovem, trabalhei como assistente de escuteiros. Voltei a colocar ao pesco\u00e7o o len\u00e7o de escuteiro!<\/p>\n<p>Pelo que vi na Europa, primeiro na It\u00e1lia, depois em Espanha e agora em Portugal, \u00e9 muito reconfortante a presen\u00e7a de crian\u00e7as, jovens e adolescentes na igreja. Em algumas terras s\u00f3 encontramos gente mais velha.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m passou por F\u00e1tima&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 l\u00e1 tinha estado em 1990. Mas n\u00e3o tinha tido a oportunidade de participar num dia 13, com a prociss\u00e3o das luzes, das velas \u2013 como voc\u00eas dizem. Foi um gesto que tenho de agradecer muito ao D. Ant\u00f3nio Francisco, que p\u00f4s \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o um sacerdote com o seu autom\u00f3vel, para que eu participasse nas celebra\u00e7\u00f5es de Domingo \u00e0 tarde (12 de Outubro). Participei na prociss\u00e3o e na Missa. Impressionou-me muit\u00edssimo aquele espect\u00e1culo das velas, o clima religioso de ora\u00e7\u00e3o que se sentia, a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia na esplanada do santu\u00e1rio\u2026 Na segunda-feira (13), outra prociss\u00e3o, com mais bispos, presidida pelo cardeal da Litu\u00e2nia. Nessa Eucaristia j\u00e1 estava tamb\u00e9m D. Ant\u00f3nio Francisco.<\/p>\n<p>Pelas suas palavras podemos depreender que gostou desta viagem \u00e0s suas ra\u00edzes familiares e tamb\u00e9m de espiritualidade\u2026<\/p>\n<p>Estou muito grato. Quero que conte no jornal diocesano a minha gratid\u00e3o por ter participado nas celebra\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima \u2013 tive tamb\u00e9m a oportunidade de conhecer D. Albino, Bispo de Coimbra, que viajou connosco no regresso e nos recebeu na sua casa. <\/p>\n<p>Expresso o meu agradecimento a todas as pessoas que se dispuseram a organizar esta minha visita. Destaco a C\u00e2mara Municipal da Murtosa, principalmente o presidente Santos Sousa, o vice-presidente Joaquim e os vereadores. Receberam-me no s\u00e1bado (11 de Outubro), ofereceram-me o almo\u00e7o e propor-cionaram-me um passeio de moliceiro pela Ria. Foi algo muito emotivo. Estabeleceu-se um v\u00ednculo de amizade. Depois receberam-me na C\u00e2mara Municipal e ofereceram-me recorda\u00e7\u00f5es da Murtosa, que j\u00e1 est\u00e3o arrumadas nas minhas malas, porque na minha pessoa v\u00eam todos os meus familiares, os meus irm\u00e3os e primos. Est\u00e3o todos  \u00e0 espera que regresse para contar o que aconteceu c\u00e1 por Aveiro. Atrav\u00e9s de algumas mensagens de telem\u00f3vel, j\u00e1 com eles fui comunicando, mas eles est\u00e3o numa grande expectativa.<\/p>\n<p>O Sr. Bispo tem um grande sentido de fam\u00edlia\u2026<\/p>\n<p>Fomos educados num profundo sentido da fam\u00edlia, sentido de perten\u00e7a. E isto que estou a viver n\u00e3o \u00e9 mais do que uma express\u00e3o do que herd\u00e1mos dos nossos pais, que nos leva a valorizar os nossos antepassados, os nossos mais velhos e a transmitir este sentimento \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Digo isto e sinto-me emocionado. Na minha pessoa, estamos a viver um encontro com as nossas ra\u00edzes. N\u00e3o se trata de um passeio tur\u00edstico&#8230; \u00c9 uma peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas ra\u00edzes, que nos permitiu, a mim e a todos os meus irm\u00e3os e primos mais velhos, encontrar neste espa\u00e7o, nesta forma de viver, e sobretudo na maneira de ser das pessoas de c\u00e1, algo parecido com o que recebemos na nossa fam\u00edlia: a capacidade de acolhimento, de oferecer amizade. Parecia que nos conhec\u00edamos desde sempre. Levo-os no meu cora\u00e7\u00e3o e sei que fico no cora\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p>&#8220;A Igreja tem um projecto que \u00e9 o sonho de Deus&#8221;<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; A passagem por Aveiro acontece depois de ter visitado, com os outros bispos do Uruguai, Bento XVI\u2026<\/p>\n<p>D. FRANCISCO BARBOSA DA SILVEIRA &#8211; \u00c9 sempre uma experi\u00eancia muito importante ser recebido pelo Papa e por todos os colaboradores do Papa, os dicast\u00e9rios romanos: congrega\u00e7\u00f5es, conselhos, comiss\u00f5es&#8230; Foi uma visita que renovou o nosso \u00e2nimo, o nosso entusiasmo pastoral. Deu-nos muito alento a palavra do Papa. Bento XVI valorizou as nossas orienta\u00e7\u00f5es pastorais. No encontro pessoal do Papa com cada um de n\u00f3s, encontramos o pastor que se preocupa com a igreja universal e que se esfor\u00e7a por conhecer, escutar e valorizar a caminhada de cada uma das igrejas.<\/p>\n<p>Tal como os bispos portugueses, na visita Ad Limina de Novembro do ano passado, a Confer\u00eancia Episcopal do Uruguai apresentou as dificuldades e de desafios da Igreja no Uruguai. Podemos saber quais s\u00e3o?<\/p>\n<p>Uma das necessidades do nosso povo e da nossa Igreja \u00e9 aquilo a que chamamos caminhar \u00e0 luz do documento da V Confer\u00eancia Episcopal dos Bispos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, na Aparecida (Brasil), onde estive como bispo delegado Uruguai. Nesse documento fala-se da necessidade de ajudar os crist\u00e3os a passarem de baptizados a disc\u00edpulos, mission\u00e1rios de Jesus Cristo. Foi isto que partilhamos com o Papa, porque ele pr\u00f3prio tinha proposto este tema para a V Confer\u00eancia: \u201cDisc\u00edpulos e mission\u00e1rios de Jesus Cristo, para que os nossos povos nele tenham vida\u201d.<\/p>\n<p>Como se concretiza essa passagem de simples baptizados para disc\u00edpulos e mission\u00e1rios?<\/p>\n<p>Esta passagem implica uma redefini\u00e7\u00e3o da nossa identidade crist\u00e3. Os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o clientes da Igreja. N\u00e3o somos crist\u00e3os por estarmos registados nos livros da Igreja. Somos crist\u00e3os porque recebemos uma voca\u00e7\u00e3o. Um chamamento a ser disc\u00edpulo de Jesus Cristo. Ent\u00e3o, o que significa ser um baptizado disc\u00edpulo? Ser um leigo disc\u00edpulo? Ser um padre disc\u00edpulo? Ser um bispo disc\u00edpulo? Algu\u00e9m que, aberto \u00e0 Palavra, procura conhecer Jesus, para poder ser mission\u00e1rio \u00e0 semelhan\u00e7a de Jesus, porque quanto mais nos aproximamos de Jesus, mais podemos fazer com que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, se aproxime o povo. O povo precisa de Jesus Cristo. O povo tem uma f\u00e9 de\u00edsta. Acredita em Deus e diz \u201cse Deus quiser\u201d, \u201cse Deus me ajudar\u201d, \u201cDeus me livre\u201d\u2026 mas n\u00e3o conhece Jesus Cristo. A nossa preocupa\u00e7\u00e3o aponta para esta quest\u00e3o: que o povo conhe\u00e7a Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, isto implica uma convers\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>O que significa \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d?<\/p>\n<p>Esta manh\u00e3 [14 de Outubro], o Sr. Bispo convidou-me a partilhar com o conselho episcopal da Diocese de Aveiro a caminhada da Igreja uruguaia. Expliquei a import\u00e2ncia que tem para toda a igreja da Am\u00e9rica Latina assumir decididamente este processo de convers\u00e3o pastoral. Tem de mudar algo na Igreja. Temos de abrir caminhos, romper com tradi\u00e7\u00f5es, costumes e sistemas que nos impedem de ser verdadeiramente rosto vis\u00edvel deste pastor invis\u00edvel que \u00e9 Jesus Cristo. Pela primeira vez, o magist\u00e9rio eclesial fala da necessidade de convers\u00e3o pastoral. Estamos conscientes da convers\u00e3o pessoal, estamos conscientes da mudan\u00e7a das estruturas, porque sabemos que h\u00e1 o pecado social, mas n\u00e3o t\u00ednhamos consci\u00eancia de que tamb\u00e9m na ac\u00e7\u00e3o da Igreja h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de pecado, de que temos de sair. Precisamos de convers\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>Pode dar exemplos de situa\u00e7\u00f5es que precisem de convers\u00e3o pastoral?<\/p>\n<p>O estar parado. A acomoda\u00e7\u00e3o ao ambiente. A falta de criatividade. A tibieza. O desalento. O desencanto de crist\u00e3os, de padres.<\/p>\n<p>Ao Papa tamb\u00e9m apresentamos a nossas orienta\u00e7\u00f5es pastorais, que falam da necessidade de fortalecer a comunh\u00e3o da Igreja. A Igreja \u00e9 filha da comunh\u00e3o e \u00e9 servidora da comunh\u00e3o. E num mundo de tanta confronta\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, a Igreja tem de fortalecer a comunh\u00e3o atrav\u00e9s de uma pedagogia de participa\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o, favorecer as estruturas de participa\u00e7\u00e3o. Finalmente, a miss\u00e3o. Foi o Papa que prop\u00f4s em Aparecida uma \u201cmiss\u00e3o continental\u201d.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os contornos da \u201cmiss\u00e3o continental\u201d, que surgiu como uma grandes linhas da Confer\u00eancia de Aparecida?<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um evento, de tal data a tal data. N\u00e3o se trata de conquistar gente para a Igreja. N\u00e3o se trata de pensar, como alguns pensaram, que \u00e9 para estender a o territ\u00f3rio geogr\u00e1fico da Igreja. N\u00e3o. Miss\u00e3o \u00e9 uma atitude. \u00c9 uma conduta. Para isso temos de olhar para Jesus Cristo. Ele \u00e9 o enviado, o mission\u00e1rio derradeiro, definitivo. Depois dele, mais ningu\u00e9m. N\u00f3s, pelo Baptismo e pela Confirma\u00e7\u00e3o, participamos na miss\u00e3o de Jesus Cristo e torn\u00e1mo-lo presente na medida em que n\u00f3s, como Ele, vivemos atitudes de proximidade para com as pessoas. Jesus praticou uma pastoral inclusiva porque se aproximou dos exclu\u00eddos, dos leprosos, da cananeia, da samaritana, do publicamo, dos mal vistos. Para qu\u00ea? Para que pudessem experimentar o abra\u00e7o de amor do Pai. E n\u00f3s somos mission\u00e1rios quando vivemos atitudes de proximidade que tornam poss\u00edvel experimentar o abra\u00e7o de amor do Pai. N\u00e3o importa qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que essa pessoa vive. O amor do Pai \u00e9 para todos. Se h\u00e1 pessoas que podem responder a esse amor e encaminhar a sua vida como resposta a esse amor do Pai, louvado seja o meu Senhor, como diz S. Francisco. Se as pessoas n\u00e3o podem, t\u00eam o mesmo direito de experimentar o amor de Deus. A miss\u00e3o \u00e9 proximidade, \u00e9 an\u00fancio de Jesus Cristo, porque Ele \u00e9, como escreveu o Papa para a V Confer\u00eancia, \u201co rosto humano de Deus, o rosto divino do homem\u201d. Quer dizer que a Jesus est\u00e1 chamado o Homem. Ele \u00e9 a medida do nosso crescimento em humanidade. O nosso horizonte \u00e9 ser como Jesus.<\/p>\n<p>Fale-nos um pouco da sua Diocese de Minas.<\/p>\n<p>Fica a 122 km da capital (Montevideu), numa zona pobre, rodeada de serras. O nome \u201cMinas\u201d prov\u00e9m precisamente das minas de prata e de pedra cali\u00e7a que os espanh\u00f3is exploravam. Tenho 70 mil diocesanos: 34 mil na cidade de Minas, sede da Diocese, com quatro par\u00f3quias, e os restantes em mais tr\u00eas cidades (seis par\u00f3quias). O meu clero \u00e9 composto por dez padres diocesanos e quatro religiosos. Temos tr\u00eas seminaristas que s\u00e3o o nosso orgulho. H\u00e1 uns anos n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum!<\/p>\n<p>Era padre da Diocese que agora serve?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Eu pertencia ao clero de Salto, uma \u201cdiocese-refer\u00eancia\u201d, na parte ocidental do pa\u00eds, perto da Argentina e do Brasil, onde fui p\u00e1roco e vig\u00e1rio episcopal para a pastoral. Era uma terra com grandes culturas de cana-de-a\u00e7\u00facar e com muitas tens\u00f5es laborais.<\/p>\n<p>\u00c9 adepto da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o como ideologia, mas como exposi\u00e7\u00e3o de uma salva\u00e7\u00e3o que \u00e9 para todos os homens e para o homem todo. \u00c0s vezes pregamos uma salva\u00e7\u00e3o desencarnada (\u201csalva a tua alma\u201d). Ora, isso n\u00e3o \u00e9 evangeliza\u00e7\u00e3o. A evangeliza\u00e7\u00e3o tem de ser \u201creinoc\u00eantrica\u201d. E o que \u00e9 o Reino? \u00c9 um tipo de rela\u00e7\u00f5es humanas, de sociedade, de estilo de vida, de estruturas em que podemos dizer \u201caqui h\u00e1 Reino de Deus\u201d. Jesus foi servidor do Reino incluindo os exclu\u00eddos, porque esse \u00e9 o querer de Deus para os seus filhos. A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, bem interpretada, n\u00e3o \u00e9 mais do que a teologia da salva\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>Como vive o seu minist\u00e9rio episcopal?<\/p>\n<p>Quando fui chamado para Bispo de Minas, uma pequena diocese, n\u00e3o perguntei \u201cporqu\u00ea?\u201d, mas \u201cpara qu\u00ea?\u201d. No \u201cpara qu\u00ea\u201d encontro motiva\u00e7\u00e3o para estar mais perto dos pobres, para ser um bispo que contagia entusiasmo, sonho, alegria, para fazer uma Igreja de esperan\u00e7a. O bispo tem ser um homem possu\u00eddo de uma profunda m\u00edstica e espiritualidade. Tem de ir \u00e0 frente, exercer lideran\u00e7a pastoral. Tem de ter uma \u201cespiritualidade de \u00caxodo\u201d: estar disposto a partir.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3os as grandes linhas do plano pastoral da sua Diocese, depois da Confer\u00eancia de Aparecida?<\/p>\n<p>Na nossa diocese elaboramos um projecto. Em Aparecida fui um dos bispos que conseguiu que se falasse de \u201cprojecto pastoral diocesano\u201d, e n\u00e3o de plano, porque o plano pode converter-se em algo t\u00e9cnico e mais nada; \u00e9 como o plano de uma casa. J\u00e1 ter um projecto \u00e9 como ter um sonho. Podemos ter um projecto de vida, um projecto de fam\u00edlia. A Igreja tem um projecto que n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o sua; \u00e9 o projecto de Deus, o sonho de Deus.<\/p>\n<p>Em Minas temos quatro prioridades: Fazer uma pastoral de conjunto, que seja org\u00e2nica, que seja um caule comum que nos permite desde a pluralidade apontar para o mesmo objectivo, que supere a compartimenta\u00e7\u00e3o pastoral; segundo, a dimens\u00e3o mission\u00e1ria, a abertura; terceiro, a fam\u00edlia; quarto, a pastoral social.<\/p>\n<p>Ainda somos uma igreja demasiado para dentro, demasiado fechada. Temos aquilo que em Aparecida se chamou de \u201cpastoral de conserva\u00e7\u00e3o\u201d. Lembrava esta manh\u00e3 aos vig\u00e1rios uma frase famosa que dizia que se no evangelho o pastor perdia uma ovelha, deixava as 99 e ia \u00e0 procura da perdida, hoje est\u00e1 apenas uma no redil e temos de procurar as 99. A Igreja tem de ser muito aberta, muito mission\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Francisco Barbosa da Silveira, Bispo de Minas (Uruguai):<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-12944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}