{"id":12974,"date":"2008-11-06T16:57:00","date_gmt":"2008-11-06T16:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12974"},"modified":"2008-11-06T16:57:00","modified_gmt":"2008-11-06T16:57:00","slug":"o-ceu-no-dizer-de-uma-carmelita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-ceu-no-dizer-de-uma-carmelita\/","title":{"rendered":"O C\u00e9u no dizer de uma Carmelita"},"content":{"rendered":"<p>CARMELITAS DESCAL\u00c7AS DO CARMELO DE CRISTO REDENTOR<\/p>\n<p>O c\u00e9u! O que \u00e9 o c\u00e9u? Creio que esta \u00e9 uma das perguntas que cada um de n\u00f3s se faz. Pergunta \u00e0 qual respondemos a medo com um balbuciar de palavras, com sussurros de eternidade que n\u00e3o s\u00e3o mais do que murm\u00farios com que o nosso cora\u00e7\u00e3o expressa a sua \u00e2nsia de Deus, a \u00e2nsia de infinito. O c\u00e9u \u00e9 algo que desejamos intimamente, mesmo sem o querermos desejar, mesmo sem sabermos o que \u00e9\u2026 Sim, o c\u00e9u \u00e9 mais do que o azul que paira sobre as nossas cabe\u00e7as. \u00c9 mais do que a realidade exterior que os nossos olhos v\u00eam. O c\u00e9u \u00e9 daquelas realidades que s\u00f3 se v\u00eaem bem com o cora\u00e7\u00e3o. Mas disto s\u00e3o testemunha todos aqueles que decidiram viver na sua vida o \u201cc\u00e9u antecipado\u201d.<\/p>\n<p>Isabel da Trindade, uma carmelita descal\u00e7a, que apenas com 26 anos atingiu a plenitude da vida, \u00e9 uma dessas pessoas que decidiu viver o \u201cc\u00e9u na f\u00e9\u201d. Ela define o c\u00e9u como \u201ca casa do Pai\u201d, e continua dizendo que o Pai \u201cali nos espera como se esperam os filhos queridos que voltam ao lar depois do desterro\u201d. Ela sabe bem que, por n\u00f3s mesmos, nunca poder\u00edamos chegar \u00e0 casa do Pai e, por isso, n\u00e3o poupa palavras para nos dizer que \u201cpara nos levar para a\u00ed fez-se Ele mesmo nosso companheiro de caminho\u201d. <\/p>\n<p>A beleza que estas palavras en-cerram \u00e9 a beleza escondida da vida de cada carmelita e de cada ser humano. Aquilo que os nossos olhos n\u00e3o v\u00eaem, mas que a nossa f\u00e9 nos diz ser verdade. Se o c\u00e9u \u00e9 a casa do Pai, e se Ele a\u00ed nos espera, ent\u00e3o n\u00f3s somos seus filhos, filhos muito queridos, e sinal disto \u00e9 que Ele mesmo se fez nosso \u201ccompanheiro de caminho\u201d. Longe de pensarmos no c\u00e9u como um lugar, como um lar que no fim da vida alcan\u00e7aremos, ele \u00e9-nos oferecido j\u00e1, aqui e agora, no momento em que aceitemos ter por \u201ccompanheiro de caminho\u201d Aquele que se fez igual a n\u00f3s, para que um dia pud\u00e9ssemos ser iguais a Ele, filhos na casa do Pai.   <\/p>\n<p>Mas Isabel vai mais longe e diz-nos que no c\u00e9u cada um de n\u00f3s \u00e9 um \u201clouvor de gl\u00f3ria ao Pai, ao Verbo e ao Esp\u00edrito Santo, porque cada um est\u00e1 ancorado no puro amor e n\u00e3o vive j\u00e1 da sua pr\u00f3pria vida, mas da de Deus. Ent\u00e3o conhecemos, segundo diz S. Paulo, como somos conhecidos por Ele; noutras palavras, o nosso entendimento \u00e9 o entendimento de Deus, a nossa vontade \u00e9 a de Deus, o nosso amor o pr\u00f3prio amor de Deus. \u00c9 o Esp\u00edrito de amor e de for\u00e7a quem transforma realmente a alma\u201d.<\/p>\n<p>A nossa voca\u00e7\u00e3o, no c\u00e9u, ser\u00e1 louvar incessantemente a gl\u00f3ria do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, porque viveremos da vida de Deus. Na terra, desde que o Verbo do Eterno Pai se fez nosso \u201ccompanheiro de caminho\u201d, a nossa voca\u00e7\u00e3o converteu-se em \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus\u201d, quero dizer a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 viver o c\u00e9u antecipado, o c\u00e9u na f\u00e9, o c\u00e9u que surge da comunh\u00e3o de vida com Deus. As palavras de Jesus, nos Evangelhos, confirmam-nos nesta voca\u00e7\u00e3o. Ao falar de diferentes pessoas e situa\u00e7\u00f5es Jesus diz: \u201c\u2026\u00c9 assim para que se manifestem nele as obras de Deus\u201d (Jo 9,3). Ou ainda: \u201cEsta doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mortal, mas \u00e9 para a gl\u00f3ria de Deus; para que o Filho de Deus seja glorificado por ela\u201d(Jo 11,4). Deus celebra com cada carmelita e com cada crente o memorial das suas mara-vilhas. Memorial que \u201cencarna\u201d em todos n\u00f3s como manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria da sua gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O caminho para a casa do Pai \u00e9 um caminho de manifesta\u00e7\u00e3o da vida de Deus. Isto exige de n\u00f3s a abertura e a aceita\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Deus nas nossas vidas, para que Ele actue em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s, e, n\u00f3s possamos viver ancorados, pela f\u00e9, no puro amor, que \u00e9 Ele, participando j\u00e1 na sua vida. <\/p>\n<p>E participar na vida de Deus \u00e9 conhecer como Deus nos conhece. Se bem nos lembramos, aquilo que nos afastou de Deus, e que o livro de G\u00e9nesis relata no cap\u00edtulo terceiro, foi o desejo de \u201cser como deuses\u201d, de ser \u201cconhecedores do bem e do mal\u201d e de \u201cadquirir intelig\u00eancia\u201d. Pois bem, regressar \u00e0 casa do Pai passa por ir conhecendo como Deus conhece, e a fonte do conhecimento de Deus \u00e9 o Amor. O Amor revela-nos, n\u00e3o s\u00f3 a nossa verdade, mas a verdade de todas as coisas. O Amor \u00e9 o outro lado da nossa vida, o lado divino pelo qual Deus nos con-templa. A gl\u00f3ria de Deus est\u00e1 em amar-nos e em n\u00f3s nos tornarmos manifesta\u00e7\u00e3o da Sua gl\u00f3ria pelo simples acto de nos deixamos amar, de deixarmos que Ele nos olhe e olharmos para a vida, para o mundo e para os irm\u00e3os com o Seu mesmo olhar. Conhecer como Deus conhece n\u00e3o \u00e9 ter muitos conheci-mentos. Conhecer como Deus conhece \u00e9 conhecer em Deus, \u00e9 conhecer em Amor e Miseric\u00f3rdia, porque \u00e9 assim que Deus olha para cada um de n\u00f3s: na ternura de um Pai que nos oferece a Sua miseric\u00f3rdia, na fraternidade de um irm\u00e3o que \u00e9 Filho e nos d\u00e1 a Sua gra\u00e7a, e na unidade de um mesmo e \u00fanico Esp\u00edrito de Amor que em n\u00f3s gera comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o Esp\u00edrito de amor e de for\u00e7a quem transforma realmente a alma\u201d. Aqui reside o segredo de viver, j\u00e1, o c\u00e9u na f\u00e9. A for\u00e7a amorosa do Esp\u00edrito \u00e9 quem nos abre \u00e0 presen\u00e7a do Deus Vivo, actuante na hist\u00f3ria e no mundo. S. Paulo fala desta for\u00e7a amorosa com que o Esp\u00edrito de Deus se quer manifestar em cada um de n\u00f3s, dizendo: \u201cV\u00f3s n\u00e3o rece-bestes um esp\u00edrito de escravid\u00e3o para recair no temor, mas um esp\u00edrito filial pelo qual clamamos: Abb\u00e1! Pai! O pr\u00f3prio Esp\u00edrito d\u00e1 testemunho ao nosso esp\u00edrito que somos filhos de Deus\u201d (Rom 8,15-16).<\/p>\n<p>Isabel, porque experimenta na sua vida essa for\u00e7a amorosa do Esp\u00edrito, que lhe diz que \u00e9 filha de Deus, afirma que a sua miss\u00e3o no c\u00e9u ser\u00e1 continuidade do seu c\u00e9u na terra. \u201cA minha miss\u00e3o no c\u00e9u consistir\u00e1 em atrair as almas, ajudando-as a sair de si mesmas para se unirem a Deus mediante um movimento simples e amoroso, e guard\u00e1-las nesse grande sil\u00eancio interior que permite a Deus imprimir-se nelas, transformando-as n\u2019Ele mesmo\u201d. Ela considera como sua miss\u00e3o: o fazer-nos viver o c\u00e9u na terra, atraindo-nos para a vida de comunh\u00e3o com Deus, atrav\u00e9s de um movimento simples e amoroso \u2013 a f\u00e9. Acreditar, Deixar-se Amar e Amar. O c\u00e9u na f\u00e9 \u00e9 esse movimento amoroso de Deus se ir imprimindo em n\u00f3s, tirando-nos para fora dos nossos pequenos e estreitos mundos, transformando-nos n\u2019Ele mesmo.<\/p>\n<p>Se conhec\u00eassemos a beleza que a presen\u00e7a de Deus imprime \u00e0s nossas vidas, estou certa que n\u00e3o perder\u00edamos tempo \u00e0 procura de falsos \u201cc\u00e9us\u201d. De \u201cc\u00e9us\u201d que pouco duram e depressa se acabam, deixando-nos com a sensa\u00e7\u00e3o de que o c\u00e9u n\u00e3o existe. Se aceit\u00e1ssemos o desafio de viver j\u00e1 agora o c\u00e9u na f\u00e9, n\u00e3o ter\u00edamos d\u00favidas em dizer o que \u00e9 o c\u00e9u, porque o c\u00e9u \u00e9 o \u201cGrande Encontro\u201d feito de pequenos encontros di\u00e1rios.<\/p>\n<p>E no c\u00e9u da f\u00e9 existe apenas uma atitude v\u00e1lida, a da gratid\u00e3o. A ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as por Deus Pai nos ter feito nascer para viver no c\u00e9u. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio dar-Lhe gra\u00e7as sempre, suceda o que suceder, pois Deus \u00e9 Amor e s\u00f3 actua por amor\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 luz de Deus, conhecemos as coisas na sua verdade: que vazio es-t\u00e1 tudo o que n\u00e3o foi feito por Deus! Ao constatar esta realidade no c\u00e9u da sua alma, onde Deus habita, a Irm\u00e3 Isabel suplica a nossa aten\u00e7\u00e3o: \u201cQueria que todos me ouvissem, para lhes dizer a vaidade e o nada de tudo o que n\u00e3o se faz por Deus. Pe\u00e7o-lhe que marque tudo com o selo do amor. Isso \u00e9 o \u00fanico que fica\u201d. <\/p>\n<p>Se cada dia que passa conseguirmos que Deus cres\u00e7a em n\u00f3s, saberemos que j\u00e1 estamos no c\u00e9u, porque viveremos j\u00e1 o c\u00e9u na f\u00e9, em comunh\u00e3o com todos os que j\u00e1 est\u00e3o na casa do Pai e com Ele nos esperam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARMELITAS DESCAL\u00c7AS DO CARMELO DE CRISTO REDENTOR O c\u00e9u! O que \u00e9 o c\u00e9u? Creio que esta \u00e9 uma das perguntas que cada um de n\u00f3s se faz. Pergunta \u00e0 qual respondemos a medo com um balbuciar de palavras, com sussurros de eternidade que n\u00e3o s\u00e3o mais do que murm\u00farios com que o nosso cora\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12974","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12974"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12974\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}