{"id":12978,"date":"2008-11-06T17:10:00","date_gmt":"2008-11-06T17:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12978"},"modified":"2008-11-06T17:10:00","modified_gmt":"2008-11-06T17:10:00","slug":"economico-e-social-dicotomia-perversa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/economico-e-social-dicotomia-perversa\/","title":{"rendered":"Econ\u00f3mico e social &#8211; dicotomia perversa"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Acha-se consagrada, h\u00e1 muito, a dicotomia entre o dom\u00ednio econ\u00f3mico e o social. De acordo com esta ideologia &#8211; dominante \u00e0 esquerda e \u00e0 direita &#8211; o dom\u00ednio econ\u00f3mico orienta-se para o lucro, e o social para a garantia do bem-estar. O econ\u00f3mico deve contribuir, atrav\u00e9s de contribui\u00e7\u00f5es, impostos e d\u00e1divas, para o social, e este deve gerir correctamente os recursos que lhe s\u00e3o disponibilizados.<\/p>\n<p>Tal ideologia despreza tr\u00eas realidades fundamentais: a luta pela subsist\u00eancia, a responsabilidade social das empresas; e a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento local. Na luta pela subsist\u00eancia, os cidad\u00e3os e as fam\u00edlias procuram desenvolver actividades que lhes permitam sobreviver com dignidade. Em vez de ficarem na depend\u00eancia de presta\u00e7\u00f5es sociais, procuram ganhar autonomamente seus pr\u00f3prios rendimentos.<\/p>\n<p>A luta pela subsist\u00eancia existiu sempre ao longo da hist\u00f3ria; constituiu a principal forma de luta contra a pobreza, e traduziu-se em actividades informais e em micro e pequenas empresas; alguns \u00ablutadores\u00bb pela subsist\u00eancia estiveram na origem de m\u00e9dias e grandes empresas. Entretanto, o desenvolvimento das pol\u00edticas sociais, ocorrido a partir de meados do s\u00e9culo XX, deu origem ao menosprezo desta luta; criou-se at\u00e9 a mentalidade segundo a qual \u00e9 mais \u00abhonroso\u00bb receber uma presta\u00e7\u00e3o social do que trabalhar em certas actividades. Dentro da mesma l\u00f3gica, a crise financeira actual est\u00e1 a ser aproveitada para a melhoria daquelas presta\u00e7\u00f5es &#8211; o que \u00e9 \u00f3ptimo &#8211; e para o menosprezo do trabalho de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>A propens\u00e3o para a depend\u00eancia das presta\u00e7\u00f5es sociais j\u00e1 faz parte da nossa condi\u00e7\u00e3o \u00abgen\u00e9tica\u00bb, e provavelmente, assim vai continuar enquanto o Estado, os partidos pol\u00edticos e outras for\u00e7as dominantes continuarem a afinar pelo mesmo diapas\u00e3o. Tudo poderia ser diferente se estas entidades n\u00e3o olhassem para a luta pela subsist\u00eancia como realidade marginal, a erradicar, mas sim como dinamismo a dignificar. Para tanto, seria necess\u00e1rio, em especial: facilitar o exerc\u00edcio legal das actividades; facilitar o escoamento de produ\u00e7\u00f5es; difundir informa\u00e7\u00f5es sobre oportunidades de neg\u00f3cio; apoiar a qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho e no trabalho; erradicar os oportunismos no acesso a apoios; adequar a legisla\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Em pr\u00f3ximos artigos, far-se-\u00e1 uma ligeira abordagem da responsabilidade social das empresas e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento local, neste aspecto. Entretanto, conv\u00e9m deixar claro que o futuro do emprego, dos rendimentos e da justi\u00e7a social passa em larga medida pelo respeito e promo\u00e7\u00e3o da luta pela subsist\u00eancia e de outras actividades que s\u00e3o, ao mesmo tempo, sociais e econ\u00f3micas: sociais, porque interv\u00eam na luta contra a pobreza; econ\u00f3micas, porque s\u00e3o geradoras de rendimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12978","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12978\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}