{"id":12982,"date":"2009-01-08T17:03:00","date_gmt":"2009-01-08T17:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12982"},"modified":"2009-01-08T17:03:00","modified_gmt":"2009-01-08T17:03:00","slug":"cindo-dias-em-festa-com-sao-goncalinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cindo-dias-em-festa-com-sao-goncalinho\/","title":{"rendered":"Cindo dias em festa com S\u00e3o Gon\u00e7alinho"},"content":{"rendered":"<p>Celebra-se nos pr\u00f3ximos dias, de 8 a 12 de Janeiro, a festa de S\u00e3o Gon\u00e7alinho, o \u201csanto da beira-mar\u201d<\/p>\n<p>Ao longo de quatro dias, o santo amarantino, dominicano, da primeira s\u00e9culo metade do s\u00e9c. XIII, que tamb\u00e9m \u00e9 muito popular no Brasil, onde h\u00e1 tr\u00eas cidades chamadas \u201cS\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante\u201d, \u00e9 invocado atrav\u00e9s dos actos lit\u00fargicos, mas tamb\u00e9m com o lan\u00e7amento das cavacas e de outros rituais populares entre os quais se destaca a secreta \u201cdan\u00e7a dos mancos\u201d.<\/p>\n<p>Concei\u00e7\u00e3o Lopes, professora da Universidade de Aveiro que se tem dedicado ao estudo das festividades de S\u00e3o Gon\u00e7alo, afirma que se trata de uma festa de \u201ccelebra\u00e7\u00e3o sagrada da humaniza\u00e7\u00e3o do humano\u201d. Os rituais presentes na festa, as rimas, a subvers\u00e3o do tempo significam um corte no dia-a-dia dominado pela \u201cracionalidade l\u00f3gico-financeira\u201d. \u201cO S\u00e3o Gon\u00e7alinho \u2013 afir-ma \u2013 rompe com o estigma do quotidiano\u201d. Nesta, como noutras festas populares, \u201cos celebrantes, de um modo genuinamente singular, reagem \u00e0 estigmatiza\u00e7\u00e3o instrumental e mercantil da exist\u00eancia humana\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A docente da Universidade de Aveiro destaca nos \u201crituais de S\u00e3o Gon\u00e7alinho\u201d (t\u00edtulo de uma comunica\u00e7\u00e3o que proferiu nos terceiros encontros de S\u00e3o Gon\u00e7alinho, em Novembro passado) o car\u00e1cter alegre do santo, o ritual das cavacas e as dan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cCasamenteiro, tocador de viola, dan\u00e7arino, milagreiro, resolve os encravan\u00e7os do peito e limpa as verrugas da alma e outras maleitas do corpo. Enfermeiro, m\u00e9dico, criador de vida, contemplativo e \u201cperdoador\u201d, curador de doen\u00e7as de ossos, no amor e desamor, com o seu sorriso a todos acolhe e num abra\u00e7o a todos envolve\u201d. Assim \u00e9 S\u00e3o Gon\u00e7alinho, segundo Concei\u00e7\u00e3o Lopes. E cita uma quadra: \u201cBrincalh\u00e3o e galhofeiro \/ v\u00f3s fostes das velhas \/ devoto casamenteiro. \/\/ \u00d3 santinho milagroso \/ dai tamb\u00e9m \u00e0s raparigas \/ um noivinho bem formoso\u201d.<\/p>\n<p>No lan\u00e7amento das cavacas do alto da capela, \u201cmeio de pagar promessas ou encomendar alguma gra\u00e7a\u201d, guardadas durante o ano como s\u00edmbolo de protec\u00e7\u00e3o, Concei\u00e7\u00e3o Lopes v\u00ea um s\u00edmbolo da fertilidade. \u201cTalvez que no c\u00f4vado que o beato S\u00e3o Gon\u00e7alo utiliza nas m\u00e3os se tenha inspirado tamb\u00e9m a forma das cavacas. A \u00e1gua \u00e9 fonte de vida, tal como no \u00fatero feminino germina a vida\u201d, afirma. Sobre a \u201cdan\u00e7a dos mancos\u201d, realizada em segredo na capela, a professora afirma: \u201cTomando nela parte homens saracoteando os corpos em festa, em desequil\u00edbrios poss\u00edveis que as supostas dores de ossos e pernas soltas causam, pede-se protec\u00e7\u00e3o antecipada contra a doen\u00e7a. A folia \u00e9 uma das express\u00f5es da sagra\u00e7\u00e3o da humanidade\u201d. E acrescenta mais uns versos: \u201cNeste dia de festan\u00e7a \/ P\u2019ra ti vai nosso carinho \/ H\u00e1s-de ir connosco na dan\u00e7a \/ \u00d3 rico S\u00e3o Gon\u00e7alinho \/ H\u00e1s-de saltar as fogueiras \/ \u00e0 noite no arraial \/ dan\u00e7ar com velhas gaiteiras \/ uma dan\u00e7a divinal\u201d.<\/p>\n<p>Na festa genuinamente popular, que o vereador da Cultura de Aveiro, Cap\u00e3o Filipe, gostaria que adquirisse um relevo como o S\u00e3o Jo\u00e3o tem no do Porto ou o Santo Ant\u00f3nio em Lisboa, sobressai a festa humana, mas n\u00e3o se exclui a dimens\u00e3o crist\u00e3, como se pode ver pelo programa em destaque.<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>Destaques do programa das festas<\/p>\n<p>Dia 8, quinta-feira<\/p>\n<p>Actua\u00e7\u00e3o das tunas da Universidade de Aveiro, \u00e0s 21h30.<\/p>\n<p>Dia 9, Sexta-feira<\/p>\n<p>Concerto com o artista Rui Pedro, \u00e0s 21h30.<\/p>\n<p>Dia 10, s\u00e1bado (Dia de S. Gon\u00e7alinho)<\/p>\n<p>Arruada de manh\u00e3 e de tarde. Leil\u00e3o de quadro de Jeremias Bandarra (16h00). Eucaristia (18h00). Concerto com M\u00f3nica Sintra (21h30) e fogo de artif\u00edcio.<\/p>\n<p>Dia 11, Domingo<\/p>\n<p>Desfile dos Bombeiros de Estarreja (10h30). Eucaristia (12h00) e tempo de ora\u00e7\u00e3o (15h00). Anima\u00e7\u00e3o com o Grupo C\u00e9nico das Barrocas (16h00). Concerto da Banda Filarm\u00f3nica Gafanhense (21h30) e fogo de artif\u00edcio.<\/p>\n<p>Dia 12, segunda-feira<\/p>\n<p>Eucaristia pelos falecidos do bairro (10h00). Acolhimento das crian\u00e7as das escolas na capela (10h30). Arraial (18h30). Entrega do Ramo aos novos mordomos, na capela (20h00). Actua\u00e7\u00e3o da Orquestra Espanhola Charleston (21h30). Espet\u00e1culo de fogo, som, luz v\u00eddeo e \u00e1gua (23h30).<\/p>\n<p>Todos os dias haver\u00e1 lan\u00e7amento de cavacas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebra-se nos pr\u00f3ximos dias, de 8 a 12 de Janeiro, a festa de S\u00e3o Gon\u00e7alinho, o \u201csanto da beira-mar\u201d Ao longo de quatro dias, o santo amarantino, dominicano, da primeira s\u00e9culo metade do s\u00e9c. XIII, que tamb\u00e9m \u00e9 muito popular no Brasil, onde h\u00e1 tr\u00eas cidades chamadas \u201cS\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante\u201d, \u00e9 invocado atrav\u00e9s dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12982","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12982\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}