{"id":1305,"date":"2010-04-28T15:07:00","date_gmt":"2010-04-28T15:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1305"},"modified":"2010-04-28T15:07:00","modified_gmt":"2010-04-28T15:07:00","slug":"migalhas-e-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/migalhas-e-milhoes\/","title":{"rendered":"Migalhas e milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O Pa\u00eds h\u00e1 v\u00e1rios anos que est\u00e1 a viver a um n\u00edvel acima das suas possibilidades &#8211; diz-se insistentemente. Portanto, encarar sem rodeios essa realidade e desencadear os mecanismos para nos ajustarmos a um padr\u00e3o sustent\u00e1vel \u00e9 um caminho necess\u00e1rio. Quem ousa confrontar os portugueses quem essa necessidade?<\/p>\n<p>Acontece \u00e9 que, para ser convincente um discurso de poupan\u00e7a e de austeridade, h\u00e1 outros aspectos que ter\u00e3o n\u00e3o apenas de ser denunciados, mas drasticamente eliminados. Refiro-me, todos sabemos, aos escandalosos milh\u00f5es que enchem os bolsos de alguns, cobrados do esfor\u00e7o de toda a gente e do er\u00e1rio p\u00fablico. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o desempenho de excel\u00eancia resultou apenas da brilhante massa encef\u00e1lica de uma cabe\u00e7a pensante? N\u00e3o foi toda uma equipa, uma pl\u00eaiade de colaboradores, quem fabricou o \u00eaxito?<\/p>\n<p>E por que tem a classe pol\u00edtica tantas benesses? E por que se multiplicam os favores dos que \u201ct\u00eam cart\u00e3o\u201d de certas cores? E como \u00e9 admiss\u00edvel acolher de bom grado o cinismo de quem diz nem se recordava que tinha uma certa reformazita a receber? <\/p>\n<p>O est\u00f4mago de muitos portugueses est\u00e1 revoltado e com raz\u00e3o. \u00c9 que, a par desses chorudos milh\u00f5es que uns tantos engolem, para a maioria do povo laborioso sobram umas migalhas: uns escassos euros de aumento das pens\u00f5es de mis\u00e9ria, o congelamento ou a conten\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, os cortes nas dedu\u00e7\u00f5es ao IRS\u2026 <\/p>\n<p>E cobre-se esta grav\u00edssima situa\u00e7\u00e3o com um discurso de promessas, de exuber\u00e2ncia pela governa\u00e7\u00e3o feita, de futuro (que futuro?) pr\u00f3ximo sorridente, de um mundo novo de justi\u00e7a social\u2026 Apetece lembrar frases po\u00e9ticas assustadoras: \u201cV\u00f3s, que, l\u00e1 do vosso imp\u00e9rio, \/ prometeis um mundo novo, \/ calai-vos, que pode o povo \/ querer um mundo novo a s\u00e9rio!\u201d. <\/p>\n<p>A democracia \u00e9 a vit\u00f3ria da interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica sobre as armas. E \u00e9 essa a arma que os civilizados usam. Todavia, diante desta dist\u00e2ncia de migalhas e milh\u00f5es, o povo n\u00e3o suportar\u00e1 que lhe violem a possibilidade de se manifestar com firmeza. A paci\u00eancia tem limites, sobretudo quando se sente a urg\u00eancia de primeiras necessidades a satisfazer.<\/p>\n<p>A moral da vida p\u00fablica ser\u00e1 apenas uma quest\u00e3o de ret\u00f3rica? Ou j\u00e1 estar\u00e1 reduzida ao livre arb\u00edtrio de cada um? N\u00e3o h\u00e1 forma de avaliar objectivamente o que podemos e como podemos repartir com justi\u00e7a? Estimo bem que sim. E que se fa\u00e7a a tempo e horas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pa\u00eds h\u00e1 v\u00e1rios anos que est\u00e1 a viver a um n\u00edvel acima das suas possibilidades &#8211; diz-se insistentemente. Portanto, encarar sem rodeios essa realidade e desencadear os mecanismos para nos ajustarmos a um padr\u00e3o sustent\u00e1vel \u00e9 um caminho necess\u00e1rio. Quem ousa confrontar os portugueses quem essa necessidade? Acontece \u00e9 que, para ser convincente um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-1305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}