{"id":13080,"date":"2008-09-12T18:13:00","date_gmt":"2008-09-12T18:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13080"},"modified":"2008-09-12T18:13:00","modified_gmt":"2008-09-12T18:13:00","slug":"criminalidade-mediatizada-erradicacao-diferida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/criminalidade-mediatizada-erradicacao-diferida\/","title":{"rendered":"Criminalidade mediatizada &#8211; erradica\u00e7\u00e3o diferida?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> No m\u00eas de Agosto, a criminalidade foi objecto de forte mediatiza\u00e7\u00e3o. E, como de costume, as v\u00e1rias for\u00e7as sociais e pol\u00edticas alijaram responsabilidades para outrem; nalguns casos, aproveitaram a oportunidade para propagandearem posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e defenderem os seus pr\u00f3prios interesss.<\/p>\n<p>A criminalidade \u00e9 um problema social de extrema gravidade, atendendo aos danos que provoca e ao envenamento que produz nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Interpela os nossos quadros de valores, e deixa a descoberto a  incapacidade colectiva de solu\u00e7\u00e3o adequada. Trata-se de um problema global que resulta de causas m\u00faltiplas, alastra por toda a sociedade, e se encontra verdadeiramente internacionalizado. \u00c9 um fen\u00f3meno colectivo an\u00e1logo \u00e0 guerra; por isso, n\u00e3o se reduz a casos isolados de rela\u00e7\u00f5es interpessoais e com o Estado.<\/p>\n<p>Na perspectiva social, importa sublinhar duas quest\u00f5es b\u00e1sicas. A primeira respeita \u00e0 consci\u00eancia colectiva do fen\u00f3meno; j\u00e1 se difundem algumas estat\u00edsticas sobre a criminalidade, mas n\u00e3o existe informa\u00e7\u00e3o semelhante acerca das suas v\u00edtimas, e continua a ser muito facciosa a abordagem das causas e das vias de solu\u00e7\u00e3o. A sociedade portuguesa est\u00e1 gravemente dividida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s causas: h\u00e1 quem as reduza \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3mico-sociais, ilibando os criminosos; h\u00e1 quem entenda que as causas se concentram sobretudo nos criminosos; e poucas s\u00e3o as for\u00e7as pol\u00edticas e sociais que fazem a s\u00edntese das responsabilidades colectivas e individuais. Esta \u00faltima posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais correcta \u00e0 luz da doutrina social da Igreja e do pr\u00f3prio bom senso.<\/p>\n<p>Com base numa consci\u00eancia t\u00e3o superficial das causas da criminalidade, n\u00e3o admira que as solu\u00e7\u00f5es preconizadas n\u00e3o cheguem \u00e0s mais profundas. E, pior do que isso, verifica-se um aproveitamento perverso da eclos\u00e3o do problema, em ordem \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de lugares-comuns dominantes: o ordenamento jur\u00eddico defende mais os criminosos do que as v\u00edtimas; proclama-se que a liberdade deve prevalecer sobre a seguran\u00e7a necess\u00e1ria; n\u00e3o se fomenta a seguran\u00e7a de proximidade, com a participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es; e at\u00e9 se chega ao extremo de considerar que, atrav\u00e9s do crime, se pode contribuir para a solu\u00e7\u00e3o de alguns problemas sociais e pol\u00edticos. <\/p>\n<p>Face a tudo isto, \u00e9 pesad\u00edssima a responsabilidade dos poderes p\u00fablicos; mas n\u00e3o \u00e9 menor a de todas as outras for\u00e7as e de cada um de n\u00f3s. Encontramo-nos ainda muito desguarnecidos; nem sequer fomos capazes de criar uma opini\u00e3o p\u00fablica adulta e s\u00f3lida, que promova a responsabilidade colectiva e individual, a concilia\u00e7\u00e3o sadia entre liberdade e seguran\u00e7a e a defesa efectiva das v\u00edtimas da criminalidade. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-13080","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}