{"id":13142,"date":"2008-09-17T16:18:00","date_gmt":"2008-09-17T16:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13142"},"modified":"2008-09-17T16:18:00","modified_gmt":"2008-09-17T16:18:00","slug":"menos-retorica-e-mais-ajudas-concretas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/menos-retorica-e-mais-ajudas-concretas\/","title":{"rendered":"Menos ret\u00f3rica e mais ajudas concretas"},"content":{"rendered":"<p>A den\u00fancia surge no final do F\u00f3rum de Accra, no Gana (04-09-2008), em que muito se falou de ajuda aos pa\u00edses mais pobres, mas pouco se concretizou em rela\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es de pobreza, cujo horizonte \u00e9 a morte inevit\u00e1vel e pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>A pobreza que ro\u00e7a a mis\u00e9ria mais degradante n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade, mesmo que assim o queiram fazer entender os grandes te\u00f3ricos do mundo da economia e da sociologia. Por vezes os pol\u00edticos acomodam-se a estas opini\u00f5es que acabam por sossegar a consci\u00eancias ante as muitas omiss\u00f5es e os desvios para formas mais vistosas de fazer investimento dos dinheiros p\u00fablicos. Quando se come\u00e7ou a usar e a abusar da express\u00e3o \u201csem vez e sem voz\u201d n\u00e3o se pensava talvez que muita gente, de facto, se enquadra, de modo pleno, na verdade destas palavras. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, cada vez se fazem estudos mais qualificados e s\u00e9rios sobre a pobreza no mundo, que raramente saem da ret\u00f3rica dos grandes congressos e f\u00f3runs, n\u00e3o faltando dinheiro para os realizar e para publicar livros e actas que mostram a import\u00e2ncia de muitos eventos inconsequentes.<\/p>\n<p>O senhor Ban Ki-Moon, Secret\u00e1rio-Geral da ONU, convidou o Cardeal de Nicar\u00e1gua, \u00d3scar Maradiaga, para ajudar a definir os objectivos do desenvolvimento neste III Mil\u00e9nio, dada a mancha da pobreza extrema, da Africa e da Am\u00e9rica Latina. H\u00e1 consci\u00eancia de que alguns pa\u00edses de Africa, mesmo com bons planos de apoio, necessitar\u00e3o bem de um s\u00e9culo para entrar num certa normalidade.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o das crian\u00e7as com idade abaixo dos cinco anos, que vivem em pa\u00edses em vias de desenvolvimento, est\u00e1 gravemente atingido pela fome. E outros dados come\u00e7am a saltar: A Igreja nestes pa\u00edses tem mais de 60 mil orfanatos com 6 milh\u00f5es de crian\u00e7as, 90 mil escolas b\u00e1sicas com 28 milh\u00f5es de alunos. S\u00e3o n\u00fameros de hoje, veiculados por ag\u00eancias internacionais fi\u00e1veis, embora tudo pare\u00e7a uma fic\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o dos respons\u00e1veis \u00e9 de que, com ajudas regulares, se poderia fazer muito pela vida dos j\u00e1 pr\u00e9 condenados \u00e0 morte e pela sua educa\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de normalidade. Mas \u00e9 mais f\u00e1cil fazer cadeia de ajudas por ocasi\u00e3o de trag\u00e9dias naturais, \u00fateis \u00e9 claro, como se a fome permanente e as janelas fechadas \u00e0 esperan\u00e7a de vida com um m\u00ednimo de dignidade n\u00e3o fossem tamb\u00e9m verdadeiras trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a sempre fria, tal como a solidariedade efectiva, pode ser contagiosa. Os tempos que correm v\u00e3o mais de molde ao cont\u00e1gio da indiferen\u00e7a que alastra, e menos ao impulso para a solidariedade, que tende a restringir-se a grupos restritos e motivados, mas que apesar disso conseguem realizar resultados que v\u00e3o al\u00e9m do pens\u00e1vel e ser um aguilh\u00e3o inc\u00f3modo nesta nossa sociedade, embriagada por um consumismo atraente e largamente publicitado.<\/p>\n<p>Diziam-me h\u00e1 dias que Portugal era, na Europa, o pa\u00eds com as maiores manchas de pobreza concreta. N\u00e3o vi dados comprovativos nem comparativos, por isso n\u00e3o afirmei nem neguei. Sei apenas que abundam express\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es de pobreza escancarada e envergonhada, com tend\u00eancia a aumentarem. Tamb\u00e9m sei que, por vezes, nos diversos sectores de vida &#8211; pol\u00edticos, religiosos, empresariais, culturais &#8211; h\u00e1 mais ret\u00f3rica que ac\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n<p>Os pobres, incapazes de sa\u00edrem, por si, das valas profundas para onde foram empurrados, s\u00e3o um grito permanente pela justi\u00e7a, partilha efectiva de bens, reconhecimento e defesa de direitos humanos n\u00e3o promovidos, nem respeitados. Um grito que tem de nos acordar e incomodar.<\/p>\n<p>Muitas situa\u00e7\u00f5es podem resolver-se se todos quisermos. Quando o conseguirmos, temos mais autoridade para exigir a quem pode que resolva o que nos ultrapassa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A den\u00fancia surge no final do F\u00f3rum de Accra, no Gana (04-09-2008), em que muito se falou de ajuda aos pa\u00edses mais pobres, mas pouco se concretizou em rela\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es de pobreza, cujo horizonte \u00e9 a morte inevit\u00e1vel e pr\u00f3xima. 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