{"id":13172,"date":"2008-09-24T16:54:00","date_gmt":"2008-09-24T16:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13172"},"modified":"2008-09-24T16:54:00","modified_gmt":"2008-09-24T16:54:00","slug":"intervir-na-sociedade-hoje-memoria-e-projecto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/intervir-na-sociedade-hoje-memoria-e-projecto\/","title":{"rendered":"&#8220;Intervir na Sociedade, Hoje! Mem\u00f3ria e Projecto&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O I Congresso Nacional da Pastoral Social decorreu em F\u00e1tima, de 9 a 11 de Setembro. Teve como tema \u201cIntervir na Sociedade, Hoje! Mem\u00f3ria e Projecto\u201d <\/p>\n<p>e contou com 300 participantes. Encerrou o congresso o Cardeal Martino, Presidente do Conselho Pontif\u00edcio Justi\u00e7a e Paz, que anunciou que o seu conselho publicar\u00e1 em breve um documento sobre \u201cA pobreza na era da globaliza\u00e7\u00e3o\u201d e que Bento XVI prepara uma enc\u00edclica social. O Correio do Vouga, com a Ag\u00eancia Ecclesia, destaca as principais interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assist\u00eancia, promo\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a<\/p>\n<p>\u201cOs problemas sociais t\u00eam-se multiplicado e agravado na sua complexidade e nos seus efeitos. A Igreja, ao servi\u00e7o das pessoas \u2013 n\u00e3o \u00e9 outra a sua voca\u00e7\u00e3o \u2013, tem de estar cada vez mais atenta e interventora, sabendo ler atempadamente os sinais dos tempos e ouvir, com cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, os gritos de dor dos inumer\u00e1veis \u201cferidos da vida\u201d.<\/p>\n<p>Dispomos hoje de mais meios humanos e t\u00e9cnicos, h\u00e1 mais abertura \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o entre os diversos agentes sociais, cresceu na Igreja a consci\u00eancia de servi\u00e7o \u00e0s pessoas, faz-se um diagn\u00f3stico mais objectivo das situa\u00e7\u00f5es e das necessidades. J\u00e1 ningu\u00e9m pensa que a pastoral social se esgota em ac\u00e7\u00f5es assistenciais. Sem se negar a estas quando necess\u00e1rias, o caminho vai na linha da promo\u00e7\u00e3o em ordem ao desenvolvimento, \u00e0 justi\u00e7a e ao bem comum. Complementarmente, \u00e0 defesa e implementa\u00e7\u00e3o das estruturas indispens\u00e1veis. As tr\u00eas ac\u00e7\u00f5es devem conjugar-se para uma melhor resposta aos problemas e maior empenhamento das pessoas e das comunidades\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio um provedor dos pobres<\/p>\n<p>Manuela Silva disse acreditar que \u201cter\u00e1 aumentado o grau de consciencializa\u00e7\u00e3o colectiva acerca da pobreza do nosso pa\u00eds, pelo menos relativamente \u00e0s suas express\u00f5es mais gravosas\u201d.<\/p>\n<p>A presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz lamenta que pessoas e institui\u00e7\u00f5es continuem \u201cpresos a preconceitos desresponsabilizantes quanto \u00e0s causas da pobreza e, consequentemente, surdos e mudos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de as remover, agindo sobre as estruturas e debilidades do sistema que as geram e tendem a perpetuar\u201d.<\/p>\n<p>Manuela Silva defendeu que perante a aceita\u00e7\u00e3o por parte da Assembleia da Rep\u00fablica de que a pobreza \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos \u00e9 \u201cnecess\u00e1rio criar mecanismos estaduais e aut\u00e1rquicos de preven\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza que sejam eficientes e que permitam assegurar, de facto, o respeito por aqueles direitos e obriga\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>A presidente da CNJP admitiu mesmo a cria\u00e7\u00e3o de uma provedoria de direitos dos pobres, trabalho a ser desenvolvido pelas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social.<\/p>\n<p>Sociedade desligada do mundo prisional <\/p>\n<p>De um modo generalizado, a sociedade \u201cn\u00e3o est\u00e1 muito envolvida na problem\u00e1tica das pris\u00f5es, nem da preven\u00e7\u00e3o do crime, nem da ressocializa\u00e7\u00e3o, nem do apoio \u00e0s v\u00edtimas, nem do apoio e ajuda \u00e0s fam\u00edlias dos reclusos, como tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 muito sensibilizada para uma verdadeira justi\u00e7a restaurativa\u201d, afirmou o Pe. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, coordenador nacional da pastoral penintenci\u00e1ria\/prisional. O sacerdote da Diocese de Aveiro apelou para que a sociedade n\u00e3o fique \u201cindiferente ou apenas a observar onde as coisas podem ir parar, muito menos numa posi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica destrutiva ou permanente condena\u00e7\u00e3o daquilo que se faz ou n\u00e3o faz\u201d, e defendeu a cria\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es de pastoral penitenci\u00e1ria em cada diocese. S\u00f3 servindo as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sofrimento (em Portugal s\u00e3o mais de onze mil os que est\u00e3o a cumprir medidas privativas de liberdade), a Igreja d\u00e1 \u201cvisibilidade ao Mandamento do amor, nosso \u00abcart\u00e3o de visita\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>Jorge Cunha<\/p>\n<p>A ac\u00e7\u00e3o social da Igreja deve ser \u201cprof\u00e9tica\u201d e \u201cn\u00e3o apenas assistencial\u201d, defendeu Jorge Cunha. Quando se criam institui\u00e7\u00f5es de ac\u00e7\u00e3o social \u201cn\u00e3o estamos apenas a socorrer uma necessidade imediata\u201d, mas a criar algo que simboliza \u201caquilo que deve ser a sociedade de todos\u201d, sublinhou o professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa \u2013 Porto.<\/p>\n<p>Falando nos crit\u00e9rios mais imediatos da ac\u00e7\u00e3o social da Igreja, Jorge Cunha coloca em primeiro lugar \u201ca op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres\u201d. Este crit\u00e9rio \u201c\u00e9 evang\u00e9lico, actual e urgente\u201d. Se a ac\u00e7\u00e3o social fosse pensada segundo o crit\u00e9rio anunciado, \u201cestar\u00edamos num lugar bastante diferente\u201d do actual.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o dos pobres reclama f\u00e9 e convers\u00e3o<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel erradicar a pobreza, bastando para isso, vontade pol\u00edtica. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u00e9 necess\u00e1ria uma verdadeira convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. O servi\u00e7o dos pobres reclama f\u00e9 e convers\u00e3o, pois de outra forma corrermos o risco de curar com uma m\u00e3o as feridas que produzimos com a outra. Por outro lado, este servi\u00e7o exige paci\u00eancia e sentido pedag\u00f3gico. H\u00e1 que aceitar, de antem\u00e3o, a lentid\u00e3o e os poss\u00edveis fracassos. Uma caridade que n\u00e3o est\u00e1 fundada na f\u00e9 e dinamizada pela esperan\u00e7a, n\u00e3o superar\u00e1 um mero humanismo. E a Igreja est\u00e1 chamada a ser mais que uma associa\u00e7\u00e3o humanista\u201d.<\/p>\n<p>Eug\u00e9nio Fonseca, <\/p>\n<p>Presidente da Caritas Portuguesa<\/p>\n<p>A urg\u00eancia do nosso tempo \u00e9 afectiva<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o social da Igreja \u201cs\u00f3 ser\u00e1 pertinente\u201d e realizar\u00e1 com \u201cefic\u00e1cia aquilo que anuncia\u201d se \u201cinvestir no despertar da dimens\u00e3o espiritual do Ser Humano\u201d, afirmou Isabel Varanda, professora da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. \u201cA urg\u00eancia do nosso tempo \u00e9 afectiva\u201d, disse.<\/p>\n<p>A oradora defendeu uma nova \u201cTeologia da liberta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cuma liberta\u00e7\u00e3o dos deuses menores a quem o mundo contempor\u00e2neo se rendeu\u201d. A Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de passar, \u201cpor uma pr\u00e9-evangeliza\u00e7\u00e3o assente num despertar\u201d porque \u201cse deixou de saber lidar com o s\u00edmbolo, com o mist\u00e9rio e com o transcendente\u201d \u2013 afirmou. <\/p>\n<p>O mundo de hoje sofre \u201cde iliteracia emocional, de d\u00e9fice na educa\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es\u201d. Nota-se uma \u201cperda da dimens\u00e3o afectiva da rela\u00e7\u00e3o com Deus e entre os humanos\u201d, mas, paradoxalmente, \u201cproliferam movimentos religiosos que a sociologia chama de nova religiosidade\u201d, ao mesmo tempo que o ate\u00edsmo laico \u201c\u00e9 rent\u00e1vel\u201d. \u201cDeus vende bem, principalmente no tom jocoso, ir\u00f3nico e c\u00ednico\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 um excesso da tecnocracia social<\/p>\n<p>O Estado \u201cdeve ser suplente\u201d em situa\u00e7\u00f5es onde a sociedade funciona melhor, defendeu Bag\u00e3o F\u00e9lix. O antigo ministro falou do decreto-lei que regula a ac\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es sociais (elaborado h\u00e1 25 anos, quando era secret\u00e1rio de Estado da Seguran\u00e7a Social) e real\u00e7ou que \u201ch\u00e1 muitas pessoas que fazem o discurso das Institui\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o acreditam nisso\u201d.<\/p>\n<p>Muitas vezes, esquece-se o \u201cprimado da sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao primado Estado\u201d \u2013 lamentou. E apontou solu\u00e7\u00f5es: \u201cEvitar-se cair no excesso da tecnocracia social\u201d, porque \u201cs\u00e3o verdadeiros advers\u00e1rios do bom desempenho das institui\u00e7\u00f5es da sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Aos jornalistas, Bag\u00e3o F\u00e9lix lamentou que haja institui\u00e7\u00f5es sociais cat\u00f3licas \u201cpresas\u201d do Estado social. \u201cH\u00e1 muitas institui\u00e7\u00f5es sociais da Igreja que nem sequer fazem refer\u00eancia \u00e0 doutrina social da Igreja, onde \u00e9 imposs\u00edvel dizer a palavra caridade, onde n\u00e3o h\u00e1 espiritualidade nem forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d &#8211; afirmou. <\/p>\n<p>Para evitar o dom\u00ednio na vertente financeira do Estado sobre as institui\u00e7\u00f5es, Bag\u00e3o F\u00e9lix prop\u00f5e: \u201cTem que se alterar o sistema de financiamento; este tem que se ser dado \u00e0s fam\u00edlias e n\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O I Congresso Nacional da Pastoral Social decorreu em F\u00e1tima, de 9 a 11 de Setembro. 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