{"id":13198,"date":"2008-09-24T17:49:00","date_gmt":"2008-09-24T17:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13198"},"modified":"2008-09-24T17:49:00","modified_gmt":"2008-09-24T17:49:00","slug":"que-o-novo-ano-escolar-seja-um-ano-novo-um-ano-para-educar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/que-o-novo-ano-escolar-seja-um-ano-novo-um-ano-para-educar\/","title":{"rendered":"Que o novo ano escolar seja um ano novo, um ano para educar"},"content":{"rendered":"<p>Os professores de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica da Diocese de Aveiro reuniram-se com D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, na Casa Diocesana em Albergaria-a-Velha, no dia 6 de Setembro. Para al\u00e9m dos momentos de ora\u00e7\u00e3o, de partilha das alegrias e dificuldades sentidas nas escolas, tivemos forma\u00e7\u00e3o sobre a \u201cAvalia\u00e7\u00e3o Pedag\u00f3gica\u201d, com a ajuda do professor Francisco Guimar\u00e3es, e reflectimos e celebramos a Eucaristia com o nosso Bispo. Foi um dia vivido com muita intensidade, em prepara\u00e7\u00e3o para o novo ano escolar.<\/p>\n<p>Nesta p\u00e1gina damos a conhecer aos leitores do Correio do Vouga as principais ideias da reflex\u00e3o orientada por D. Ant\u00f3nio Francisco. Tratando-se de educa\u00e7\u00e3o, esta reflex\u00e3o interessar\u00e1 a outros professores e, no fundo, a todos os educadores.<\/p>\n<p>Elisa Urbano, directora do Secretariado Diocesano do Ensino Religioso na Escola<\/p>\n<p>\u201cO in\u00edcio do ano escolar \u00e9 sempre um novo ano. Oxal\u00e1 seja um ano novo \u2013 um ano para educar\u201d. D. Ant\u00f3nio Francisco abriu a sua reflex\u00e3o com este jogo de palavras. Na verdade, perante a instabilidade que o sector tem vivido, podemos esquecer que o que est\u00e1 em causa \u00e9 educar.<\/p>\n<p>Constatando que este ano quase todos os professores se mantinham na escola onde leccionaram anteriormente, quis real\u00e7ar que \u00e9 sempre uma nova escola, uma escola a redescobrir, porque \u201co que faz a escola n\u00e3o s\u00e3o as coisas e as estruturas, s\u00e3o as pessoas. N\u00e3o outras. E se as mesmas, h\u00e1 sempre diferen\u00e7as\u201d. <\/p>\n<p>O Bispo de Aveiro, numa primeira parte, sobre a rela\u00e7\u00e3o professor\/aluno\/escola, definiu tr\u00eas crit\u00e9rios pr\u00e9vios do professor e do professor de EMRC:<\/p>\n<p>\u201c1. Que sejamos servidores da causa da educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estamos por empr\u00e9stimo mas por servi\u00e7o.<\/p>\n<p>2. Que sejamos capazes de olhar para o mundo moderno com um olhar de benevol\u00eancia. Olhar sereno, l\u00facido, atento, perspicaz. Querer bem a este mundo. Olhar o futuro num horizonte de esperan\u00e7a. \u201cO futuro s\u00f3 pertence aqueles que tiverem um olhar de esperan\u00e7a\u201d (T. Chardin).<\/p>\n<p>3. Que tenhamos engenho e arte. \u00c0s vezes somos mais oper\u00e1rios do que artistas. Importa que sejamos oper\u00e1rios do suave peso de educar e artistas. Que saibamos cinzelar e esculpir um mundo novo\u201d.<\/p>\n<p>Para prosseguirmos na nossa miss\u00e3o de educadores temos assu-mir \u201calgumas dist\u00e2ncias\u201d: dist\u00e2ncia da ideia de que \u00e9 tudo sempre igual, da tranquilidade do livro \u00fanico e da seguran\u00e7a do comp\u00eandio, da ilus\u00e3o de que o mundo est\u00e1 parado, do medo de n\u00e3o sermos capazes de abra\u00e7ar a mudan\u00e7a e acolher a criatividade, da ansiedade de quem se v\u00ea com excesso de trabalho, de n\u00e3o conseguir dar resposta, de quem apenas v\u00ea o negativo do processo educativo. Citando Bernardino Ribeiro, D. Ant\u00f3nio Francisco lembrou que \u201cat\u00e9 o mudar mudou\u201d. <\/p>\n<p>Centralidade nos alunos<\/p>\n<p>Diversas interroga\u00e7\u00f5es pairam no horizonte do professor de EMRC: O que \u00e9 que n\u00f3s queremos da Escola p\u00fablica? O que queremos da Educa\u00e7\u00e3o para todos \u2013 na sua ess\u00eancia e abrang\u00eancia? Que objectivos, finalidades nos propomos atingir nas aulas de EMRC? Perante estas quest\u00f5es, podemos desconhecer o horizonte da meta e ter hesita\u00e7\u00e3o sobre o caminho a prosseguir, mas nenhum de n\u00f3s duvida da centralidade da nossa ac\u00e7\u00e3o: os alunos.<\/p>\n<p>\u201cQuando perguntamos \u00abo qu\u00ea ensinar?\u00bb, o que nos preocupa \u00e9 a quem ensinar\/educar? N\u00e3o s\u00e3o os conte\u00fados que est\u00e3o em causa&#8230; mas as pessoas\u201d, sublinhou o Bispo de Aveiro. \u201cH\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o que precede toda a ac\u00e7\u00e3o educativa: os alunos, a sua vida, o seu melhor, o seu futuro. S\u00e3o os crit\u00e9rios da nossa compet\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 uma auto-realiza\u00e7\u00e3o que procuramos. Essa vem por acr\u00e9scimo. Os alunos s\u00e3o a raz\u00e3o da nossa exist\u00eancia e o crit\u00e9rio e paradigma da nossa exig\u00eancia\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Sem abdicar de convic\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Numa segunda parte da sua interven\u00e7\u00e3o, intitulada \u201cSer professor de EMRC \u00e9 ser um Servidor do Evangelho\u201d, D. Ant\u00f3nio Francisco, tendo como base um texto do P. Andr\u00e9 Fossion, s.j. (na revista belga \u201cLumen Vitae\u201d), reflectiu sobre a oportunidade das aulas de EMRC para o Evangelho.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou por definir alguns pontos pr\u00e9vios: a) A crise contempor\u00e2nea e a cultura em geral s\u00e3o h\u00famus criativo, momento de gra\u00e7a e de promessa; b) \u00c9 preciso olhar mais para o mundo que est\u00e1 a chegar do que para o mundo que est\u00e1 a partir (S.to Agostinho); c) Mais do que lamentar-se das dificuldades \u00e9 preciso dar resposta \u00e0s oportunidades.<\/p>\n<p>Como \u201ca sociedade de hoje n\u00e3o transmite a f\u00e9 mas a liberdade de escolha\u201d, o papel do educador crist\u00e3o \u00e9 estar aberto ao di\u00e1logo, sem abdicar das suas convic\u00e7\u00f5es. \u201cOlha-mos demasiado para o que se perde e demasiado pouco para o que emerge. Custa-nos ter olhar de profetas. A escola \u00e9 este espa\u00e7o em que a vida se configura\u201d, disse. Fam\u00edlia e a Comunidade, especialmente, reflectem-se e reconfiguram-se na Escola. \u201cUma resposta de escuta das aspira\u00e7\u00f5es presentes exige compet\u00eancia e discernimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A Floresta <\/p>\n<p>depois da tempestade<\/p>\n<p>Para ilustrar o seu pensamento, o Bispo de Aveiro contou a \u201cPar\u00e1bola da Floresta depois da Tempestade\u201d. Em tra\u00e7os largos, um grupo de engenheiros florestais, depois da floresta ter sido destru\u00edda por uma tempestade, optou pela refloresta\u00e7\u00e3o com novas \u00e1rvores. Quando os engenheiros se preparavam para plantar as \u00e1rvores, constataram que, de forma espont\u00e2nea, novas \u00e1rvores estavam a surgir na floresta. Esta situa\u00e7\u00e3o levou-os a repensar as suas decis\u00f5es e a mudar de atitude. Decidiram n\u00e3o por replantar de novo mas por acompanhar o crescimento daquelas \u00e1rvores que nasciam naturalmente.<\/p>\n<p>De uma pol\u00edtica voluntarista de reconstru\u00e7\u00e3o da floresta, os engenheiros passaram a uma pol\u00edtica mais suave de acompanhamento da regenera\u00e7\u00e3o florestal, com tempo e discernimento. Li\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola: o segredo do \u00eaxito e da beleza est\u00e1 na mudan\u00e7a de atitude dos engenheiros florestadores.<\/p>\n<p>Para os educadores, a par\u00e1bola significa que sem renunciar em absoluto \u00e0 interven\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio acompanhar de forma activa e vigilante. Por outras palavras, \u201cpara l\u00e1 do paradigma do mestre, est\u00e1 o paradigma do acompanhante. N\u00e3o estamos na origem da vida dos nossos alunos, mas acompanhamos o seu crescimento. Todo o ser Humano \u00e9 capaz de Deus\u201d, afirmou D. Ant\u00f3nio Francisco, que terminou a sua exposi\u00e7\u00e3o indicando as dez atitudes espirituais do professor de EMRC (ver destaque).<\/p>\n<p>Numa nota final, \u00e9 de referir que a presen\u00e7a de D. Ant\u00f3nio Francisco, as suas palavras, a proximidade de todos e de cada um, fazendo-nos sentir a forma profunda e amiga com que vive as preocupa\u00e7\u00f5es e alegrias dos professores de EMRC, s\u00e3o atitudes reconfortantes e motivadoras. Sentimo-nos em comunh\u00e3o com o nosso Bispo e foi com o cora\u00e7\u00e3o cheio de esperan\u00e7a e alegria que por ele fomos enviados em miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Dez atitudes espirituais do professor de EMRC<\/p>\n<p>1. Ser o primeiro e constante destinat\u00e1rio do Evangelho.<\/p>\n<p>2. Saber deslocar-se para onde Cristo se encontra e ajudar os alunos a faz\u00ea-lo. <\/p>\n<p>3. Fazer-se acolher enquanto se acolhe. S\u00f3 se aprende com quem se ama. \u00c9 o exemplo de Cristo: a hospitalidade mendigada de Jesus em Bet\u00e2nia, com Zaqueu\u2026<\/p>\n<p>4. Humanizar e criar fraternidade na Escola e para a Escola.<\/p>\n<p>5. Saber articular a \u201cprega\u00e7\u00e3o de Jesus\u201d e a \u201cprega\u00e7\u00e3o sobre Jesus\u201d. Com equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>6. Trabalhar as imagens e as representa\u00e7\u00f5es de Deus.<\/p>\n<p>7. Saber alimentar a mem\u00f3ria. A mem\u00f3ria \u00e9 sempre ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Somos mais ricos quantas mais pessoas temos a quem agradecer. Alimentar a mem\u00f3ria da gratid\u00e3o. Animar o debate e favorecer a liberdade.<\/p>\n<p>8. Tomar as resist\u00eancias dos alunos como oportunidades.<\/p>\n<p>9. Perceber a diferen\u00e7a entre \u201ccrer com\u201d e \u201ccrer como\u201d (o av\u00f3s, os pais). O importante \u00e9 acreditar com os outros. Abre-se o mundo da escola \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>10. Todos n\u00f3s precisamos de pedir e receber ajuda. Aprendemos a receber para podermos dar.<\/p>\n<p>O professor est\u00e1 do lado da verdade procurada<\/p>\n<p>\u201cUm sofrimento que acompanha os professores, maior do que o medo, a indisciplina, o desinteresse dos alunos, a instabilidade do ambiente escolar e do clima educativo, \u00e9 a consci\u00eancia de que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 ele a decidir o caminho da evolu\u00e7\u00e3o e o futuro do mundo. Mas continua a ser imprescind\u00edvel. O lugar do professor hoje \u00e9 outro: n\u00e3o \u00e9 do lado do saber adquirido mas sim da verdade procurada. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico timoneiro da hist\u00f3ria, mas \u00e9 membro de uma rede org\u00e2nica que sem ele dificilmente funciona.<\/p>\n<p>O professor j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o habitante \u00fanico da Escola. Na Escola estamos todos: alunos, professores, fam\u00edlias, funcion\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es culturais, comunidade. Mas o professor \u00e9 indispens\u00e1vel. Sem ele n\u00e3o h\u00e1 escola&#8230; <\/p>\n<p>Hoje pede-se muito ao professor. Pede-se mesmo demais. Pede-se carisma, g\u00e9nio, qualidades naturais, voca\u00e7\u00e3o, gosto de ser. Pede-se compet\u00eancia profissional, pedag\u00f3gica. Pede-se disponibilidade, criatividade, capacidade de trabalho, confronto, transpar\u00eancia. \u00c9 muito ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Ao professor de EMRC pede-se ainda que seja igual e diferente. Por vezes, pede-se que seja menos, empobrecendo pedagogicamente a escola do contributo essencial dos professores em toda a sua dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao professor de EMRC, a Igreja pede que professe as suas convic\u00e7\u00f5es, pede coer\u00eancia de testemunho crist\u00e3o. Como disse Paulo VI, \u201co mundo precisa mais de testemunhas do que de mestres, e se admira os mestres \u00e9 porque s\u00e3o testemunhas\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Francisco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os professores de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica da Diocese de Aveiro reuniram-se com D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, na Casa Diocesana em Albergaria-a-Velha, no dia 6 de Setembro. 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