{"id":13208,"date":"2008-10-01T14:53:00","date_gmt":"2008-10-01T14:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13208"},"modified":"2008-10-01T14:53:00","modified_gmt":"2008-10-01T14:53:00","slug":"ainda-e-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ainda-e-tempo\/","title":{"rendered":"Ainda \u00e9 tempo!"},"content":{"rendered":"<p>O espanto n\u00e3o poder\u00e1 deixar os portugueses sen\u00e3o de boca aberta, de ombro a ombro, tal \u00e9 o desmantelamento de tudo o que possa estruturar uma personalidade com perfil de ser humano. Sim, porque aquilo que se vai tecendo, no edif\u00edcio jur\u00eddico, na opini\u00e3o p\u00fablica, no projecto educativo\u2026, tende a reconduzir a pessoa humana a uma condi\u00e7\u00e3o de ser inferior aos pr\u00f3prios animais.<\/p>\n<p>A incerteza na atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidade criminal, a relativiza\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie de v\u00ednculo interpessoal, a pulveriza\u00e7\u00e3o da verdade objectiva no \u201cque eu penso, o que eu sinto, o que me apetece\u201d, tudo isto conduzir\u00e1, muito rapidamente, a uma forma de vida instintiva, com a agravante de, paradoxalmente, ser programada.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de defender \u201cvelhas obriga\u00e7\u00f5es\u201d, princ\u00edpios conservadores, paradigmas obscurantistas. Trata-se de encontrar, sistematizar, educar em valores civilizacionais que mantenham um perfil de pessoa humana digna desse nome, a \u00fanica que pode garantir uma coexist\u00eancia, coopera\u00e7\u00e3o e harmonia social est\u00e1veis \u2013 garantias de democracia aut\u00eantica. <\/p>\n<p>Se hoje se perspectiva mais f\u00e1cil despedir o marido ou a esposa do que um assalariado, se n\u00e3o tardar\u00e1 muito a que se se seja penalizado mais fortemente por atropelar um animal do que por ferir o \u00edntimo ou a honra das pessoas, \u00e0s vezes as do mesmo sangue, que nasceram de nossa responsabilidade ou que nos deram o ser, que \u00e9 que poder\u00e1 garantir a primazia da pessoa humana e o respeito pelos seus direitos fundamentais?<\/p>\n<p>Os c\u00e9us pl\u00fambeos dos nossos dias, carregados de amea\u00e7as de instabilidade e viol\u00eancia, fartos de fen\u00f3menos de escravid\u00e3o e exclus\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o irrevers\u00edveis. A menos que o homem (sobretudo os homens \u201cs\u00e1bios\u201d, do nosso como de outros pa\u00edses) persista em se tornar cada vez mais lobo do homem &#8211; e que nos perdoem o lobos, porque ter\u00e3o, porventura, algumas regras instintivas que n\u00f3s j\u00e1 teremos ultrapassado.<\/p>\n<p>O caminho da esperan\u00e7a, o desanuviamento do futuro, passa por recuperar da fal\u00eancia do conhecimento em que nos deix\u00e1mos arrastar, do ambiente ab\u00falico em que nos deix\u00e1mos adormecer. Sentimentos, sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o potencial explosivo do nosso ser humano. Configurados por um recto e profundo exerc\u00edcio da intelig\u00eancia, por um persistente e esfor\u00e7ado norte da vontade, ser\u00e3o caminho de reconstru\u00e7\u00e3o de um verdadeiro tecido de rela\u00e7\u00f5es respeitadoras, afectuosas e solid\u00e1rias, pressuposto radical de uma s\u00f3lida paz social. <\/p>\n<p>O caminho desta educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Todavia, \u00e9 o \u00fanico que dignifica &#8211; porque \u00e9 a sua express\u00e3o genu\u00edna &#8211; o perfil origin\u00e1rio da pessoa humana. Ainda \u00e9 tempo de inverter ou corrigir percursos destruidores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espanto n\u00e3o poder\u00e1 deixar os portugueses sen\u00e3o de boca aberta, de ombro a ombro, tal \u00e9 o desmantelamento de tudo o que possa estruturar uma personalidade com perfil de ser humano. 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