{"id":13305,"date":"2008-10-08T18:23:00","date_gmt":"2008-10-08T18:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13305"},"modified":"2008-10-08T18:23:00","modified_gmt":"2008-10-08T18:23:00","slug":"ser-carmelita-e-viver-em-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ser-carmelita-e-viver-em-missao\/","title":{"rendered":"Ser Carmelita \u00e9 viver em MISS\u00c3O&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>CARMELITAS DESCAL\u00c7AS DO CARMELO DE CRISTO REDENTOR<\/p>\n<p>N\u00e3o pod\u00edamos deixar passar Outubro, o m\u00eas das miss\u00f5es, sem falar da dimens\u00e3o mission\u00e1ria da voca\u00e7\u00e3o da Carmelita Descal\u00e7a. Este \u00e9 mais um dos paradoxos da vida carmelitana! E ningu\u00e9m melhor do que a Padroeira das Miss\u00f5es, Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, para nos falar dele.<\/p>\n<p>\u00abEu entrei no convento porque me encantavam os grandes espa\u00e7os, as paisagens imensas, os horizontes sem fronteiras\u2026 No Carmelo, os grandes espa\u00e7os s\u00e3o interiores\u2026, s\u00e3o a imensidade dos votos. No Carmelo\u2026 o Amor \u00e9 maior que o mar e maior que o c\u00e9u. As paredes do Carmelo s\u00e3o transparentes aos olhos do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Carmelo permitia-me viver em \u00c1frica ou na \u00cdndia. Ao entrar no Carmelo, eu entrei em todas as partes, na casa dos pobres e na casa dos ricos, na casa dos que estavam longe e na casa dos que estavam mais pr\u00f3ximo. No Carmelo eliminam-se as fronteiras, estas s\u00e3o ilimitadas. Ao fazer-me carmelita, fiz-me chinesa, indiana, japonesa, sou de todas as partes, sou de todo o mundo. O meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 livre para ir a qualquer parte. O Amor faz com que lhe seja poss\u00edvel dar a volta ao mundo. Tudo o que ocorre no mundo, ocorre no cora\u00e7\u00e3o de quem ama.<\/p>\n<p>O mais pequeno sopro de amor escondido pode ser \u00fatil a todos os que vivem entregues \u00e0 ac\u00e7\u00e3o. Ao entrar no Carmelo, eu anuncio o Amor nas cinco partes do mundo, nas cidades mais remotas\u2026eu sou mission\u00e1ria\u2026 e serei mission\u00e1ria at\u00e9 ao fim do universo. S\u00f3 o Amor \u00e9 o caminho at\u00e9 ao extremo do mundo.<\/p>\n<p>Quando o cora\u00e7\u00e3o se torna pobre, j\u00e1 n\u00e3o vive apegado \u00e0 sua casa, ao seu quarto, \u00e0 sua rua, aos seus, neg\u00f3cios: \u00e9 livre\u2026 j\u00e1 pode partir. Pode ir e vir. \u00c9 um navio que solta as suas amarras. Pode ir mar adentro, pode navegar at\u00e9 ao alto mar\u00bb.<\/p>\n<p>Ao descobrir que a sua \u201cVoca\u00e7\u00e3o \u00e9 o Amor\u201d ela compreende o verdadeiro sentido da sua voca\u00e7\u00e3o contemplativa e como ela influi na Igreja e no mundo. Compreende que ela n\u00e3o actua s\u00f3, nem principalmente, atrav\u00e9s das ora\u00e7\u00f5es de intercess\u00e3o, mas pela transforma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ser na da uni\u00e3o cada vez mais intima com Jesus. Essa mudan\u00e7a, que acontece em Teresa, e em cada voca\u00e7\u00e3o contemplativa, estende-se misteriosamente a todos os membros do Corpo de M\u00edstico, a toda a Igreja espalhada pelo mundo inteiro. N\u00e3o sabemos nem o modo nem a medida desta influ\u00eancia, mas a realidade fala por si mesma, e \u00e9 certo que existe uma m\u00fatua comunica\u00e7\u00e3o entre todos os membros. A sua voca\u00e7\u00e3o contemplativa n\u00e3o \u00e9 a de evangelizar mas a de purificar, a de santificar, a de transformar a Igreja desde o interior, desde o cora\u00e7\u00e3o, desde o Amor.<\/p>\n<p>\u00abJesus foi mais misericordioso comigo do que com os seus ap\u00f3stolos, tomou Ele mesmo a rede, lan\u00e7ou-a e retirou-a cheia de peixes\u2026 Fez de mim um pescador de almas. Senti um grande desejo de trabalhar pela convers\u00e3o dos pecadores, desejo que n\u00e3o tinha sentido t\u00e3o vivamente\u00bb (A45v).<\/p>\n<p>\u00c9 assim que Santa Teresinha come\u00e7a a descrever a sua voca\u00e7\u00e3o. Voca\u00e7\u00e3o que \u00e9 resposta ao grito de Jesus na cruz \u201cTenho sede\u201d, e que ecoava no seu cora\u00e7\u00e3o. Estas palavras despertaram nela um fogo desconhecido e muito vivo. Consumia-a o desejo de dar a beber a Jesus a tal ponto, que assumiu em si mesma a sede Daquele que o seu cora\u00e7\u00e3o amava. Isto \u00e9 o bastante para que se determine a ficar aos p\u00e9s da Cruz para receber a gra\u00e7a e reparti-la por todos. Ela prop\u00f5e-se combater a heresia do seu tempo que \u00e9 tamb\u00e9m a do nosso: a indiferen\u00e7a de muitos \u00e0 reden\u00e7\u00e3o realizada por Cristo.<\/p>\n<p>Neste combate todas as carmelitas s\u00e3o solid\u00e1rias e em comunh\u00e3o com Teresinha assumem a luta contra esta indiferen\u00e7a. E, tal como ela assumem em si mesmas o desejo que Jesus tem de se encontrar com cada homem e mulher do nosso tempo. Este desejo \u00e9 o impulso amoroso que leva cada Irm\u00e3 a orar, a trabalhar e a sacrificar-se, fazendo da sua vida uma palavra viva do Deus Vivo. <\/p>\n<p>O lugar de cada carmelita \u00e9 junto \u00e0 Cruz, \u00e9 a\u00ed que ela recebe a gra\u00e7a que se converte em maternidade sobrenatural para todos os filhos de Deus. Ela vive a sua maternidade espiritual unida a Maria, a Virgem Sacerdotal, e participa da sua miss\u00e3o de mediadora da gra\u00e7a. Esta participa\u00e7\u00e3o permite-lhe viver o seu sacerd\u00f3cio real, comum a todos os fieis, unido ao sacerd\u00f3cio ministerial de cada presb\u00edtero. N\u00e3o s\u00f3 rezando por ele, mas estando unida a ele por um v\u00ednculo muito estreito, porque o sacerdote \u00e9 o primeiro fruto da sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. \u00c9 ele que far\u00e1 da carmelita \u201cm\u00e3e das almas\u201d. <\/p>\n<p>Teresa numa das suas cartas define a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da carmelita duma forma t\u00e3o interpeladora quanto desafiante para cada uma de n\u00f3s, suas Irm\u00e3s: \u00abA nossa voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ir ceifar os campos das messes maduras. Jesus n\u00e3o nos diz: \u201cBaixai os olhos, olhai e ide ceifar\u201d. A nossa miss\u00e3o \u00e9 ainda mais sublime. Eis aqui as palavras de Jesus: \u201cLevantai os olhos e vede\u201d. Vede como no c\u00e9u h\u00e1 lugares vazios; a v\u00f3s toca-vos ench\u00ea-los. V\u00f3s sois o meu Mois\u00e9s orante na montanha: pedi-me oper\u00e1rios e eu os enviarei; n\u00e3o espero mais que uma ora\u00e7\u00e3o, que um suspiro de vosso cora\u00e7\u00e3o. (\u2026) A nossa miss\u00e3o como carmelitas \u00e9 a de formar trabalhadores do Evangelho que salvem as almas, das quais n\u00f3s seremos m\u00e3es. Parece-me t\u00e3o bela a nossa miss\u00e3o!\u00bb (Ct 135).<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da carmelita entendida assim \u00e9 de uma beleza rara. Beleza que a muitos atrai e fascina. Mas na realidade, a nossa Grande Mission\u00e1ria, diz-nos que estar em miss\u00e3o no Carmelo \u00e9 uma \u201cluta dura\u201d, um \u201cmart\u00edrio doloroso\u201d, que exige viver em pura f\u00e9.  <\/p>\n<p>\u00abO mart\u00edrio mais doloroso, o mais amado, \u00e9 o nosso, porque s\u00f3 Jesus o v\u00ea. N\u00e3o ser\u00e1 nunca revelado \u00e0s criaturas da terra; mas quando o Cordeiro abra o livro da vida, que admira\u00e7\u00e3o na corte celestial ao ouvir proclamar, juntamente com o nome dos mission\u00e1rios e dos m\u00e1rtires, o nome de umas pobres Irm\u00e3s que nunca fizeram coisas deslumbrantes!\u00bb (Ct 195).<\/p>\n<p>Ser Carmelita \u00e9 viver em Miss\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 ter apenas uma miss\u00e3o para evangelizar, mas \u00e9 t\u00ea-las todas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARMELITAS DESCAL\u00c7AS DO CARMELO DE CRISTO REDENTOR N\u00e3o pod\u00edamos deixar passar Outubro, o m\u00eas das miss\u00f5es, sem falar da dimens\u00e3o mission\u00e1ria da voca\u00e7\u00e3o da Carmelita Descal\u00e7a. Este \u00e9 mais um dos paradoxos da vida carmelitana! 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