{"id":13363,"date":"2009-01-08T18:22:00","date_gmt":"2009-01-08T18:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13363"},"modified":"2009-01-08T18:22:00","modified_gmt":"2009-01-08T18:22:00","slug":"amigos-e-amizades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/amigos-e-amizades\/","title":{"rendered":"Amigos e amizades"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos especialmente prop\u00edcios para apreciar melhor o que na vida teve, tem e ter\u00e1 sempre, um valor de excel\u00eancia para n\u00f3s, os mortais. Esses tempos n\u00e3o se encomendam. V\u00e3o acontecendo sem que a vida os possa engolir. Um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel e atento d\u00e1 por eles e deles sabe tirar as li\u00e7\u00f5es de ser e de saber que lhe s\u00e3o proporcionadas.<\/p>\n<p>Disse algu\u00e9m que \u201cum belo anci\u00e3o \u00e9 a mais formosa de todas as ru\u00ednas\u201d. Formosa, rica e s\u00e1bia, porque sempre capaz de discernir e apreciar, com rectid\u00e3o, o que a vida lhe foi e vai proporcionando, por for\u00e7a da sabedoria adquirida no tempo, da experi\u00eancia de ultrapassagem das portas estreitas da vida e da finitude dos t\u00faneis, por longos e l\u00fagubres que sejam. E, tamb\u00e9m, pela viv\u00eancia libertadora das mais complicadas conting\u00eancias humanas, que acompanham todos os resistentes da vida no seu dia a dia, e persistem, encorajados e com sentido, para ir um pouco mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>Os amigos, que sempre o foram e o s\u00e3o de facto, e as amizades advenientes por for\u00e7a das mais variadas circunst\u00e2ncias, constituem privilegiados elementos de interesse dessa leitura da vida, que o tempo e os tempos v\u00e3o permitindo fazer.<\/p>\n<p>Diz a sabedoria da Escritura que \u201cum amigo \u00e9 um tesouro\u201d. A vida mostra que os tesouros s\u00e3o raros e de leitura nem sempre un\u00edvoca. Alguns amigos volatilizam-se quando os julg\u00e1vamos de sempre e para sempre. Outros foram deixando que o cora\u00e7\u00e3o se endurecesse aos apelos de ajuda e aos desabafos de compreens\u00e3o. Ainda outros desaparecem r\u00e1pidos como os tempos em que nasceram. Restam sempre poucos que, presentes e ausentes, mant\u00eam o mesmo tom de voz, o mesmo calor das palavras, a mesma abertura de alma, a mesma disponibilidade para estar ou para vencer, num instante, dist\u00e2ncia de quil\u00f3metros. Mant\u00eam a mesma alegria incontida, a mesma capacidade de alegria e de dor, vividas em comum, a mesma certeza do ontem e do hoje. S\u00e3o estas atitudes de vida que traduzem a verdade de que \u201cum amigo \u00e9 um tesouro\u201d e de que os verdadeiros amigos n\u00e3o s\u00e3o como o vento que d\u00e1 sinal de si, mas passa \u00e0 frente e depressa.<\/p>\n<p>Das amizades e encontros que surgem ao longo da vida, tanto nascem amigos verdadeiros, coisa rara, como express\u00f5es de respeito que s\u00f3 enraizaram por tempos de rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e que logo passam, como atitudes que escondiam interesses e n\u00e3o foram al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o destes. H\u00e1, ainda, amizades de honra, propaladas por um tempo, que depois se transformaram em indiferen\u00e7a ou desconhecimento.<\/p>\n<p>A vida de hoje, com padr\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o mais frequentes mas mais superficiais, vazada em interesses imediatos a que repugna toda a gratuidade, n\u00e3o \u00e9 prop\u00edcia nem ao respeito pelas ra\u00edzes mais antigas, mesmo as humanas, nem \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o duradoira daqueles que o tempo parece ter tornado mais ou menos in\u00fateis, sen\u00e3o mesmo desvalorizados, assim se diz, por incapazes de ler e falar o presente fluido, que a muitos seduz.<\/p>\n<p>Nesta deprecia\u00e7\u00e3o entraram tamb\u00e9m institui\u00e7\u00f5es respeit\u00e1veis, por vezes mais prop\u00edcias a ser museu de velharias in\u00fateis, pe\u00e7as de ontem em prateleiras douradas, salvaguarda cuidadosa e carinhosa de gente a respeitar pela riqueza humana que nela perdura.<\/p>\n<p>As festas c\u00edclicas n\u00e3o s\u00e3o mera tradi\u00e7\u00e3o. Constituem ocasi\u00e3o de refor\u00e7o das amizades verdadeiras. Os amigos, porque ent\u00e3o, de alguma maneira, se manifestam sempre, ficam ainda mais amigos. Os que o n\u00e3o s\u00e3o, v\u00e3o caindo e saindo, deixando recorda\u00e7\u00f5es, nem sempre as melhores. Amizades por interesse ou respeito que n\u00e3o chegam ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O verdadeiro tesouro conserva-se como presentes de amor, que \u00e9 isso que de facto \u00e9.  Um amigo verdadeiro d\u00e1 seguran\u00e7a e alegria de viver. Tesouro raro. Mas o pouco \u00e9 muito, quando verdadeiro, e o muito \u00e9 nada, quando lhe falta o rosto e calor de verdade.<\/p>\n<p>Em cada ano n\u00e3o faltam ocasi\u00f5es para agradecer os amigos e para pesar o valor das  amizades de circunst\u00e2ncias e, tamb\u00e9m, das utilit\u00e1rias e compostas para a ocasi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos especialmente prop\u00edcios para apreciar melhor o que na vida teve, tem e ter\u00e1 sempre, um valor de excel\u00eancia para n\u00f3s, os mortais. Esses tempos n\u00e3o se encomendam. V\u00e3o acontecendo sem que a vida os possa engolir. 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