{"id":13404,"date":"2008-10-09T09:40:00","date_gmt":"2008-10-09T09:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13404"},"modified":"2008-10-09T09:40:00","modified_gmt":"2008-10-09T09:40:00","slug":"capitalismo-selvagem-rejeitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/capitalismo-selvagem-rejeitado\/","title":{"rendered":"&#8220;Capitalismo selvagem&#8221; rejeitado"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A prop\u00f3sito da grave crise financeira desencadeada nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, alguns comentadores entenderam que a mesma p\u00f4s em causa os excessos do capitalismo. Um ou outro invocou, para refor\u00e7o desse ponto de vista, a rejei\u00e7\u00e3o do \u00abcapitalismo selvagem\u00bb por Jo\u00e3o Paulo II, sobretudo na enc\u00edclica \u00abLaborem Exercens\u00bb. Esta invoca\u00e7\u00e3o \u00e9 correcta, mas parcial: parcial porque a rejei\u00e7\u00e3o dos valores interentes a tal capitalismo n\u00e3o \u00e9 recente, mas remonta ao pr\u00f3prio Evangelho e foi uma constante ao longo de toda a hist\u00f3ria da Igreja; parcial tamb\u00e9m porque a rejei\u00e7\u00e3o faz parte integrante da mensagem crist\u00e3, e n\u00e3o resulta de conjunturas ou oportunismos.<\/p>\n<p>Tr\u00eas eixos doutrin\u00e1rios modulam a ess\u00eancia dessa mensagem, no dom\u00ednio social: um consiste na relativiza\u00e7\u00e3o dos \u00abbens deste mundo\u00bb; a outra centra-se na justa reparti\u00e7\u00e3o dos bens, de tal modo que a ningu\u00e9m faltem os necess\u00e1rios; e o terceiro tem a ver com a responsabilidade do Estado e de toda a sociedade, para que funcionem ao servi\u00e7o da pessoa humana. Daqui decorrem tr\u00eas linhas de orienta\u00e7\u00e3o espec\u00edficas para a economia: liberdade, regula\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O n.\u00bas 42 e 43 da enc\u00edclica \u00abCentesimus Annus\u00bb sintetizam bem estas orienta\u00e7\u00f5es, embora n\u00e3o refiram expressamente a socializa\u00e7\u00e3o; esta figura na \u00abLaborem Exercens\u00bb e em outros documentos do Magist\u00e9rio, a partir de Jo\u00e3o XXIII na enc\u00edclica \u00abMater et Magistra\u00bb, n.\u00bas 59-67. A socializa\u00e7\u00e3o, neste contexto, n\u00e3o \u00e9 redut\u00edvel a nenhum socialismo, seja ou n\u00e3o marxista; primeiro porque n\u00e3o se caracteriza como um sistema econ\u00f3mico entre outros, mas sim como um quadro orientador; e, depois, porque \u00e9 mais exigente do que todos os socialismos. Na verdade, ela n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel, nomeadamente, com a exclus\u00e3o da livre iniciativa econ\u00f3mica ou da democracia, nem com o capitalismo de Estado ou outras degrada\u00e7\u00f5es de algumas correntes socialistas. <\/p>\n<p>N\u00e3o se pode afirmar que a aplica\u00e7\u00e3o oportuna dos grandes princ\u00edpios da DSI teria evitado a actual crise financeira, uma vez que a imperfei\u00e7\u00e3o acompanha todas as realiza\u00e7\u00f5es humanas. Contudo, pode afirmar-se que a crise n\u00e3o teria resultado da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, de rendimentos e de poder. E pode afirmar-se tamb\u00e9m que as respostas \u00e0 crise seriam diferentes daquelas que se est\u00e3o a verificar at\u00e9 este momento (25.09.08): em vez de as respostas se centrarem nos mercados financeiros, favorecendo prioritariamente os grandes interesses, teriam como centro as actividades econ\u00f3micas, a concerta\u00e7\u00e3o social na procura das melhores solu\u00e7\u00f5es e a preocupa\u00e7\u00e3o de serem beneficiadas prioritariamente as pessoas e fam\u00edlias de menores recursos. N\u00e3o se diga que tudo isto n\u00e3o passa de mera utopia irrealista. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 de notar que os pa\u00edses n\u00f3rdicos j\u00e1 procedem, em geral, deste modo, muito embora ainda fiquem aqu\u00e9m dos imperativos daquela doutrina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-13404","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13404\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}