{"id":13406,"date":"2008-10-09T09:42:00","date_gmt":"2008-10-09T09:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13406"},"modified":"2008-10-09T09:42:00","modified_gmt":"2008-10-09T09:42:00","slug":"dos-efeitos-as-causas-e-destas-aos-remedios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dos-efeitos-as-causas-e-destas-aos-remedios\/","title":{"rendered":"Dos efeitos \u00e0s causas e destas aos rem\u00e9dios"},"content":{"rendered":"<p>Chegou-me h\u00e1 dias, numa das revistas que assino e leio com cuidado, um estudo que pretende dar resposta a uma pergunta inc\u00f3moda, que tamb\u00e9m vinha fazendo: Trata-se de perceber a raz\u00e3o do colapso religioso da B\u00e9lgica crist\u00e3, por muitos s\u00e9culos pioneira em diversos aspectos de renova\u00e7\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica e alfobre rico de espiritualidades consistentes, mormente no campo do laicado. Foi e permanece um modelo democr\u00e1tico conhecido nas rela\u00e7\u00f5es Igreja \u2013 Estado. Regime de separa\u00e7\u00e3o, nem uni\u00e3o, nem alian\u00e7a, uma independ\u00eancia rec\u00edproca, mas reconhecimento e gratid\u00e3o do Estado pelo papel da Igreja em in\u00fameros aspectos da vida social, nomeadamente na educa\u00e7\u00e3o escolar. <\/p>\n<p>Ao longo de quatro d\u00e9cadas a pr\u00e1tica dominical desceu aos 7%, alcan\u00e7ando os 11,5% pelo Natal; os baptismos desceram de 90% para 60%, n\u00e3o obstante o aumento da popula\u00e7\u00e3o emigrante; aumentaram os casamentos civis e os funerais crist\u00e3os passaram de 84% a 65%. Est\u00e3o contados por 208 mil os crist\u00e3os, formados e conscientes, que tornam viva a Igreja na B\u00e9lgica e que, com os seus pastores, tentam, com algum \u00eaxito, novos caminhos de renova\u00e7\u00e3o, a partir de pequenas comunidades vivas e activas. Isto implica um grande desafio para os crist\u00e3os que se traduz na aprendizagem di\u00e1ria de viver em minoria.<\/p>\n<p>Sabemos que a B\u00e9lgica, que tem em Bruxelas a sede da Uni\u00e3o Europeia, se tornou nas \u00faltimas d\u00e9cadas um campo aberto a toda a Europa e mesmo ao mundo da pol\u00edtica, dos neg\u00f3cios e das culturas. Muitas dificuldades internas, que v\u00eam de longe, agudizaram-se no campo pol\u00edtico e civil, num pa\u00eds com duas regi\u00f5es, duas l\u00ednguas, duas culturas, duas tradi\u00e7\u00f5es e uma popula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone envelhecida. <\/p>\n<p>Mas, o que tem sido determinante, assim o dizem os que estudam o fen\u00f3meno, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o que d\u00e1 pelo nome de Centro de Ac\u00e7\u00e3o Laica, cuja ades\u00e3o n\u00e3o vai al\u00e9m de 1%, que exerce uma milit\u00e2ncia destrutiva da estrutura eclesial, p\u00f5e a rid\u00edculo o ser crist\u00e3o, por se tratar, dizem, de algo que cheira a mofo ser pessoa que \u201cainda acredita em alguma coisa\u201d. Trata-se, portanto, de um laicismo organizado e militante, uma \u201cquase-igreja\u201d posta em marcha por laicos anti-clericais, com os seus ritos particulares (!) e grande poder medi\u00e1tico. Pela linguagem e objectivos n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver as ra\u00edzes\u2026<\/p>\n<p>O Gr\u00e3o-Mestre portugu\u00eas do Grande Oriente Lusitano, o ramo mais poderoso da ma\u00e7onaria, dizia numa pequena entrevista ao Correio da Manh\u00e3 (28.09.08) que o grande objectivo \u00e9 agora expandir o Grande Oriente Lusitano, desenvolver mais ac\u00e7\u00f5es de solidariedade social e refor\u00e7ar a presen\u00e7a na sociedade civil. A ac\u00e7\u00e3o, a n\u00edvel de solidariedade social, muito \u00fatil para a ma\u00e7onaria, diz o Gr\u00e3o Mestre,  far-se-\u00e1 atrav\u00e9s de col\u00f3quios, confer\u00eancias, semin\u00e1rios e outras actividades. Assim, tamb\u00e9m, na B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os e respons\u00e1veis eclesi\u00e1sticos n\u00e3o se podem dispensar de uma aten\u00e7\u00e3o cuidada ao que se passa entre n\u00f3s, pois que n\u00e3o h\u00e1 efeitos sem causas e quem n\u00e3o conhece estas n\u00e3o acertar\u00e1 no rem\u00e9dio para os males.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 que negar a ningu\u00e9m o direito de se associar, nem impedir os objectivos de uma associa\u00e7\u00e3o legitimada pela lei, e muito menos cair em ac\u00e7\u00f5es de cruzada. O caminho agora \u00e9 outro. Acabar com distrac\u00e7\u00f5es, ler a realidade com cuidado, apostar no essencial, fazer novas propostas a favor das pessoas, da sua dignidade e de uma sociedade mais humana e justa, empenhar-se em pequenas comunidade vivas e activas e, sobretudo, aprender a viver cada dia numa sociedade plural, onde o ser menos numeroso, pode levar a Igreja a retomar o verdadeiro sentido do caminho evang\u00e9lico. <\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o de f\u00e9 consciente e enraizada, esperan\u00e7a actuante e uni\u00e3o na ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chegou-me h\u00e1 dias, numa das revistas que assino e leio com cuidado, um estudo que pretende dar resposta a uma pergunta inc\u00f3moda, que tamb\u00e9m vinha fazendo: Trata-se de perceber a raz\u00e3o do colapso religioso da B\u00e9lgica crist\u00e3, por muitos s\u00e9culos pioneira em diversos aspectos de renova\u00e7\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica e alfobre rico de espiritualidades consistentes, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-13406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13406"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13406\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}