{"id":1343,"date":"2010-04-28T16:41:00","date_gmt":"2010-04-28T16:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1343"},"modified":"2010-04-28T16:41:00","modified_gmt":"2010-04-28T16:41:00","slug":"vocacao-para-andar-na-ria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vocacao-para-andar-na-ria\/","title":{"rendered":"Voca\u00e7\u00e3o para andar na Ria"},"content":{"rendered":"<p>Foi no Domingo passado. Concluiu-se mais uma semana de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 um tema que me toca sempre. Desde pequeno \u00e9 reflex\u00e3o que fa\u00e7o, quase todos os dias. O que quero da vida? O que quer Deus que eu fa\u00e7a da vida? Vou caminhando conforme sinto que Deus sopra.<\/p>\n<p>Se olhar mais para longe, n\u00e3o para a minha voca\u00e7\u00e3o ou a deste ou daquele, sinto outras preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi no Domingo passado, dizia eu. O sacerdote proclamava na sua comunica\u00e7\u00e3o semanal mais importante, a homilia, que Jesus Cristo n\u00e3o era de se trazer por casa, dentro de portas, nem sequer no templo, muito menos durante uma hora por semana.<\/p>\n<p>Mas de facto, por vezes somos assim crist\u00e3os envergonhados, ou talvez nem seja isso, somos des-incomodados.<\/p>\n<p>Ser crist\u00e3o incomoda. D\u00e1 trabalho. Obriga-nos \u00e0 coer\u00eancia do quotidiano, \u00e0 bondade, \u00e0 protec\u00e7\u00e3o dos que mais necessitam, obriga-nos ao sentido de justi\u00e7a, aquela justi\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 a do nosso olhar, a da nossa perspectiva, mas a da comunidade, do movimento, par\u00f3quia, partido pol\u00edtico, associa\u00e7\u00e3o, local de trabalho, fam\u00edlia.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o atirar pedras aos pecadores. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil reagir sem atirar pedras quando elas nos s\u00e3o arremessadas a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ser crist\u00e3o incomoda. D\u00e1 trabalho. No dia em que tamb\u00e9m se celebrou a Liberdade (25 de Abril) perceber que a Liberdade n\u00e3o abunda na casa do mais pobre e cada vez s\u00e3o mais os que sofrem priva\u00e7\u00f5es do nosso sistema econ\u00f3mico. <\/p>\n<p>Que cada vez mais se pode falar menos. Nunca tantas opini\u00f5es foram dadas, mas nunca t\u00e3o pouco se ouviu. Nunca tanta liberdade houve, mas nunca como agora quase n\u00e3o se pode falar contra a corrente nos locais de trabalho, nos partidos pol\u00edticos, nas escolas, nos grupos&#8230;<\/p>\n<p>Temos de confiar na nossa voca\u00e7\u00e3o, \u00e0quilo a que somos chamados: ser no mundo signific\u00e2ncia, sem nos perdermos  no caminho a que as pedras grandes obrigam o rio a contornar.<\/p>\n<p>Temos de ser sinal, humano e com limita\u00e7\u00f5es, \u00e9 certo, de coragem e rectid\u00e3o, com a consci\u00eancia de que estes sem honradez pouco valem.<\/p>\n<p>Temos de ser voz e exemplo, de ser Igreja que acolhe o homem e a mulher por igual, que grita pelos exclu\u00eddos e que n\u00e3o exclui ningu\u00e9m, muito menos quem mais necessita do P\u00e3o, que denuncia a injusti\u00e7a e pratica o equil\u00edbrio. <\/p>\n<p>\u00c9 por este caminho que a Igreja ser\u00e1 sempre farol. De outro modo, ficaremos a falar sozinhos e sempre \u00e0 procura da voca\u00e7\u00e3o de sacristia, porque l\u00e1 fora dir-se-\u00e1 mal da Igreja e dos crist\u00e3os, seja isso com conhecimento de causa ou a mais pura e laicista ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo andar na Rua, ser, a exemplo do Mestre, a voz doce que incomoda e desinstala, e no fim de contas&#8230; marca o ritmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no Domingo passado. Concluiu-se mais uma semana de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es. \u00c9 um tema que me toca sempre. Desde pequeno \u00e9 reflex\u00e3o que fa\u00e7o, quase todos os dias. O que quero da vida? O que quer Deus que eu fa\u00e7a da vida? Vou caminhando conforme sinto que Deus sopra. Se olhar mais para longe, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-1343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1343"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1343\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}