{"id":13439,"date":"2008-10-15T16:11:00","date_gmt":"2008-10-15T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13439"},"modified":"2008-10-15T16:11:00","modified_gmt":"2008-10-15T16:11:00","slug":"adeus-marx-adeus-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/adeus-marx-adeus-capital\/","title":{"rendered":"Adeus Marx, adeus capital"},"content":{"rendered":"<p>A economia est\u00e1 na ordem da hora. Reparem nos rel\u00f3gios, nos ecr\u00e3s, na histeria dos espect\u00e1culos bolseiros, nos sinais, na pressa, na subida, na descida, no sentimento positivo ou negativo. Tudo se passa como um rel\u00e2mpago, come\u00e7ando em Wall Street e passando por Londres, T\u00f3quio, Madrid ou Lisboa. E chega \u00e0 nossa porta. Ao nosso bolso. N\u00e3o cont\u00e1vamos com isto. Pelo menos para j\u00e1. Neste novo mil\u00e9nio tivemos o 11 de Setembro, os arredores de Paris a arder, atentados no Iraque e Afeganist\u00e3o, amea\u00e7as nucleares nalguns pa\u00edses, \u00c1frica por vezes a emergir, outras com a pobreza no pico mais alto, os barris de petr\u00f3leo a fazerem rolar os pain\u00e9is nas bombas de gasolina, nas viagens de qualquer tipo, no pre\u00e7o do p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>Diremos simplesmente que as leis s\u00e3o mais fortes que as vontades e as vontades que criam leis de justi\u00e7a ou injusti\u00e7a n\u00e3o mudaram. Vivemos a convuls\u00e3o do \u201cj\u00e1 e ainda n\u00e3o\u201d, com os grandes do mundo mais assustados que os pobres, pois as suas perdas s\u00e3o mais arrasadoras que as perdas do cidad\u00e3o comum. Mas as ast\u00facias ganham cidadania. O dinheiro \u00e9 jogo, especula\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a, retrac\u00e7\u00e3o, bluf, enganos cont\u00ednuos para que a ilus\u00e3o seja impulsionadora de neg\u00f3cio e o boato determine novas formas de lucro. Os poderes p\u00fablicos j\u00e1 se sentiram ultrapassados. Uma esp\u00e9cie de terrorismo econ\u00f3mico tornou-se determinante no xadrez de troca de capitais e bens \u2013 m\u00f3veis ou im\u00f3veis \u2013 que nos leva a sentir-nos em estado de emerg\u00eancia e d\u00favida econ\u00f3mica sistem\u00e1tica, decretada pelos pres-tidigitadores da moeda, dos juros, dos lucros, das subidas e descidas das ac\u00e7\u00f5es como roleta constitutiva do nosso sistema econ\u00f3mico. Adeus Marx, adeus capital.<\/p>\n<p>Nesta mat\u00e9ria mentir n\u00e3o \u00e9 bom. Mas dizer a verdade toda pode ser arriscado. Pode gerar efeito domin\u00f3. Cada qual lan\u00e7a ou paralisa o seu investimento, o pequeno ou grande sinal de compra e venda, e abre uma caixa surpreendente de consequ\u00eancias. Bento XVI na abertura do S\u00ednodo referiu-se a esta crise como reveladora da \u201cfutilidade da corrida ao dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se vislumbra, no momento em que escrevo, sa\u00edda para este estado de crise. Mas nem por isso podem ficar de fora as atitudes \u00e9ticas no pequeno e grande mercado, nos neg\u00f3cios onde o ser humano est\u00e1 no centro e o mais fr\u00e1gil merece o maior respeito. A Igreja reafirma hoje mais veementemente a sua doutrina social, sejam quais forem os novos meios e t\u00e9cnicas em que se envolva o trabalho humano. O trabalho continua a ser um direito e um dever de todos, na continuidade da cria\u00e7\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o com o capital, no t\u00edtulo de participa\u00e7\u00e3o de todos, nas obriga\u00e7\u00f5es do Estado, no mundo agr\u00edcola e industrial, no mundo universo migrat\u00f3rio, nos direitos da mulher, na remunera\u00e7\u00e3o equitativa, na distribui\u00e7\u00e3o dos rendimentos, nas novas formas de solidariedade e nas surpresas constantes da org\u00e2nica do mundo laboral. O ser humano \u00e9 o mesmo. E continua indiscut\u00edvel a frase de Cardijn: as coisas t\u00eam pre\u00e7o, os homens t\u00eam dignidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia est\u00e1 na ordem da hora. Reparem nos rel\u00f3gios, nos ecr\u00e3s, na histeria dos espect\u00e1culos bolseiros, nos sinais, na pressa, na subida, na descida, no sentimento positivo ou negativo. 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