{"id":13444,"date":"2008-10-15T16:20:00","date_gmt":"2008-10-15T16:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13444"},"modified":"2008-10-15T16:20:00","modified_gmt":"2008-10-15T16:20:00","slug":"direito-e-dever-de-colaborar-e-respeitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/direito-e-dever-de-colaborar-e-respeitar\/","title":{"rendered":"Direito e dever de colaborar e respeitar"},"content":{"rendered":"<p>Sartre dizia, na sua vis\u00e3o da vida e das rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais, que \u201co inferno s\u00e3o os outros\u201d. H\u00e1 gente entre n\u00f3s, por si e pelos movimentos que representa ou apoia, que quer impor ao pa\u00eds, ante os problemas graves que surgem numa sociedade plural que n\u00e3o se compadecem com uma leitura, \u00e9tica e culturalmente un\u00edvoca, que a Igreja e quem n\u00e3o pensa segundo a \u201cclave progressista e laica\u201d de alguns, s\u00e3o agora o inferno dos pol\u00edticos, apresados e dogm\u00e1ticos, que tudo querem resolver por for\u00e7a das maiorias em campo. <\/p>\n<p>Assim se esconjuram e difamam, por todos os meios, esses cr\u00edticos inc\u00f3modos que \u00e9 preciso calar, se poss\u00edvel por caminhos legais, ou ir impedindo que usufruam do lugar a que ainda t\u00eam direito, na mesma pra\u00e7a p\u00fablica, onde se pode ver quem s\u00e3o os verdadeiros democratas e qual o estilo de democracia praticado por gente que o diz ser.<\/p>\n<p>Reconhecemos e afirmamos o leg\u00edtimo lugar de cidadania de diversas confiss\u00f5es religiosas sediadas no pa\u00eds, e o direito \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o, legalmente legitimada. A Igreja Cat\u00f3lica, por\u00e9m, por muitos pol\u00edticos a mais atacada e desconsiderada por ser a mais inc\u00f3moda presen\u00e7a actuante, merece, frente aos problemas que se levantam cada dia no pa\u00eds e sobre os quais sente ela o direito e o dever de intervir, uma reflex\u00e3o especial e cuidada, pois tamb\u00e9m a\u00ed tocam as exig\u00eancias de um Estado de direito. <\/p>\n<p>Pela ac\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e realidade actual, apoiadas em actos concretos de grande servi\u00e7o \u00e0 comunidade, e pelo acordo internacional, assinado, por justificadas raz\u00f5es, entre a Igreja e o Estado, no qual se estabelece uma rela\u00e7\u00e3o p\u00fablica de colabora\u00e7\u00e3o leal e de coopera\u00e7\u00e3o respeitosa, a Igreja n\u00e3o pode ser tratada pelos pol\u00edticos oficiais, no governo ou na oposi\u00e7\u00e3o, como institui\u00e7\u00e3o impertinente ou indesej\u00e1vel, quando usa do seu direito de interven\u00e7\u00e3o e age, legitimamente, no campo da sua miss\u00e3o e compet\u00eancia. <\/p>\n<p>Ignorar a hist\u00f3ria, desprezar a realidade, fazer t\u00e1bua rasa de acordos leg\u00edtimos existentes n\u00e3o se pode considerar atitude sensata, nem ac\u00e7\u00e3o positiva, por parte de quem deve intervir, publicamente e por of\u00edcio, na consecu\u00e7\u00e3o do bem comum da comunidade e no manter do respeito devido aos cidad\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es, que operam na vida da sociedade.<\/p>\n<p>Os preconceitos servem sempre para confundir e atacar, quando a ideologia \u00e9 redutora, o campo de vis\u00e3o cultural limitado e os interesses imperam. O verdadeiro pluralismo e o regime de separa\u00e7\u00e3o legalmente acordado n\u00e3o passam por esses caminhos. S\u00e3o formas de construir, n\u00e3o de marginalizar, minimizar ou destruir.<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es abertas entre a Igreja e o Estado, e \u00e9 como tal que est\u00e3o reguladas em Portugal por acordo, a Igreja respeita a autonomia e independ\u00eancia do Estado; este reconhece a liberdade e independ\u00eancia da Igreja; a m\u00fatua coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 regra de ac\u00e7\u00e3o, e a primazia da pessoa humana, na sua integridade, \u00e9 o principio orientador comum. <\/p>\n<p>Tudo isto, traduzido na pr\u00e1tica de uma normal conviv\u00eancia e ac\u00e7\u00e3o respeitosa, n\u00e3o d\u00e1, nem pode dar lugar a lutas ou desconfian\u00e7as. Por isso, deve imperar o di\u00e1logo construtivo, a partilha serena dos valores pr\u00f3prios ante os problemas em causa, mormente quando s\u00e3o problemas que tocam em direitos fundamentais das pessoas e institui\u00e7\u00f5es que as apoiam, como a fam\u00edlia, a escola, a sa\u00fade e o bem estar moral. <\/p>\n<p> Ora, em tudo isto, o lugar de interven\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 na pra\u00e7a p\u00fablica e n\u00e3o apenas no interior do templo, como pretendem alguns grupos laicos.<\/p>\n<p>O Estado, como os cidad\u00e3os, n\u00e3o t\u00eam que ter medo da Igreja. Pelo contr\u00e1rio. Tamb\u00e9m esta n\u00e3o tem que desconfiar do Estado, nem minimizar a sua ac\u00e7\u00e3o, reconhecendo a complexidade dos muitos problemas a enfrentar. Quando os respons\u00e1veis lutam pelos interesses de todos h\u00e1 que reconhecer que, por vezes, n\u00e3o se pode ir al\u00e9m do bem poss\u00edvel, que acaba por ser o mal menor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sartre dizia, na sua vis\u00e3o da vida e das rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais, que \u201co inferno s\u00e3o os outros\u201d. 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