{"id":13472,"date":"2008-10-23T11:32:00","date_gmt":"2008-10-23T11:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13472"},"modified":"2008-10-23T11:32:00","modified_gmt":"2008-10-23T11:32:00","slug":"dona-amelia-uma-vida-radiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dona-amelia-uma-vida-radiosa\/","title":{"rendered":"Dona Am\u00e9lia, uma vida radiosa"},"content":{"rendered":"<p>(31 Julho 1910 &#8211; 13 de Putubro 2008) <!--more--> 1. A Dona Am\u00e9lia &#8211; n\u00e3o a posso tratar com intimidade, contudo a aproxima\u00e7\u00e3o entre almas que se encontram dispensa alguma formalidade \u2013 era uma pessoa radiosa. Com ela tive v\u00e1rios encontros, infelizmente poucos, para aliviar a aridez da alma. Cada encontro, um b\u00e1lsamo exigente. Encontros por solicita\u00e7\u00e3o do \u201cpadre dispon\u00edvel para atender a D. Am\u00e9lia&#8230;\u201d, e quando me coube ser recebido por ela, tudo era afabilidade. Depois de me afastar da sua presen\u00e7a, sei que ficava sempre pensativo. S\u00e3o poucas as pessoas que nos fazem pensar com suavidade e profundidade. Por norma temos uma sem a outra. Nela eram insepar\u00e1veis. Meditava na s\u00e3 alegria; na pureza de cora\u00e7\u00e3o, por ter um s\u00f3 desejo; na fidelidade a uma miss\u00e3o (segredo da f\u00e9 verdadeira) exigente; na resili\u00eancia diante das limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas; na sagacidade diante dos dissabores da vida; na austeridade perante os modismos, passados e presentes; eram alguns dos pensamentos que me alimentam depois desses encontros radiosos. Sabedoria amassada e condensada pela Vida, n\u00e3o havia melhor para a educa\u00e7\u00e3o da alma e do corpo, em perfeita harmonia. Um lugar para cada sentimento, um sentimento em cada hist\u00f3ria. Agora permanecem como medita\u00e7\u00f5es intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p>A 16 de Julho de 2007 deu-se um desses encontros, em que conversei mais tempo. Conversar era saber ouvir sem olhar o rel\u00f3gio. Com a D. Am\u00e9lia isso era muito gostoso. Nesse encontro, que n\u00e3o esque\u00e7o, deu-me cinco fotoc\u00f3pias. Em jeito de p\u00e9rolas autobiogr\u00e1ficas, transcritas por um ouvido confidente. Duas manuscritas e tr\u00eas digitadas. Guardo \u201cisso\u201d como um tesouro. \u00c9 desse tesouro que resumo e releio, partilhando o que o cora\u00e7\u00e3o ousa abrir.<\/p>\n<p>\u00a02. \u201cAos dias 31 de Julho de 1910 nasceu em Vila Chapadinha Am\u00e9lia Carneiro de Almeida, filha de Joaquim Cirilo de Almeida e Elisa Carneiro de Almeida. Viveu muito feliz at\u00e9 aos seus 7 anos de idade\u201d. Com a idade de sete anos faleceu a sua m\u00e3e. Foi criada com os irm\u00e3os Antenor Carneiro e Pedro Carneiro, pelo pai e madrasta. Come\u00e7ou logo a estudar de 1917 a 1923. Continua o texto dizendo que a juventude foi um \u201cper\u00edodo maravilhoso\u201d. \u201cConta ela que com a sua melhor amiga, Cota, eram muito cobi\u00e7adas pelos rapazes, mas sempre respondia com um n\u00e3o nas cartinhas que recebia\u201d. O namoro, os divertimentos, e a viv\u00eancia da sexualidade\/afectividade, tudo era \u201ccom muito respeito\u201d. \u201cDona Am\u00e9lia namorou Raimundo Tiago de Almeida, seu primo e o seu 1.\u00ba e \u00fanico namorado. Casaram-se no dia 18 de Julho de 1931 (&#8230;). Padre Eurico de Freitas celebrou seu casamento, e no civil o Juiz Tu\u00edca\u201d. Teve como filhos biol\u00f3gicos Ant\u00f3nio Cleves e Francisco Florismar, mais tarde adoptou, Maria Jos\u00e9, com 3 dias de nascida, filha biol\u00f3gica de sua irm\u00e3 Francisca Garreto de Almeida Monteles. \u201cNo ano de 1937 fundou a sua escola particular, chamada Am\u00e9lia Almeida, a \u00fanica da regi\u00e3o\u201d. Ensinou sempre sem parar. E \u201csomente aos 95 anos deixa a sala de aula\u201d.<\/p>\n<p>E ainda nos recorda dados precisos sobre a fam\u00edlia: \u201cAo todo \u00e9ramos 26 irm\u00e3os. Do primeiro matrim\u00f3nio eram 11, do segundo 3, do terceiro 12. Do primeiro n\u00e3o existe mais nenhum, do segundo s\u00f3 existo eu, do terceiro existem 7. Que saudades deixaram no nosso cora\u00e7\u00e3o\u201d. E brotam mais confid\u00eancias not\u00e1veis: \u201cEu sempre tenho na lembran\u00e7a quando \u00e9ramos pequenos. Quando est\u00e1vamos no Baix\u00e3o ao amanhecer o dia, meu pai dizia assim: &#8211; Meus filhos, v\u00e3o para o curral tomar leite mugido. N\u00f3s \u00edamos\u201d. E com a alma dolorida, integrando a perda, acrescenta: \u201cQuando era cinco horas ele chamava \u00abAm\u00e9lia, minha filha, levanta para fazer meu caf\u00e9!&#8230;\u00bb Meu Deus, eu n\u00e3o quero chorar n\u00e3o! Mas qual o qu\u00ea, tenho que chorar, com saudades do meu pai e dos meus irm\u00e3os que j\u00e1 se foram!\u201d \u00c9 Am\u00e9lia Almeida quem fala, em 28\/01\/2006.<\/p>\n<p>\u00a03. N\u00f3s, contempor\u00e2neos de Dona Am\u00e9lia, celebramos com ela viva em corpo, em 29 de Mar\u00e7o de 2008, 70 anos do anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o da Cidade de Chapadinha, no nosso Munic\u00edpio. Hoje [14 de Outubro de 2008], ao cantar para ela o Hino da Cidade, celebramos a morte de Algu\u00e9m maior que a pr\u00f3pria Terra em que vivia. A \u201creserva moral\u201d deixou de estar fisicamente. Mas a \u201creserva moral\u201d \u00e9 for\u00e7a espiritual eterna. Ela continua viva em esp\u00edrito. \u00c9 o sil\u00eancio. \u00c9 a dor. \u00c9 a saudade. \u00c9 a ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 todos os dias. Temos que estar agradecidos pela sua Vida e Miss\u00e3o. A sua F\u00e9 ajuda-nos a compreender que todos somos uma mistura d\u2019 \u201cO Recebido\u201d, d\u2019 \u201co Constru\u00eddo\u201d e d\u2019\u201do Escrutado\u201d. Recebemos um sal\u00e1rio; recebemos uma educa\u00e7\u00e3o; recebemos um diploma ou uma medalha; recebemos um N\u00c3O; recebemos uma heran\u00e7a familiar e cultural. Recebemos muito e por isso devemos dar TUDO, o que temos e somos. Constru\u00edmos a Justi\u00e7a e Ternura, constru\u00edmos a Guerra, os Sonhos, as Dores e os Amores. O nosso conhecimento do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior constru\u00e7\u00e3o. Constru\u00edmos muito e por isso devemos saber que, fora de Deus, NADA do que constru\u00edmos, ser\u00e1 lembrado para SEMPRE. Escrutamos, aqui infelizmente, escrutamos pouco (a maioria, talvez, pouqu\u00edssimo). Essa \u00e9 a li\u00e7\u00e3o radiosa de D. AM\u00c9LIA, ela ensinou-me  a escrutar. \u201cO escrutado\u201d como o exerc\u00edcio vital, sobretudo, do-ser-padre. Quando pedia a minha b\u00ean\u00e7\u00e3o agarrava-lhe a m\u00e3o e beijava-as quase em simult\u00e2neo. Escrutar como \u201cvoltar atr\u00e1s\u201d. De onde venho? Para onde vou? Sabia com claridade isso, da Origem e do Fim. Escrutar \u00e9 dif\u00edcil. \u00c9 preciso escrut\u00e1-Lo, como o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, saber que Ele nos Sonda. Agradecido e agraciado pela sua vida simples, exigente e radiosa. A sua b\u00ean\u00e7\u00e3o celestial, D. Am\u00e9lia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(31 Julho 1910 &#8211; 13 de Putubro 2008)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-13472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}