{"id":13474,"date":"2008-10-23T11:35:00","date_gmt":"2008-10-23T11:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13474"},"modified":"2008-10-23T11:35:00","modified_gmt":"2008-10-23T11:35:00","slug":"crise-anunciada-sem-anuncio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crise-anunciada-sem-anuncio\/","title":{"rendered":"Crise anunciada&#8230; sem an\u00fancio"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A crise financeira actual foi claramente anunciada, mas sem an\u00fancios claros: depois da \u00abgrande guerra\u00bb 39-45, ocorreu o per\u00edodo designado por os \u00abgloriosos trinta anos\u00bb, caracterizados pelo crescimento econ\u00f3mico e social, sobretudo nos pa\u00edses democr\u00e1ticos do Ocidente; esse per\u00edodo terminou nos anos setenta, devido a factores diversos, entre os quais se inserem os \u00abchoques petrol\u00edferos\u00bb e, mais profundamente, a insustentabilidade do modelo econ\u00f3mico e social; os trinta anos subsequentes podem caracterizar-se pelas incertezas do crescimento econ\u00f3mico e pelo ascendente do poder financeiro. Nos primeiros trinta anos, prevaleceram, aparentemente, a social-democracia e a democracia crist\u00e3; nos \u00faltimos trinta, prevaleceram notoriamente a competitividade e as desigualdades sem limites.<\/p>\n<p>A competitividade sem limites ocorreu em quase todos os dom\u00ednios econ\u00f3mico-sociais: entre \u00abcapital e trabalho\u00bb; entre  sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es empregadoras; entre sindicatos com orienta\u00e7\u00f5es diferentes; entre organiza\u00e7\u00f5es empregadoras, tamb\u00e9m com diferentes orienta\u00e7\u00f5es; entre \u00abdirigentes e dirigidos\u00bb, dentro das empresas e de outras organiza\u00e7\u00f5es; entre empresas, entre trabalhadores; entre governos e oposi\u00e7\u00f5es; entre pa\u00edses&#8230; N\u00e3o tir\u00e1mos as devidas ila\u00e7\u00f5es das trag\u00e9dias totalit\u00e1rias do s\u00e9culo XX: os antagonismos prevalecem como outrora; o manique\u00edsmo \u00abpuro e duro\u00bb est\u00e1 bem presente em toda a parte; os fundamentalismos continuam a afirmar-se com todo o seu dogmatismo; em geral, as for\u00e7as pol\u00edticas e sociais n\u00e3o apresentam propostas cred\u00edveis, e op\u00f5em-se entre si  como se fossem detentoras da verdade solucionadora de todos os problemas.<\/p>\n<p>Sem pessimismo, podemos afirmar que as for\u00e7as pol\u00edticas e sociais dominantes est\u00e3o preparadas para repetir as trag\u00e9dias totalit\u00e1rias do s\u00e9culo passado, e para dar continuidade \u00e0s modalidades de opress\u00e3o e de concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e de rendimentos que marcaram todos os per\u00edodos hist\u00f3ricos. Em termos previsionais, o que se pode afirmar \u00e9 que prosseguir\u00e3o os conflitos favor\u00e1veis aos vencedores poderosos, a par da incapacidade para a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, da exclus\u00e3o e da opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, o potencial de esperan\u00e7a encontra-se em todas as organiza\u00e7\u00f5es, partidos e movimentos que procuram em cada momento as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, sem perderem de vista os objectivos de longo prazo, a alcan\u00e7ar por vias pac\u00edficas. Mas, fundamentalmente, encontra-se nas pessoas em geral, nos trabalhadores, nos empres\u00e1rios, nos trabalhadores-empres\u00e1rios e no sindicalismo de base que lutam diariamente pela subsist\u00eancia e pela dignidade. Bom seria &#8211; e \u00e9 indispens\u00e1vel &#8211; que as diferentes organiza\u00e7\u00f5es, partidos e movimentos se centrassem cada vez mais nestas pessoas, particularmente nas mais pobres, e cada vez menos na destrui\u00e7\u00e3o de advers\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-13474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13474\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}