{"id":13505,"date":"2008-10-30T12:14:00","date_gmt":"2008-10-30T12:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13505"},"modified":"2008-10-30T12:14:00","modified_gmt":"2008-10-30T12:14:00","slug":"mestre-carpinteiro-constroi-em-fibra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mestre-carpinteiro-constroi-em-fibra\/","title":{"rendered":"Mestre carpinteiro constr\u00f3i em fibra"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Conde, mestre carpinteiroda Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o est\u00e1 a construir um moliceiro em tudo igual aos outros&#8230; s\u00f3 que&#8230;. de fibra<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Conde \u00e9 um mestre carpinteiro naval, com estaleiro artesanal na Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 a inovar a constru\u00e7\u00e3o de barcos tradicionais da Ria de Aveiro e da costa aveirense com a substitui\u00e7\u00e3o da madeira por fibra.<\/p>\n<p>No estaleiro de Ant\u00f3nio Conde ganha corpo o primeiro barco moliceiro em fibra, tal como da\u00ed tamb\u00e9m saiu o primeiro barco da arte x\u00e1vega feito em fibra, mas segundo os moldes tradicionais, ou seja como os barcos em madeira que este mestre carpinteiro construiu durante d\u00e9cadas. A estes, junta as \u201cchatas\u201d para a pesca artesanal na ria e barcos motoras para a pesca costeira destinados \u00e0 Figueira da Foz.<\/p>\n<p>O primeiro barco moliceiro feito em fibra ter\u00e1 dez metros de comprimento, pelo que tamb\u00e9m \u00e9 designado por \u201cbarco moliceiro de meia mar\u00e9\u201d (por levar metade da carga de um moliceiro normal). Ant\u00f3nio Conde afirma que esse barco ficar\u00e1 \u201cexactamente igual ao barco em madeira\u201d, porque ir\u00e1 fazer ao pormenor as cavernas, a proa, a popa, o leme. No final, \u201cficar\u00e1 igualzinho a um moliceiro em madeira, tanto por dentro como por fora, incluindo com a tosta de virar (bico da proa que vira para baixo, para poder passar debaixo das pontes) e os pain\u00e9is coloridos\u201d, afian\u00e7a o construtor naval.<\/p>\n<p>Este barco moliceiro, o primeiro do g\u00e9nero constru\u00eddo em fibra, ter\u00e1 por destino o servi\u00e7o tur\u00edstico. Ant\u00f3nio Conde tamb\u00e9m fez o primeiro t\u00edpico barco \u201cmeia lua\u201d (da pesca com arte x\u00e1vega), o qual j\u00e1 se encontra operacional na Praia de Mira, tendo sido considerado o melhor barco da costa aveirense.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pela fibra foi motivada por quest\u00f5es pr\u00e1ticas, como sublinha Ant\u00f3nio Conde: \u201cA fibra chega em latas de 20 ou de 5 quilos, enquanto a madeira implica usar toros com quinze metros de comprimento, o que \u00e9 dif\u00edcil de transportar\u201d. Para construir o barco, este mestre carpinteiro fez uma arma\u00e7\u00e3o em madeira, que primeiro \u00e9 forrada por dentro. \u201cS\u00f3 depois \u00e9 que \u00e9 fibrado como se fosse num molde normal\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Conde fez in\u00fameros barcos moliceiros, da x\u00e1vega e outros tamb\u00e9m tradicionais da ria, em madeira. Este construtor naval, em parceria com o Clube de Vela da Costa Nova, tentou construir um \u201c\u00edlhava\u201d, barco extinto da ria h\u00e1 cerca de um s\u00e9culo. O projecto abortou por falta de documenta\u00e7\u00e3o (fotogr\u00e1fica ou gr\u00e1fica, da \u00e9poca) com os detalhes vis\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cNasci a fazer barcos\u201d<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Conde recorda que  nasceu a fazer barcos. \u201cCom sete anos e meio j\u00e1 estava a fazer barcos com o meu pai. O meu pai fez muitos moliceiros e era o \u2018rei\u2019 dos barcos da arte x\u00e1vega. Nesse tempo, faz\u00edamos barcos da x\u00e1vega para as companhas que operavam desde Espinho at\u00e9 \u00e0 Praia de Mira\u201d, diz.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o vem ainda de mais longe, porque j\u00e1 os seus antepas-sados eram carpinteiros navais, na zona de Salreu, \u201carte\u201d tamb\u00e9m seguida por outros elementos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O gosto pelo inovar \u00e9 outra tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de Ant\u00f3nio Conde. O seu pai, tamb\u00e9m de nome Ant\u00f3nio Conde, introduziu na ria as lanchas tipo \u201cMississipi\u201d (accionados por \u201crodas\u201d, por a \u00e1gua do Canal de Mira ser muito baixa) que fizeram o transporte de passageiros entre a Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o, e a Costa Nova.<\/p>\n<p>Essas lanchas funcionaram du-rante alguns anos, at\u00e9 que os v\u00e1rios barqueiros acabaram com a empresa de transporte, de que eram s\u00f3cios. A partir da\u00ed, regressaram as tradicionais \u201cbarcas\u201d (como a que ainda existe na \u201cBruxa\u201d). Ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Barra s\u00f3 uma \u201cbarca\u201dse manteve operacional.<\/p>\n<p>\u201cMoliceiros\u201d e \u201cmatolas\u201d<\/p>\n<p>Os barcos matolas s\u00e3o uma esp\u00e9cie de barcos moliceiros, habitualmente pintados de escuro (breu), ligeiramente mais pequenos que os moliceiros tradicionais, e constru\u00eddos quase sempre em Seixo de Mira. Navegam no Rio Boco e, como t\u00eam que passar por baixo das pontes de \u00cdlhavo, Vista Alegre e Vagos, t\u00eam as proas mais baixas.<\/p>\n<p>O barco moliceiro tradicional tem 15,5 metros de comprimento. Havia alguns mais pequenos, que eram os de \u201ctr\u00eas quartos\u201d e o de \u201cmeia mar\u00e9\u201d. Ant\u00f3nio Conde explica: \u201cO barco grande levava uma mar\u00e9 inteira de moli\u00e7o. O outro, levava tr\u00eas quartos da mar\u00e9 e o pequeno s\u00f3 levava meia mar\u00e9, porque nesse tempo o moli\u00e7o era vendido por \u2018mar\u00e9\u2019, que era a medida ent\u00e3o usada\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Conde, mestre carpinteiroda Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o est\u00e1 a construir um moliceiro em tudo igual aos outros&#8230; s\u00f3 que&#8230;. de fibra Ant\u00f3nio Conde \u00e9 um mestre carpinteiro naval, com estaleiro artesanal na Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 a inovar a constru\u00e7\u00e3o de barcos tradicionais da Ria de Aveiro e da costa aveirense com a substitui\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-13505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}