{"id":13507,"date":"2008-10-30T12:18:00","date_gmt":"2008-10-30T12:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13507"},"modified":"2008-10-30T12:18:00","modified_gmt":"2008-10-30T12:18:00","slug":"museu-que-aveiro-recusou-vai-ser-entregue-a-fundacao-mario-soares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/museu-que-aveiro-recusou-vai-ser-entregue-a-fundacao-mario-soares\/","title":{"rendered":"Museu que Aveiro recusou vai ser entregue \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares adquiriu o conjunto de objectos e imagens da Primeira Rep\u00fablica que esteve em Aveiro at\u00e9 2006, sem nunca ter sido exposto como tinha sido acordado com o doador<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares vai assinar amanh\u00e3 (30 de Outubro), em Lisboa, com Ant\u00f3nio Pedro Vicente, um protocolo de recep\u00e7\u00e3o do esp\u00f3lio que chegou a ser doado \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Aveiro (CMA) para constituir o Museu da Rep\u00fablica \/ Arlindo Vicente.<\/p>\n<p>O caso remonta a 1993, quando Ant\u00f3nio Pedro Vicente, professor catedr\u00e1tico de Hist\u00f3ria da Universidade Nova (Lisboa), especialista no regime iniciado a 5 de Outubro de 1910, quis entregar a Aveiro um conjunto de pe\u00e7as sobre os fins da monarquia e a Primeira Rep\u00fablica (1910-1926). O historiador \u00e9 filho de Arlindo Vicente (1906-1977), advogado e pintor nascido no Troviscal (Oliveira do Bairro), que foi designado candidato \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 1958, mas desistiu em favor de Humberto Delgado.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Pedro Vicente queria com a oferta gratuita da colec\u00e7\u00e3o homenagear a figura do seu pai, que foi advogado de oposicionistas ao Estado Novo e esteve v\u00e1rios meses preso, acusado \u2013 sem provas \u2013 de actos subversivos. \u201cA cidade de Aveiro n\u00e3o tem nem uma pedra da cal\u00e7ada com o nome do meu pai. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o que eu punha na oferta que fiz \u00e0 cidade era que desse o nome do meu pai a esse museu\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Aveiro aceitou o esp\u00f3lio, ainda no tempo de Gir\u00e3o Pereira, e gastou alguns milhares de euros na conserva\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as, durante os executivos de Alberto Souto de Miranda, mas nada fez quanto ao que estava protocolado. Passados 13 anos, em 2006, j\u00e1 com \u00c9lio Maia, a CMA devolveu o esp\u00f3lio, \u201cde forma a n\u00e3o defraudar as expectativas\u201d, alegando \u201cfalta de condi\u00e7\u00f5es financeiras para manter a colec\u00e7\u00e3o\u201d, como se pode ler no contrato de resolu\u00e7\u00e3o (de 21 de Setembro de 2006).<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Pedro Vicente, ao Correio do Vouga, mostrou-se \u201cmagoad\u00edssimo\u201d ao recordar o processo e considera que a C\u00e2mara de Aveiro \u201cperdeu uma grande oportunidade de ter um museu tem\u00e1tico\u201d, \u201c\u00fanico no pa\u00eds\u201d, tanto mais que se aproximam os 100 anos da implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. O historiador compreende as restri\u00e7\u00f5es financeiras da C\u00e2mara, mas lamenta a falta de vis\u00e3o dos respons\u00e1veis dos v\u00e1rios executivos, tanto mais que j\u00e1 havia o consentimento do Estado para que a biblioteca pessoal de Carlos Ferr\u00e3o, jornalista, integrasse o Museu da Rep\u00fablica. Tamb\u00e9m a fam\u00edlia de Raul Rego, director do di\u00e1rio \u201cRep\u00fablica\u201d, havia concordado em doar objectos deste opositor ao regime e destacado ma\u00e7on.<\/p>\n<p>Milhares de objectos<\/p>\n<p>O esp\u00f3lio que agora vai ser entregue \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares, reunido ao longo de d\u00e9cadas por Ant\u00f3nio Pedro Vicente, \u00e9 constitu\u00eddo por uns milhares de objectos com imagens relativas \u00e0 Rep\u00fablica, desde cartazes (alguns s\u00e3o das primeiras revoltas antimon\u00e1rquicas, ainda no s\u00e9c. XIX), postais (mais de 600), l\u00e1pis, cinzeiros, pratos, duas dezenas de \u201cbustos da Rep\u00fablica\u201d, at\u00e9 caixas de bolachas e len\u00e7os de seda com imagens republicanas. O invent\u00e1rio ocupa 30 p\u00e1ginas. \u201cAveiro perdeu milh\u00f5es\u201d, afirma Pedro Vicente, referindo-se \u00e0 poss\u00edvel rentabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Solicitado a comentar a entrega do esp\u00f3lio \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares, o vereador da Cultura da CMA disse que \u201co munic\u00edpio n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de assegurar o que era exigido\u201d. \u201cEm vez de adiarmos o problema, decidimos devolver o esp\u00f3lio. Se agora me diz que vai integrar a Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares, \u00e9 motivo para ficarmos satisfeitos. O que interessa \u00e9 que n\u00e3o saia do pa\u00eds\u201d, afirmou Cap\u00e3o Filipe.<\/p>\n<p>O vereador sublinhou, por outro lado, a vantagem da transforma\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio destinado ao Museu da Rep\u00fablica (na Rua Jo\u00e3o Mendon\u00e7a) em Museu da Cidade. \u201cO espa\u00e7o que estava empatado, sem solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, foi requalificado em museu de cidade, para que possamos fruir a nossa cidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A compra da colec\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica por parte da Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares (por uma \u201cquantia simb\u00f3lica\u201d, mas n\u00e3o divulgada) conclui o \u201ccaso \u00fanico e surrealista\u201d, nas palavras de Ant\u00f3nio Pedro Vicente, que foi a recusa da cidade dos canais. No in\u00edcio, a d\u00e1diva (gratuita) era apenas \u201cum acto de honra\u201d em mem\u00f3ria de Arlindo Vicente.<\/p>\n<p>Aveiro poderia ter ficado com a melhor colec\u00e7\u00e3o de imagens relativas \u00e0 Primeira Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares adquiriu o conjunto de objectos e imagens da Primeira Rep\u00fablica que esteve em Aveiro at\u00e9 2006, sem nunca ter sido exposto como tinha sido acordado com o doador A Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares vai assinar amanh\u00e3 (30 de Outubro), em Lisboa, com Ant\u00f3nio Pedro Vicente, um protocolo de recep\u00e7\u00e3o do esp\u00f3lio que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-13507","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13507\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}