{"id":13527,"date":"2008-10-30T15:32:00","date_gmt":"2008-10-30T15:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13527"},"modified":"2008-10-30T15:32:00","modified_gmt":"2008-10-30T15:32:00","slug":"contagem-decrescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/contagem-decrescente\/","title":{"rendered":"Contagem decrescente"},"content":{"rendered":"<p>De repente, o efeito borboleta aparece-me em todo o lado: filmes; sites e blogs; um livro de cr\u00f3nicas. Quero ser original e n\u00e3o posso; antes de mim muitos falaram, escreveram, filmaram o efeito borboleta, a teoria de Lorenz apresentada em 1972. <\/p>\n<p>N\u00e3o consigo ser original, mas posso falar do efeito menina e das crian\u00e7as invis\u00edveis. No site http:\/\/www.girleffect.org, h\u00e1 dados reveladores. Documentos t\u00e3o b\u00e1sicos como a certid\u00e3o de nascimento e o bilhete de identidade s\u00e3o negados a muitas meninas. E que interessa ter esses pap\u00e9is? Sem eles, uma rapariga n\u00e3o pode provar a sua idade, logo n\u00e3o pode proteger-se de um casamento na inf\u00e2ncia (em muitas culturas, as meninas casam-se ainda crian\u00e7as), nem abrir uma conta no banco, nem votar, nem mesmo arranjar emprego. 70% das crian\u00e7as que n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola s\u00e3o meninas, mas se a rapariga for escolarizada, conhecer\u00e1 os seus direitos e mais dificilmente ser\u00e1 explorada; saber\u00e1 proteger-se a si e aos seus filhos contra as doen\u00e7as; os seus filhos sobreviver\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia e ir\u00e3o \u00e0 escola. <\/p>\n<p>Quando se diz que as meninas s\u00e3o as futuras mulheres, ou que os jovens s\u00e3o os adultos de amanh\u00e3, esquece-se que HOJE elas e eles t\u00eam direitos espec\u00edficos, numa \u201ccategoria\u201d que h\u00e1 alguns s\u00e9culos n\u00e3o existia, \u00e9 certo, mas que hoje se protege, porque a sociedade evoluiu e j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 crian\u00e7as e adultos, h\u00e1 tamb\u00e9m adolescentes e jovens. Ser\u00e3o futuros adultos, futuras mulheres, pais e m\u00e3es no futuro, mas HOJE vivem no presente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso saber quantas meninas nascem para se poder agir. \u00c9 preciso formar advogados para defenderem os direitos das raparigas. \u00c9 preciso dar \u00e0s meninas uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, ambientes seguros e apoio que lhes permitam ir \u00e0 escola e frequent\u00e1-la tamb\u00e9m durante a adolesc\u00eancia. \u00c9 preciso respeitar os direitos das raparigas e apoi\u00e1-las para que possam fazer as suas pr\u00f3prias escolhas.<\/p>\n<p>Estas meninas fazem parte de uma lista inc\u00f3moda de crian\u00e7as invis\u00edveis, meninas e meninos, que nos passam despercebidas, e que vivem em situa\u00e7\u00f5es desumanas. Se virmos com aten\u00e7\u00e3o, as not\u00edcias n\u00e3o fazem manchetes destas situa\u00e7\u00f5es inc\u00f3modas, mas cada vez mais se vai falando destas realidades. <\/p>\n<p>At\u00e9 ao dia 17 de Outubro, dia internacional para a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, viviam num mundo mais ou menos agrad\u00e1vel. Nessa data, visitaram uma exposi\u00e7\u00e3o. Estranharam que haja tantas pessoas que n\u00e3o trabalham. Perceberam que o seu estado de subnutri\u00e7\u00e3o, o local onde vivem e os governos que dominam os seus pa\u00edses n\u00e3o lho permitem. S\u00f3 ent\u00e3o compreenderam que n\u00e3o devem deitar fora a comida que n\u00e3o lhes agrada, e que h\u00e1 muitos colegas seus que comem de gra\u00e7a na cantina, porque os pais est\u00e3o desempregados. <\/p>\n<p>Nesse dia, descobriram que h\u00e1 oito objectivos do desenvolvimento do mil\u00e9nio: erradicar a pobreza e a fome; alcan\u00e7ar o ensino prim\u00e1rio universal; promover a igualdade de g\u00e9nero e dar poder \u00e0s mulheres; reduzir a mortalidade infantil; reduzir a mortalidade materna; combater o VIH\/SIDA, a mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as graves; garantir a sustentabilidade ambiental; fortalecer uma parceria global para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Hoje, fazem parte dos 93 707 portugueses que se levantaram contra a pobreza, entre 17 e 19 de Outubro. Fazem parte das 116.993.629 pessoas que no mundo se levantaram contra a pobreza. Perceberam que podem ser uma borboleta e produzir efeito. <\/p>\n<p>Come\u00e7ou a contagem para o 60.\u00ba anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, 10 de Dezembro de 1948\/2008.<\/p>\n<p>Efeito borboleta \u2013 O bater das asas de uma borboleta em Pequim pode provocar uma tempestade em Washington (ou impedir a sua forma\u00e7\u00e3o).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De repente, o efeito borboleta aparece-me em todo o lado: filmes; sites e blogs; um livro de cr\u00f3nicas. Quero ser original e n\u00e3o posso; antes de mim muitos falaram, escreveram, filmaram o efeito borboleta, a teoria de Lorenz apresentada em 1972. N\u00e3o consigo ser original, mas posso falar do efeito menina e das crian\u00e7as invis\u00edveis. 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