{"id":13531,"date":"2008-10-30T15:36:00","date_gmt":"2008-10-30T15:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13531"},"modified":"2008-10-30T15:36:00","modified_gmt":"2008-10-30T15:36:00","slug":"politica-familiar-uma-hipocrisia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/politica-familiar-uma-hipocrisia\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica familiar, uma hipocrisia"},"content":{"rendered":"<p>O que se est\u00e1 passando entre n\u00f3s, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, no plano legal, com graves e inevit\u00e1veis repercuss\u00f5es na vida pessoal e no plano social, \u00e9, a meu ver, a mancha mais negra e vergonhosa da nossa hist\u00f3ria recente. N\u00e3o ser\u00e3o precisos muitos anos para que os fautores desta vergonhosa fa\u00e7anha o verifiquem, porventura sentindo ent\u00e3o as dores, na sua carne e na dos seus, do que fizeram, de modo inconsciente ou condenavelmente premeditado.<\/p>\n<p>Trata-se de uma verdadeira pol\u00edtica de hipocrisia. Advoga-se por leis, despachos e portarias que as crian\u00e7as institucionalizadas e os doentes mentais retidos em hospitais devem ser entregues \u00e0 fam\u00edlia, sem se verificar se ela existe e tem consist\u00eancia e capacidade para assumir essa responsabilidade e consequentes tarefas; retira-se a crian\u00e7a \u00e0 fam\u00edlia que a criou, desde os primeiros dias, para a entregar \u00e0quela que a rejeitou ainda antes de ela nascer; fala-se do valor da adop\u00e7\u00e3o e paralisa-se o desejo e a vontade de adoptar num emaranhado de burocracias e pap\u00e9is que mais levam a desistir que a confiar num \u00eaxito, ainda que remoto; aceita-se e at\u00e9 se diz, teoricamente, que a fam\u00edlia \u00e9 o melhor espa\u00e7o e ambiente para educar uma crian\u00e7a, mas criam-se condi\u00e7\u00f5es legais que a destroem ou a isso d\u00e3o pretexto e ocasi\u00e3o, privilegiando-se os caprichos pessoais, a falta de esfor\u00e7o normal para ultrapassar dificuldades, menosprezando assim o direito de quem acredita na fam\u00edlia e se sente v\u00edtima ultrajada dos que a vilipendiam; o div\u00f3rcio, cada vez mais f\u00e1cil, \u00e9 prova de modernidade e de progresso social, sem que se tenha em conta a repercuss\u00e3o desta facilidade em muitas vidas atingidas pelo favor de leis que mutilam a dignidade das pessoas e as libertam de responsabilidades pessoais e sociais; para se apoiarem formas estranhas de casamento, os casos pessoais ganham um direito de cidadania que os sobrep\u00f5em a tudo e todos, n\u00e3o se procurando o respeito que a todos \u00e9 devido, segundo a sua situa\u00e7\u00e3o e o interesse comum e, a pretexto de igualdade, faz-se um nivelamento que n\u00e3o conta com as naturais desigualdades; sem se olhar \u00e0 sanidade e ao futuro da sociedade, ridiculariza-se a fam\u00edlia normal e o seu direito e dever de procriar, importando-se acriticamente e implementando-se, por for\u00e7a de uma maioria parlamentar, o pensar de estranhos que nunca acreditaram na fam\u00edlia, porque nunca saborearam o seu verdadeiro valor e beleza; durante o dia, o Estado considera-se dono das crian\u00e7as, confia-as a quem n\u00e3o aceita tal princ\u00edpio, satisfaz-lhes os gostos e aguenta-lhes os caprichos, para, ao fim da tarde, as despejar, caprichosas e fren\u00e9ticas, nos bra\u00e7os de pais cansados e preocupados e, ai deles, se lhes puxarem uma orelha ou lhes derem uma merecida palmada, pois ter\u00e3o de se haver com a justi\u00e7a; sem ouvir os pais, mas entalando-os com decis\u00f5es posteriores a tomar e envolvem encargos, d\u00e3o-se computadores \u00e0s crian\u00e7as que, muitas vezes, em suas casas, n\u00e3o t\u00eam resposta poss\u00edvel para as suas maiores necessidades; no direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar e \u00e0 escolha dos projectos educativos os pais n\u00e3o contam e, se ousam contar, s\u00e3o escandalosamente penalizados\u2026 A ladainha pode continuar, que n\u00e3o parar\u00e1 logo ali.<\/p>\n<p>Na mente de quem legisla e de quem governa o pa\u00eds, parece que a fam\u00edlia \u00e9 mesmo para acabar. S\u00f3 traz inc\u00f3modos a quem quer ser livre e encargos ao er\u00e1rio p\u00fablico. E se ela ousa ter quatro ou mais filhos, paga por esta ousadia, porque para muitas destas mentes brilhantes que det\u00eam o poder, mais de dois filhos \u00e9 prova de insanidade mental.<\/p>\n<p>N\u00e3o escondo nem calo que h\u00e1 medidas a favor da fam\u00edlia, mas muitas destas mais preocupadas com o pensar dos estranhos que com a resposta \u00e0s necessidades. As estat\u00edsticas e os relat\u00f3rios d\u00e3o n\u00fameros; n\u00e3o mostram rostos nem transmitem dores. E quem est\u00e1 bem n\u00e3o entender\u00e1 facilmente as car\u00eancias de muitas fam\u00edlias que tamb\u00e9m pagam impostos e j\u00e1 lhes falta voz para clamarem pela justi\u00e7a a que t\u00eam direito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que se est\u00e1 passando entre n\u00f3s, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, no plano legal, com graves e inevit\u00e1veis repercuss\u00f5es na vida pessoal e no plano social, \u00e9, a meu ver, a mancha mais negra e vergonhosa da nossa hist\u00f3ria recente. 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