{"id":1356,"date":"2010-03-31T12:07:00","date_gmt":"2010-03-31T12:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1356"},"modified":"2010-03-31T12:07:00","modified_gmt":"2010-03-31T12:07:00","slug":"caminhos-de-conversao-de-ha-muito-abertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/caminhos-de-conversao-de-ha-muito-abertos\/","title":{"rendered":"Caminhos de convers\u00e3o de h\u00e1 muito abertos"},"content":{"rendered":"<p>Falava da Igreja conciliar, da igual dignidade de todos os baptizados, da hierarquia como servi\u00e7o, da necessidade de acabar com coisas que se introduziram na Igreja, alheias ao seu esp\u00edrito e miss\u00e3o. E exemplifiquei dizendo, ent\u00e3o, que mais que conferir dignidades humanas, era preciso promover intensamente a dignidade radical e a igualdade de todos os filhos de Deus. Havia na assembleia monsenhores feitos de fresco, mesmo ali \u00e0 minha frente. Eu n\u00e3o sabia. Uma gargalhada alargada e os rostos fechados dos novos dignit\u00e1rios. No fim, o bispo disse-me fraternalmente: \u201cSabe, eles gostam!&#8230;\u201d No mesmo tom e sentido fui testemunha de outros casos iguais. Passados mais de quarenta anos de Conc\u00edlio, eles ainda gostam e Roma entra no jogo\u2026<\/p>\n<p>Numa cultura moderna e p\u00f3s-moderna n\u00e3o se pode mais falar de Deus, mostrar um rosto novo da Igreja, enfrentar o drama do div\u00f3rcio entre a f\u00e9 e a cultura, como se viv\u00eassemos em tempos de cristandade, como se os h\u00e1bitos tradicionais e rotineiros pudessem gerar crist\u00e3os vivos e activos ou dar mais zelo apost\u00f3lico a quem veste honras de vermelho ou recebe condecora\u00e7\u00f5es pontif\u00edcias.<\/p>\n<p>O convite de Jo\u00e3o XXXIII ao \u201cagiornamento\u201d ou \u00e0 actualiza\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, inspirados no exemplo de Cristo e das primeiras comunidades crist\u00e3s, levava a novos caminhos, sempre em aberto. A Igreja de Cristo h\u00e1-se seguir cada dia o seu \u00fanico Mestre e Senhor, aprendendo d\u00b4Ele a assumir, de modo claro, o seu projecto de salva\u00e7\u00e3o universal. Igreja que vai ao encontro de todos, que se abre a todos os que lutam e sofrem pela verdade, pela liberdade e pela justi\u00e7a, que fala sempre uma linguagem intelig\u00edvel de amor, de miseric\u00f3rdia e de esperan\u00e7a, que gera \u00e0 sua volta alegria e paz, que ajuda as pessoas a serem felizes, dignas e protagonistas da sua hist\u00f3ria e da hist\u00f3ria humana, que sabe que \u201co caminho de Deus \u00e9 o homem\u201d e que \u201ca gl\u00f3ria de Deus \u00e9 que o homem viva\u201d. Por isso, faz sua a causa dos pobres, dos exclu\u00eddos, sociais e morais, conforta-os pelo seu testemunho de serva e pobre, luta, ao seu lado, pela sua dignidade e pelos seus direitos, e, como m\u00e3e e mestra, os ajuda a assumir os seus deveres.<\/p>\n<p>A Igreja necessita assim, com urg\u00eancia, de dar lugar central a Jesus Cristo, que a ensina a servir, n\u00e3o a ser servida; que a ensina a ser comunh\u00e3o, n\u00e3o sociedade de classes; que a ensina a lavar os p\u00e9s, n\u00e3o a sentar-se em tronos para receber honras; que lhe ensina a sabedoria da cruz, n\u00e3o o caminho das gl\u00f3rias humanas; que a abre \u00e0 convic\u00e7\u00e3o experimentada de que h\u00e1 mais alegria e honra em dar do que em receber. Foi este caminho evang\u00e9lico que o Conc\u00edlio reabriu, pedindo para se retirar dele o lixo e os trope\u00e7os que o tempo acumulou e tornaram mais dif\u00edcil o caminhar da Igreja pelos caminhos calcorreados diariamente pelos homens e mulheres de cada tempo\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 esta a convers\u00e3o interior, tornada vis\u00edvel, que o Vaticano II esperava e espera.<\/p>\n<p>A Igreja em Conc\u00edlio n\u00e3o partia do nada. Apenas fez que se soltassem vozes antes silenciadas; deu aten\u00e7\u00e3o a manifesta\u00e7\u00f5es livres do Esp\u00edrito, at\u00e9 ali pouco atendidas; mostrou o valor renovador da colegialidade apost\u00f3lica e do \u201csentido da f\u00e9\u201d do Povo de Deus; chamou a aten\u00e7\u00e3o para \u201cos sinais dos tempos\u201d, como apelos a novos rumos; mostrou que o mundo n\u00e3o \u00e9 um inimigo a combater, mas realidade com que se deve dialogar; foi capaz de vencer e mostrar a import\u00e2ncia de tens\u00f5es internas; disse que outros disc\u00edpulos de Cristo n\u00e3o eram concorrentes, mas irm\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>Paulo VI tornou-se o grande impulsionador do Conc\u00edlio. Jo\u00e3o Paulo I mostrou que a pedagogia do sorriso aproxima, estimula e ajuda a renovar. Jo\u00e3o Paulo II fez-se \u201cao largo\u201d e levou a mensagem a todos os recantos da terra. Bento XVI mostra a coragem da decis\u00e3o em momentos dif\u00edceis, do di\u00e1logo necess\u00e1rio com um mundo novo, da aceita\u00e7\u00e3o das humilha\u00e7\u00f5es como caminho de convers\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p>Os tempos convidam a olhar insistentemente para Deus, donde vem a luz e onde reside a esperan\u00e7a. O caminho pede urg\u00eancia. Esta pede humildade, confian\u00e7a, fidelidade. <\/p>\n<p>Uma Igreja \u201coutra\u201d exige o exemplo daqueles que Deus constituiu como primeiras testemunhas e n\u00e3o dispensa a comunh\u00e3o, activa e confiante, dos que se assumem como disc\u00edpulos de Cristo. Sempre e para todos num clima de amor. S\u00f3 o amor constr\u00f3i a obra de Deus. S\u00f3 o amor, l\u00facido, coerente e gratuito, \u00e9 fonte de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falava da Igreja conciliar, da igual dignidade de todos os baptizados, da hierarquia como servi\u00e7o, da necessidade de acabar com coisas que se introduziram na Igreja, alheias ao seu esp\u00edrito e miss\u00e3o. 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