{"id":13608,"date":"2008-11-12T10:20:00","date_gmt":"2008-11-12T10:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13608"},"modified":"2008-11-12T10:20:00","modified_gmt":"2008-11-12T10:20:00","slug":"catolicos-e-muculmanos-trilham-caminhos-de-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/catolicos-e-muculmanos-trilham-caminhos-de-dialogo\/","title":{"rendered":"Cat\u00f3licos e mu\u00e7ulmanos trilham caminhos de di\u00e1logo"},"content":{"rendered":"<p>PRISCILA CIRINO<\/p>\n<p>O I F\u00f3rum Cat\u00f3lico-Mu\u00e7ulmano, celebrado em Roma, nos dias 4 a 6 de Novembro, marca um passo importante no di\u00e1logo inter-religioso, ao real\u00e7ar os elementos comuns como possibilidade de trabalho conjunto por um mundo mais justo. No encontro, que teve como tema \u201cAmor a Deus, amor ao pr\u00f3ximo\u201d, estiveram presentes 24 representantes e cinco conselheiros de cada uma das duas religi\u00f5es. <\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o final, com 15 pontos, reconhece a dignidade e sacralidade da vida humana porque \u201ccada pessoa foi criada pelo amor de Deus\u201d. Tanto o Cristianismo como o Isl\u00e3o ensinam que o amor a Deus e a f\u00e9 genu\u00edna levam ao amor ao pr\u00f3ximo. \u201cO amor genu\u00edno pelo pr\u00f3ximo implica respeito pela pessoa, pelas suas escolhas, em quest\u00f5es de consci\u00eancia e de religi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As religi\u00f5es minorit\u00e1rias merecem protec\u00e7\u00e3o e t\u00eam o direito a ter os seus lugares santos e \u201cn\u00e3o deveriam ser alvo de ridiculariza\u00e7\u00e3o\u201d, sublinha o documento. Num mundo intensamente secularizado e materialista, os participantes do F\u00f3rum afirmaram que tanto cat\u00f3licos como mu\u00e7ulmanos devem ser testemunhas \u201cda dimens\u00e3o transcendental da vida\u201d. <\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o final aponta ainda que os fi\u00e9is de ambas as religi\u00f5es \u201cdevem trabalhar por um sistema financeiro \u00e9tico, onde os mecanismos reguladores considerem a situa\u00e7\u00e3o dos pobres e dos desfavorecidos, seja enquanto indiv\u00edduos, seja como na\u00e7\u00f5es endividadas\u201d. <\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia 6, Bento XVI recebeu, em audi\u00eancia, os participantes do Encontro e encorajou-os a \u201cultrapassarem todos os mal-entendidos e disc\u00f3rdias\u201d. O Papa afirmou que a realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum significa um incentivo para \u201cassegurar que as reflex\u00f5es e desenvolvimentos positivos, que emergem no di\u00e1logo entre mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o limitados a um grupo pequeno de especialistas e estudiosos, mas s\u00e3o um precioso legado ao servi\u00e7o de todos, que trar\u00e1 frutos a cada dia\u201d. Bento XVI sublinhou estar consciente de que mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os t\u00eam diferentes abordagens em rela\u00e7\u00e3o a Deus, mas que podem ser \u201cseguidores do mesmo Deus que nos criou a todos e est\u00e1 preocupado com cada um de n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Em representa\u00e7\u00e3o da delega\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana, o universit\u00e1rio norte-americano Seyyed Hossein Nasr sublinhou, por sua vez, que mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os \u201ccr\u00eaem uns e outros na liberdade religiosa\u201d. E salientou que os mu\u00e7ulmanos \u201cn\u00e3o aceitar\u00e3o um proselitismo agressivo que destrua a sua f\u00e9 em nome da liberdade, tal como os crist\u00e3os n\u00e3o o aceitariam se estivessem na situa\u00e7\u00e3o\u201d dos seguidores do islamismo.<\/p>\n<p>O Papa indicou ainda o dever de mostrar \u201catrav\u00e9s do nosso m\u00fatuo respeito e solidariedade, que nos consideramos membros da uma fam\u00edlia: a fam\u00edlia que Deus tem amado e reunido desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo at\u00e9 ao fim da hist\u00f3ria humana\u201d.<\/p>\n<p>F\u00f3rum nasceu da pol\u00e9mica de Ratisbona<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o deste I F\u00f3rum Cat\u00f3lico-Mu\u00e7ulmano \u00e9 fruto de uma hist\u00f3ria iniciada em Setembro de 2006, quando Bento XVI pronunciou um discurso em Ratisbona (Alemanha), no qual, segundo entenderam os mu\u00e7ulmanos, pareceu associar o Isl\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. Em resposta a esse pronunciamento, 38 autoridades isl\u00e2micas, representantes dos diferentes ramos do Isl\u00e3o (sunitas, xiitas e outros) e de diversos pa\u00edses, reuniram-se para escrever uma \u201cCarta Aberta ao Papa\u201d, divulgada em 13 de Outubro de 2006. Um ano depois, os mu\u00e7ulmanos decidiram expandir a sua mensagem e 138 dos seus representantes escreveram o manifesto \u201cUma palavra comum entre n\u00f3s e v\u00f3s\u201d (http:\/\/www.acommonword.com). Destinado aos l\u00edderes de todas as igrejas do mundo, o Manifesto refere-se \u00e0 base comum entre Cristianismo e Islamismo: o duplo mandamento do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. O documento teve eco entre os crist\u00e3os e provocou o desejo de um espa\u00e7o de debate e partilha. O resultado foi, ent\u00e3o, o F\u00f3rum realizado na \u00faltima semana, organizado pela delega\u00e7\u00e3o dos 138 mu\u00e7ulmanos e pelo Conselho Pontif\u00edcio para o Dialogo Inter-religioso. Como conclus\u00e3o desta iniciativa, prev\u00ea-se um segundo encontro a ser realizado dentro de dois anos num pa\u00eds de maioria mu\u00e7ulmana ainda por determinar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PRISCILA CIRINO O I F\u00f3rum Cat\u00f3lico-Mu\u00e7ulmano, celebrado em Roma, nos dias 4 a 6 de Novembro, marca um passo importante no di\u00e1logo inter-religioso, ao real\u00e7ar os elementos comuns como possibilidade de trabalho conjunto por um mundo mais justo. 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