{"id":1361,"date":"2010-04-21T16:32:00","date_gmt":"2010-04-21T16:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1361"},"modified":"2010-04-21T16:32:00","modified_gmt":"2010-04-21T16:32:00","slug":"pessoas-instituicoes-e-estruturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pessoas-instituicoes-e-estruturas\/","title":{"rendered":"Pessoas, institui\u00e7\u00f5es e estruturas"},"content":{"rendered":"<p>A solu\u00e7\u00e3o dos problemas \u00e9 sempre mais morosa que o tempo que os gerou. Assim na sociedade, na fam\u00edlia, nas diversas institui\u00e7\u00f5es, na pr\u00f3pria Igreja. Diria mesmo que sobretudo nesta, porque muitos se habituaram a dar ao tempo corrente uma dimens\u00e3o de eternidade. Este n\u00e3o se compadece com pressas, mas n\u00e3o evita esquecimentos e injustificadas rotinas.<\/p>\n<p>Tudo na Igreja s\u00e3o meios ao servi\u00e7o de um fim que se traduz por miss\u00e3o evangelizadora permanente de modo a que chegue a todos o an\u00fancio salvador e de forma a provocar uma resposta de f\u00e9. Uma vez acolhida a f\u00e9 como um dom, ela sempre liberta e compromete. Deste modo, a Igreja vive cada dia a urg\u00eancia do que falta para que Cristo seja conhecido e amado, o Reino de Deus se instaure e cres\u00e7a, a comunh\u00e3o entre as pessoas seja reflexo vis\u00edvel da Comunh\u00e3o na Trindade, o mundo seja recuperado \u00e0 beleza e riqueza originais e a Igreja seja, por fim e para todos, espa\u00e7o real e apetec\u00edvel de viv\u00eancia e conviv\u00eancia fraterna.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os s\u00e3o permanentemente chamados a viver, em p\u00e9 de igualdade, a comunh\u00e3o m\u00fatua. Esta vis\u00e3o conciliar p\u00f5e de lado a tradicional concep\u00e7\u00e3o vertical da Igreja, concebida como escada que descia de Deus ao Papa e por este e os demais membros da hierarquia, chegava, por fim, at\u00e9 ao comum dos crist\u00e3os. A vis\u00e3o conciliar \u00e9 a do Povo de Deus realizado numa Igreja-Comunh\u00e3o de todos os baptizados. Os diversos minist\u00e9rios eclesiais, entre os quais a hierarquia, em todo os graus do minist\u00e9rio ordenado, constitui o primeiro e indispens\u00e1vel servi\u00e7o ao Povo de Deus, uma fam\u00edlia de irm\u00e3os, para cres\u00e7a e viva na caridade e na verdade. <\/p>\n<p>Nota-se por a\u00ed uma certa nostalgia da concep\u00e7\u00e3o vertical. A ser verdade, isso significa um regresso ao clericalismo, j\u00e1 esconjurado pelo Vaticano II. <\/p>\n<p>H\u00e1 que denunciar e contrariar esta tend\u00eancia, onde ela se verificar.<\/p>\n<p>O pensamento \u00fanico, em coisas de livre e enriquecedora opini\u00e3o, \u00e9 pr\u00f3prio de donos e patr\u00f5es. Hoje at\u00e9 estes, se forem l\u00facidos, n\u00e3o dispensam a opini\u00e3o dos seus colaboradores.<\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o \u00e9 propriedade de ningu\u00e9m. Ela \u00e9, no tempo, o pr\u00f3prio Cristo ao servi\u00e7o das pessoas e da sociedade. Esta a imagem esperada de todos os seus membros em tudo da sua vida e ac\u00e7\u00e3o, mormente dos mais respons\u00e1veis. Para a Igreja, s\u00e3o as pessoas a sua grande preocupa\u00e7\u00e3o. Nelas reside a maior dignidade e delas se espera a melhor colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9, tamb\u00e9m, neste contexto que se justificam as diversas institui\u00e7\u00f5es da Igreja e as estruturas, quaisquer que elas sejam, devem, a seu tempo, ser repensadas e revistas. H\u00e1, por vezes, estruturas envelhecidas e ferrugentas a prejudicar a imagem e a miss\u00e3o. Num mundo em mudan\u00e7a este facto deve merecer toda a aten\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m dos bairrismos, tradi\u00e7\u00f5es e competi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Vemos, por exemplo, que h\u00e1 dioceses, demasiadamente grandes e outras demasiadamente pequenas, onde o bispo ou nem se conhece ou nem sabe que fazer; par\u00f3quias que foram pensadas e criadas sob o paradigma rural, hoje, fruto da mobilidade e do fen\u00f3meno urbano, est\u00e3o mais marcadas pela livre op\u00e7\u00e3o das pessoas e das fam\u00edlias que pela perten\u00e7a a territ\u00f3rio geogr\u00e1fico; outras par\u00f3quias, nascidas quando havia mais gente e mais padres, hoje est\u00e3o desertas por via da emigra\u00e7\u00e3o, da diminui\u00e7\u00e3o da natalidade, da falta de criatividade. Tudo isto obriga a rever as estruturas existentes para que sejam meio e servi\u00e7o \u00e0s pessoas e \u00e0 miss\u00e3o, adequados a tal fim.<\/p>\n<p>O Vaticano II chamou a aten\u00e7\u00e3o para tudo isto e tudo a seguir veio a confirmar a realidade e necessidade de adequar as institui\u00e7\u00f5es eclesiais e as estruturas pastorais \u00e0 miss\u00e3o evangelizadora. A massifica\u00e7\u00e3o e a desertifica\u00e7\u00e3o dificultam a experi\u00eancia comunit\u00e1ria, e esta \u00e9 insepar\u00e1vel da confiss\u00e3o e da viv\u00eancia da f\u00e9.  <\/p>\n<p>A Igreja, fiel \u00e0 sua miss\u00e3o, n\u00e3o pode andar ao arrepio da vida, do bom senso e do que parece cada vez mais como \u00f3bvio e necess\u00e1rio ao seu viver e agir. Por\u00e9m, sem que mude o pensar das pessoas implicadas a todos os n\u00edveis, n\u00e3o mudar\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es e as estruturas ordenadas para a edifica\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, num mundo da gente concreta deste tempo. Os crit\u00e9rios conciliares ajudam a encontrar caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A solu\u00e7\u00e3o dos problemas \u00e9 sempre mais morosa que o tempo que os gerou. Assim na sociedade, na fam\u00edlia, nas diversas institui\u00e7\u00f5es, na pr\u00f3pria Igreja. Diria mesmo que sobretudo nesta, porque muitos se habituaram a dar ao tempo corrente uma dimens\u00e3o de eternidade. 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