{"id":13663,"date":"2008-11-19T15:23:00","date_gmt":"2008-11-19T15:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13663"},"modified":"2008-11-19T15:23:00","modified_gmt":"2008-11-19T15:23:00","slug":"longa-vida-a-paroquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/longa-vida-a-paroquia\/","title":{"rendered":"Longa vida \u00e0 par\u00f3quia"},"content":{"rendered":"<p>Se come\u00e7a a ser evidente que a estrutura paroquial n\u00e3o serve para as exig\u00eancias pastorais modernas, \u00e9 tamb\u00e9m claro que a par\u00f3quia ainda \u00e9 o espa\u00e7o crist\u00e3o mais pr\u00f3ximo das pessoas e aquele que mais coes\u00e3o social d\u00e1 \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p>Esta constata\u00e7\u00e3o encerra, podemos dizer, uma for\u00e7a desagregadora e outra congregante. A for\u00e7a desagregadora vem do sentimento crescente de que a par\u00f3quia est\u00e1 ultrapassada. Repare-se, por exemplo, no uso da palavra \u201cparoquial\u201d em artigos de imprensa com o sentido pejorativo de \u201cter vistas limitadas\u201d ou algo como \u201cn\u00e3o sair do seu grupinho\u201d.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9 ultrapassada quando as pessoas se deslocam de um lado para outro \u00e0 procura do padre ou da missa de que gostam mais ou onde se sentam mais acolhidas. \u00c9 ultrapassada quando as fronteiras geogr\u00e1ficas s\u00e3o irracionais, obrigando uma crian\u00e7a a ir \u00e0 catequese a um s\u00edtio mais longe mas da par\u00f3quia, quando h\u00e1 outro mais perto aonde n\u00e3o pode ir porque \u00e9 de outra par\u00f3quia. Est\u00e1 ultrapassada quando, com a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de padres, em cada par\u00f3quia se multiplicam os mesmos servi\u00e7os, com imensos gastos econ\u00f3micos e de recursos humanos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m a for\u00e7a congregante. Sai da freguesia o centro de sa\u00fade, sai a pol\u00edcia, sai a escola\u2026 mas fica o padre ou pelo menos a par\u00f3quia com as suas estruturas e servi\u00e7os e com a disponibilidade do padre. A par\u00f3quia continua a ser a estrutura crist\u00e3 mais pr\u00f3xima das pessoas, o elemento fundamental de coes\u00e3o humana, um dos principais factores de integra\u00e7\u00e3o social. Tamb\u00e9m em meio urbano.<\/p>\n<p>Dizia Manuel Alte da Veiga, na apresenta\u00e7\u00e3o do livro \u201cPar\u00f3quia e Unidades Pastorais\u201d, de Georgino Rocha (no decorrer da sess\u00e3o solene do ISCRA, no passado dia 8), que a par\u00f3quia \u00e9 \u201cum reduto de viv\u00eancia festiva da vida\u201d e tamb\u00e9m o \u201cposto avan\u00e7ado para a viv\u00eancia humana\u201d, onde a \u201ccidadania \u00e9 partilhada\u201d, onde h\u00e1 espa\u00e7o para \u201ca f\u00e9 formar, mas nunca a formatar\u201d. \u00c9 o espa\u00e7o do \u201cgrupo perfeito\u201d, o grupo onde se pode ser humanamente completo.<\/p>\n<p>O livro do P.e Georgino Rocha debate-se com a necessidade da par\u00f3quia e com a sua insufici\u00eancia. Por isso, se come\u00e7a por apontar \u00e2mbitos da par\u00f3quia, que podem bem funcionar como pistas de renova\u00e7\u00e3o (\u201cda par\u00f3quia fontan\u00e1rio \u00e0 par\u00f3quia rede\u201d; \u201cautoridade participada\u201d na par\u00f3quia, os movimentos, a realidade juvenil, a festa, o luto\u2026), aponta depois para o arciprestado (que para todos os efeitos continua a ser um grupo de par\u00f3quias) e para a realidade nova das unidades pastorais.<\/p>\n<p>Apesar das experi\u00eancias que se v\u00e3o fazendo e dos reflexos das realidades italiana e espanhola que chegam a este livro, as unidades pastorais parecem n\u00e3o fugir de um agregado de par\u00f3quias. S\u00e3o tudo e apenas o que uma par\u00f3quia \u00e9, mas multiplicado algumas vezes (pelo n\u00famero de par\u00f3quias). S\u00e3o estruturas que podem dar jeito do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o pastoral, mas que dificilmente correspondem \u00e0s viv\u00eancias das pessoas. Quem diz \u201csou da unidade pastoral X\u201d em vez de \u201csou da par\u00f3quia X\u201d? Ou \u201cfui baptizado na Igreja da UP X\u201d?<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que \u201ca Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucarisita\u201d, isso quer dizer simplesmente que a Eucaristia faz a comunidade crist\u00e3. Ora, enquanto a celebra\u00e7\u00e3o principal da Eucaristia estiver centrada na igreja paroquial, a comunidade paroquial perdurar\u00e1. Poder-se-\u00e1 voltar a comunidades mais pessoais e personalizadas como no tempo de Paulo? (E como agora tamb\u00e9m existem em volta de algumas congrega\u00e7\u00f5es religiosas?) Acho que n\u00e3o, pelo menos para a maioria dos crist\u00e3os. Os sacramentos, com rar\u00edssimas excep\u00e7\u00f5es, s\u00e3o administrados e registados na par\u00f3quia. Longa vida \u00e0 paroquia, portanto. E que bom seria que ao escreverem que \u201cisto \u00e9 paroquial\u201d estivessem a querer dizer que \u201cisto \u00e9 personalizado\u201d, \u201cisto \u00e9 acolhedor\u201d, \u201cisto sincero, mas profundo\u201d, \u201cisto \u00e9 onde as pessoas podem crescer humana e espiritualmente\u201d. <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se come\u00e7a a ser evidente que a estrutura paroquial n\u00e3o serve para as exig\u00eancias pastorais modernas, \u00e9 tamb\u00e9m claro que a par\u00f3quia ainda \u00e9 o espa\u00e7o crist\u00e3o mais pr\u00f3ximo das pessoas e aquele que mais coes\u00e3o social d\u00e1 \u00e0s comunidades. Esta constata\u00e7\u00e3o encerra, podemos dizer, uma for\u00e7a desagregadora e outra congregante. 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