{"id":13724,"date":"2008-11-27T10:26:00","date_gmt":"2008-11-27T10:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13724"},"modified":"2008-11-27T10:26:00","modified_gmt":"2008-11-27T10:26:00","slug":"o-terreno-para-o-desejado-quartel-seria-a-melhor-prenda-do-centenario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-terreno-para-o-desejado-quartel-seria-a-melhor-prenda-do-centenario\/","title":{"rendered":"O terreno para o desejado quartel seria a melhor prenda do centen\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Bombeiros Novos comemoraram 100 anos no pr\u00f3ximo Domingo <!--more--> CORREIO DO VOUGA &#8211; Como come\u00e7ou a Companhia Volunt\u00e1ria de Salva\u00e7\u00e3o P\u00fablica Guilherme Gomes Fernandes, que todos conhecemos por Bombeiros Novos (BN)?<\/p>\n<p>ALBUQUERQUE PINTO &#8211; A Companhia Volunt\u00e1ria de Salva\u00e7\u00e3o P\u00fablica \u2013 assim \u00e9 o seu nome original, que dever\u00e1 ser mudado com a revis\u00e3o dos estatutos \u2013 nasceu devido a uma cis\u00e3o nos Bombeiros de Aveiro. As seguradoras e a popula\u00e7\u00e3o fizeram uma exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara, questionando a efic\u00e1cia dos bombeiros que ent\u00e3o existiam, ou seja, os actuais Bombeiros Velhos, que na altura estavam a passar por uma crise.<\/p>\n<p>Esta companhia teve como fundadores alguns dos bombeiros que estavam na outra corpora\u00e7\u00e3o, com vista a uma maior efic\u00e1cia no combate dos sinistros. O processo de forma\u00e7\u00e3o culminou no dia 30 de Novembro de 1908, \u00e0s 10 da noite, hora a que foi assinada a primeira acta.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que surge Guilherme Gomes Fernandes, que d\u00e1 nome \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Guilherme Gomes Fernandes \u00e9 o ex-libris dos bombeiros portugueses. \u00c9 o maior bombeiro portugu\u00eas de todos os tempos. N\u00e3o \u00e9 aveirense (ver texto nesta p\u00e1gina). Era uma pessoa com possibilidades financeiras. Abra\u00e7ou a paix\u00e3o dos bombeiros e notabilizou-se como bombeiro volunt\u00e1rio e dirigente de bombeiros no Porto.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que chegou a patrono?<\/p>\n<p>Parte da sua fama deve-se \u00e0 gl\u00f3ria que trouxe para os bombeiros portugueses durante uma competi\u00e7\u00e3o de bombeiros em Fran\u00e7a. Classificou-se em primeiro lugar, com tanta dist\u00e2ncia para os segundos que o j\u00fari decidiu n\u00e3o atribuir mais pr\u00e9mios.<\/p>\n<p>No regresso de Fran\u00e7a, parou em Aveiro, enquanto no Porto se preparava uma apote\u00f3tica recep\u00e7\u00e3o. Foi h\u00f3spede dos Bombeiros Velhos.<\/p>\n<p>Quando a nossa Companhia foi fundada, j\u00e1 tinha morrido, mas tinha prest\u00edgio a n\u00edvel nacional e internacional e o seu nome foi adoptado.<\/p>\n<p>Os BN nem sempre estiveram sediados no Largo Maia Magalh\u00e3es, na Vera Cruz\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o. A primeira sede na foi Rua da Corredoura (na traseiras da Miseric\u00f3rdia), hoje Batalh\u00e3o Ca\u00e7adores 10. Em 1912, passou para a Ponte-pra\u00e7a Lu\u00eds Cipriano, hoje Pra\u00e7a Humberto Delgado, perto do banco BPI, e abriu-se uma pequena sucursal na Rua do Sol (hoje, Rua Sargento Clemente Morais). Em 1922, concluiu-se a constru\u00e7\u00e3o de um quartel no local onde estamos. Esse quartel foi demolido para dar origem ao actual, em 1983\u2026<\/p>\n<p>\u2026Que hoje \u00e9  insuficiente\u2026<\/p>\n<p>Este quartel, \u00e0 \u00e9poca, foi considerado uma mais-valia para os BN, mas hoje \u00e9 manifestamente insuficiente. Desde 1995 temos levado a cabo dilig\u00eancias para um novo quartel, estrategicamente adequado \u00e0 zona de interven\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e que tenha as caracter\u00edsticas que se coadunem com as actuais necessidades da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qual a zona de ac\u00e7\u00e3o dos BN?<\/p>\n<p>Actuamos em todo o concelho de Aveiro, mas h\u00e1 um acordo operacional entre as duas institui\u00e7\u00f5es de Aveiro, de forma que n\u00f3s fic\u00e1mos com a parte norte, que tem sete freguesias (Vera Cruz, S\u00e3o Jacinto \u2013 onde existe um destacamento com todos os meios para a primeira interven\u00e7\u00e3o \u2013, Esgueira, Cacia, Requeixo, Eixo e Eirol) e os Bombeiros Velhos com as sete do sul. Isto \u00e9 um acordo. Actuamos sempre em qualquer s\u00edtio, onde houver necessidade. O normal \u00e9 as duas corpora\u00e7\u00f5es reponderem \u00e0 chamada pelo CDOS (Comando Distrital de Opera\u00e7\u00f5es de Socorro). De resto tamb\u00e9m ac-tuam os fora do concelho. H\u00e1 uns anos fomos para o Algarve, em refor\u00e7o dos bombeiros daquela regi\u00e3o. Ir para a Beira Alta ou para a Beira Baixa, isso \u00e9 todo o ano. N\u00e3o somos bombeiros de bairro. Somos bombeiros distritais e nacionais.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que este quartel \u00e9 \u201cmanifestamente insuficiente\u201d?<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias raz\u00f5es. Primeiro, somos um corpo de bombeiros numeroso [cerca de 120 efectivos]; toda a gente tem a sua especialidade, h\u00e1 v\u00e1rias sub-especialidades, todas as t\u00edpicas de bombeiros, mais as excepcionais como os mergulhadores.<\/p>\n<p>Com o equipamento e viaturas que \u00e9 preciso ter e manter, andamos todos aqui a acotovelarmo-nos uns aos outros. <\/p>\n<p>Por outro lado, a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 a melhor. Para sairmos daqui \u00e9 preciso atravessar a cidade. Ora, \u00e9 indispens\u00e1vel que os Bombeiros tenham liberdade de ac\u00e7\u00e3o, saindo rapidamente para os objectivos que lhes forem determinados.Com o bul\u00edcio citadino, com frequ\u00eancia isso n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>Como est\u00e1 o processo do novo quartel?<\/p>\n<p>Formalmente qualquer atribui\u00e7\u00e3o de terreno por parte da C\u00e2mara Municipal para que possamos come\u00e7ar a elaborar o projecto. Estamos apenas no campo das promessas e negocia\u00e7\u00f5es com terceiros (propriet\u00e1rios dos terrenos). Este processo tem sido muito doloroso e longo, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o quase 10 anos em que andamos atr\u00e1s de um terreno.<\/p>\n<p>J\u00e1 passou por v\u00e1rias localiza\u00e7\u00f5es. J\u00e1 esteve ali para as Agras, depois passou para tr\u00e1s do quartel da GNR (Rua de S\u00e1). Recus\u00e1mos esse terreno logo \u00e0 partida. Para estarmos encalacrados no meio da cidade, ficamos aqui e escusamos de gastar meio milh\u00e3o de contos. Isto n\u00e3o \u00e9 como comprar uma camisa ou um par de sapatos. Agora fala-se, desde h\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos, de um terreno cont\u00edguo ao Cemit\u00e9rio de Esgueira, em frente \u00e0 Mitsubishi. \u00c9 um bel\u00edssimo terreno. Tem boa acessibilidade. A partir dali sa\u00edmos para qualquer s\u00edtio da cidade com toda a facilidade, pela EN 109 e A 25.<\/p>\n<p>Era a melhor prenda que podiam dar pelos 100 anos do BN?<\/p>\n<p>Era. Tenho esperan\u00e7a que o Sr. Presidente da C\u00e2mara traga a escritura para assinarmos no dia do anivers\u00e1rio. Tenho esperan\u00e7a. Mas \u00e9 s\u00f3 esperan\u00e7a. N\u00e3o tenho qualquer ind\u00edcio ou ideia de que isso vai a acontecer. Mas a esperan\u00e7a \u00e9 a \u00faltima a morrer.<\/p>\n<p>Como imagina a nova sede?<\/p>\n<p>A CMA j\u00e1 se disponibilizou para fazer o projecto. O Arq. Jo\u00e3o Ferreira [da CMA] revelou-se com apet\u00eancia para desenhar a sede. Eu j\u00e1 o levei a tudo quanto \u00e9 quartel novo, para conhecer o formato e o que conv\u00e9m e n\u00e3o conv\u00e9m. Quando se faz uma obra nova, o comandante a seguir diz: \u201cConstru\u00edram isto aqui e isto tem este defeito e mais este, devia ser assim\u2026\u201d Visitando os quart\u00e9is, temos tentado chegar a um formato sem defeitos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, mas podemos aproximar-nos.<\/p>\n<p>H\u00e1 um decreto-lei que regulamenta isto. O quartel n\u00e3o pode ter o formato que vier \u00e0 cabe\u00e7a do presidente da direc\u00e7\u00e3o ou do comandante. Se sairmos do que a lei determina, ficamos sem a comparticipa\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Quanto \u00e9 essa comparticipa\u00e7\u00e3o estatal?<\/p>\n<p>Depende do n\u00famero das sec\u00e7\u00f5es que a corpora\u00e7\u00e3o tenha. N\u00f3s devemos apanhar o m\u00e1ximo porque temos uma sec\u00e7\u00e3o n\u00e1utica e mergulhadores, al\u00e9m do destacamento de S\u00e3o Jacinto.<\/p>\n<p>Quanto poder\u00e1 custar o novo quartel?<\/p>\n<p>Tenho ouvido dizer que pode ser algo como 3,5 milh\u00f5es de euros. A comparticipa\u00e7\u00e3o do Estado pode ir at\u00e9 60 por cento. O resto tem de ser associa\u00e7\u00e3o suportar.<\/p>\n<p>J\u00e1 t\u00eam planos para angariar os 40 por cento?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Vamos apelar \u00e0 generosidade popular, mas n\u00e3o vai chegar. N\u00e3o sei onde vamos buscar o dinheiro, mas que vamos fazer o quartel, vamos. Isso garanto.<\/p>\n<p>Ao longo destes 100 anos, os BN devem ter escrito p\u00e1ginas gloriosas e devem ter outras mais tristes\u2026<\/p>\n<p>Felizmente, todos os homens e mulheres que por aqui passaram foram bons, abnegados, deram-se voluntariamente, segundo as regras do associativismo. <\/p>\n<p>Quando convoc\u00e1mos autoridades e associa\u00e7\u00f5es para planear as comemora\u00e7\u00f5es, todos ofereceram gratuitamente o seu trabalho. Isso abona os bombeiros. \u00c9 o reconhecimento p\u00fablico do nosso valor. Foi muito gratificante para n\u00f3s. De resto, em termos de condecora\u00e7\u00f5es, temos tudo a que temos direito. No dia 30 [pr\u00f3ximo Domingo], vamos ser condecorados com a Medalha de Protec\u00e7\u00e3o e Socorro, grau ouro, proposta pelo Governador Civil [no momento desta entrevista esperava-se a confirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do ministro da Administra\u00e7\u00e3o Interna], e vamos receber o Crach\u00e1 de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses. \u00c9 a condecora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n<p>Quanto a momentos tristes, h\u00e1 a lamentar a morte de um bombeiro, o Paulo Rangel, em 1998. Record\u00e1mo-lo com um memorial nas paredes do quartel.<\/p>\n<p>Comemora\u00e7\u00f5es no pr\u00f3ximo Domingo<\/p>\n<p>Desfile na Avenida com viaturas e meio milhar de elementos<\/p>\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em Janeiro de 2008, mas t\u00eam no pr\u00f3ximo Domingo o momento mais alto. Do programa destacam-se os seguintes eventos: Exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1tica de material (a partir das 9h40, em frente ao quartel); mostra filat\u00e9lica, na Assembleia Municipal de Aveiro, com emiss\u00e3o de selo e carimbo (abre \u00e0s 10h); Missa do Centen\u00e1rio, na igreja da Vera Cruz, presidida pelo Bispo de Aveiro (\u00e0s 10h); homenagem e atribui\u00e7\u00e3o de medalhas (15h20); desfile apeado e motorizado, com cerca de 500 elementos (in\u00edcio \u00e0s 15h45; o desfile passa pela Rua Oudinot, Avenida Louren\u00e7o Peixinho, Rua Viana do Castelo e termina no Largo do Rossio); b\u00ean\u00e7\u00e3o de novas viaturas (17h) e sess\u00e3o solene com condecora\u00e7\u00f5es honor\u00edficas e galard\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem foi Guilherme Gomes Fernandes?<\/p>\n<p>Guilherme Gomes Fernandes nasceu na Ba\u00eda (Brasil), em 1850, e morreu em Lisboa, no dia 31 de Outubro de 1902, na sequ\u00eancia de uma opera\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Estudou em Inglaterra, mas viveu no Porto desde os 19 anos. Falava cinco l\u00ednguas. Oriundo de uma fam\u00edlia de posses, financiou a Associa\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria dos Bombeiros Volunt\u00e1rios do Porto, que foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o portuguesa de bombeiros volunt\u00e1rios. Foi seu comandante de 1875 a 1885. Mais tarde, trabalhou para os Bombeiros Sapadores. Em 1894, em Lyon (Fran\u00e7a), ganhou um concurso de bombeiros que lhe deu imenso prest\u00edgio\u2026 e uma corpora\u00e7\u00e3o com o seu nome, em Aveiro, seis anos ap\u00f3s a sua morte.<\/p>\n<p>Her\u00f3i dos B. Novos <\/p>\n<p>Paulo Fernando Rangel \u00e9 o \u00fanico soldado da paz dos Bombeiros Novos desaparecido durante uma miss\u00e3o. Aconteceu em 1998, em Alij\u00f3 (Vila Real). O jovem bombeiro morreu quando a ambul\u00e2ncia em que seguia se virou. Os BN recordam a sua mem\u00f3ria nas paredes do quartel com uma fotografia e duas l\u00e2mpadas sempre acesas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bombeiros Novos comemoraram 100 anos no pr\u00f3ximo Domingo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-13724","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13724\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}