{"id":13744,"date":"2008-11-27T11:20:00","date_gmt":"2008-11-27T11:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13744"},"modified":"2008-11-27T11:20:00","modified_gmt":"2008-11-27T11:20:00","slug":"p-e-alirio-baptista-25-anos-de-gloria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/p-e-alirio-baptista-25-anos-de-gloria\/","title":{"rendered":"P.e Al\u00edrio Baptista, 25 anos de gl\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>P.e JER\u00d3NIMO NUNES<\/p>\n<p>Mission\u00e1rios da Boa Nova<\/p>\n<p>\u201cNo dia 20 de Novembro, dia de Cristo Rei, o P. Al\u00edrio saiu de jeep de Iapala para Nampula. Trazia como companheiro um Professor da Escola Secund\u00e1ria de Iapala. A cerca de 60 km de Nampula, um cami\u00e3o do Projecto Agr\u00edcola de Rib\u00e1ue caiu numa emboscada da Resist\u00eancia Mo\u00e7ambicana, numa descida acentuada da estrada, logo a seguir a uma curva. O carro do P. Al\u00edrio surgiu pouco depois e os homens dispararam imediatamente sobre o carro do Al\u00edrio, que foi atingido em cheio\u201d. \u00c9 o relato do P. Manuel Trindade sobre o mart\u00edrio do grande mission\u00e1rio de Iapala, o primeiro da guerra mo\u00e7ambicana. H\u00e1 25 anos.<\/p>\n<p>Uma fam\u00edlia crist\u00e3 e trabalhadora<\/p>\n<p>O P. Al\u00edrio Baptista \u00e9 o filho mais novo de Manuel Baptista e Maria de Jesus Costa, de Choca do Mar, freguesia de Calv\u00e3o, concelho de Vagos, nascido a 10 de Julho de 1930. Era uma fam\u00edlia de lavradores, honestos e crist\u00e3os. A m\u00e3e comungava todos os dias e o pai confessava-se todos os meses. Tinham oito filhos. O mais velho foi para o Semin\u00e1rio diocesano de Aveiro e o mais novo para as Miss\u00f5es.<\/p>\n<p>O dia 29 de Junho 1955 foi uma grande festa: Al\u00edrio foi ordenado padre, em Cucuj\u00e3es. E, um ano depois, parte para Mo\u00e7ambique, como Mission\u00e1rio. Ali\u00e1s, metade da fam\u00edlia foi para Mo\u00e7ambique: dois irm\u00e3os tinham salinas na Matola e o outro foi administrador em v\u00e1rios lugares. Todos homens de profunda f\u00e9 e a colaborar com a Miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Homem din\u00e2mico, empreendedor e amigo<\/p>\n<p> A sua inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica fez-se como professor no Col\u00e9gio Liceu Vasco da Gama em Nampula, durante tr\u00eas anos. Em 1959 foi nomeado superior da Miss\u00e3o de Iapala que estava ainda no come\u00e7o. Com a colabora\u00e7\u00e3o do Irm\u00e3o Balau, construiu a casa paroquial, a casa das irm\u00e3s (hoje hospital), escolas e montou uma forte estrutura para produ\u00e7\u00e3o do tabaco para sustentar a miss\u00e3o. Al\u00e9m de fecundo trabalho apost\u00f3lico, muito fez para a promo\u00e7\u00e3o humana da regi\u00e3o. Tinha grande capacidade para fazer amigos mas n\u00e3o queria confundir-se com os tabaqueiros que l\u00e1 viviam s\u00f3 para ganhar dinheiro. O seu objectivo era a evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos africanos.<\/p>\n<p>Em 1974 voltou a Nampula. Foi p\u00e1roco da catedral e respons\u00e1vel pela miss\u00e3o de Murrupula. Foi um homem totalmente dispon\u00edvel para o servi\u00e7o da diocese e continuou a fazer amigos em todas as classes sociais e das v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Mesmo nos tempos mais dif\u00edceis, quando andar pelas estradas j\u00e1 era um risco, ele n\u00e3o falhava uma visita a um colega aniversariante que morasse no mato. Por causa dos amigos foi preso meio ano. Mas a confian\u00e7a que nele depositavam alguns respons\u00e1veis pela cadeia abriu-lhe muitas vezes as portas para ir dormir a casa com os colegas. <\/p>\n<p>Ardoroso mission\u00e1rio<\/p>\n<p>Em 1981 foi a Roma fazer o curso longo do Movimento por um Mundo Melhor. Foi uma grande oportunidade de descanso e de reciclagem teol\u00f3gica e espiritual. Voltou a Nampula com uma vis\u00e3o mais ampliada do mundo e da Igreja. Mandaram-no para a sua antiga Iapala. Entrou em cheio com ardor mission\u00e1rio para fortalecer as comunidades crist\u00e3s nos tempos dif\u00edceis da guerra.<\/p>\n<p>De facto, a guerra civil estava forte naquela regi\u00e3o. Visitar as comunidades long\u00ednquas era risco de vida. Acompanhado pelas irm\u00e3s de S. Jo\u00e3o Baptista e confiado nos amigos que lhe indicavam os caminhos mais seguros, as suas visitas apost\u00f3licas surpreendiam essas comunidades isoladas. <\/p>\n<p>Nesta fase, a sua grande preocupa\u00e7\u00e3o era a forma\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelas comunidades. Os cursos propostos pela diocese eram repetidos na sua miss\u00e3o para que os seus crist\u00e3os fossem ap\u00f3stolos preparados para os novos tempos..<\/p>\n<p>Dar a vida at\u00e9 ao fim<\/p>\n<p>O Padre Al\u00edrio sabia que era perigoso estar na regi\u00e3o de Iapala e andar por aquelas estradas. A guerra andava escondida, mas sempre algum amigo dava conta do movimento das tropas. E informava-o dos perigos e dos momentos e espa\u00e7os mais tranquilos. Ele tomava todas as precau\u00e7\u00f5es para garantir a seguran\u00e7a. E avisava outros colegas do que ia acontecendo. Mas nunca desistiu do fiel desempenho da sua Miss\u00e3o. O Padre Vieira Mendes repete uma hist\u00f3ria contada por uma irm\u00e3 da Congrega\u00e7\u00e3o de S. Jo\u00e3o Baptista: Iam no jeep, numa estrada perigosa. O P. Al\u00edrio pergunta-lhe: \u201cE se morremos aqui?\u201d responde a irm\u00e3: \u201cSe for para morrer, que seja hoje!\u201d Tamb\u00e9m ele estava preparado para enfrentar esse desafio final. Miss\u00e3o \u00e9 dar-se para que outros tenham Vida.<\/p>\n<p>A \u00e1rea da miss\u00e3o era enorme e ele n\u00e3o queria abandonar o povo que vivia refugiado nas povoa\u00e7\u00f5es e escondido nos matos. Os tiros surpreenderam-no numa curva da estrada. Nos dias anteriores andara em Malema a procurar casa e condi\u00e7\u00f5es para dois novos padres irem l\u00e1 morar. Tudo pronto, era preciso dizer ao Bispo que os padres j\u00e1 podiam vir. Era festa de Cristo Rei. Viveu e trabalhou para que Cristo reine. Para que Ele reine assumiu o caminho do mart\u00edrio.<\/p>\n<p>Possivelmente os que atiraram sobre o carro n\u00e3o sabiam que estavam a matar um evangelizador. Mas o Padre Al\u00edrio sabia que o seu mestre foi assassinado para que todos \u201ctenham vida em abund\u00e2ncia\u201d. Fez do Evangelho o seu caminho. Foi e continua a ser um testemunho radical de dedica\u00e7\u00e3o a Deus e ao servi\u00e7o do povo. Cumpriu a miss\u00e3o com toda a sua intelig\u00eancia e com todo o amor do seu cora\u00e7\u00e3o. Morreu fazendo a vontade do Pai que o enviou. \u00c9 M\u00e1rtir.<\/p>\n<p>O Homem da PAZ e da ESPERAN\u00c7A<\/p>\n<p>\u201cA morte violenta do P. Al\u00edrio levanta-se como um clamor pela paz e pela reconcilia\u00e7\u00e3o neste pa\u00eds martirizado pela guerra e por todas as suas naturais e devastadoras consequ\u00eancias\u201d \u2013 diz o P. Trindade que chegou a Maputo na v\u00e9spera da morte e participou no funeral. <\/p>\n<p>\u201cO seu corpo desceu, como semente de reconcilia\u00e7\u00e3o e de Paz, \u00e0 terra de Mo\u00e7ambique. No trajecto da Catedral para o cemit\u00e9rio, sentia-se o pesar da popula\u00e7\u00e3o de Nampula. Muitos choravam e outros se interrogavam sobre o sentido da vida e da dedica\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria\u2026 Era um homem generoso, optimista e cheio de esperan\u00e7a. A morte violenta colheu-o em plena actividade mission\u00e1ria, deixando-nos mais pobres de mission\u00e1rios, mais ricos por\u00e9m de testemunhos do amor at\u00e9 ao fim.\u201d S\u00e3o palavras de D. Manuel Vieira Pinto, Arcebispo de Nampula na carta em agradece a solidariedade dos Bispos mo\u00e7ambicanos.<\/p>\n<p>Era um homem de f\u00e9 profunda, alegre, din\u00e2mico e empreendedor, cheio de entusiasmo e ardor mission\u00e1rio \u2013 diz o P. Agostinho de Sousa, que entrou para o semin\u00e1rio junto com o P. Al\u00edrio e foi ordenado no mesmo dia e trabalhou com ele em Nampula. \u201cUm bom mission\u00e1rio, querido e estimado por todos\u201d \u2013 D. Manuel.<\/p>\n<p>O primeiro padre a dar a vida pela paz em Mo\u00e7ambique, continua vivo junto de Deus e no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos que, como ele, vivem na alegria do servi\u00e7o ao Reino. \u201cO ataque brutal que vitimou o P. Al\u00edrio faz-nos pensar, mais de perto, no avan\u00e7o da viol\u00eancia e da guerra e no risco que os mission\u00e1rios ter\u00e3o de assumir para continuarem presentes, no meio do Povo, como evangelizadores e como sinais de esperan\u00e7a, de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz\u201d \u2013 s\u00e3o palavras do P. Trindade ao comunicar a morte que entronizou um mission\u00e1rio como modelo de pessoa humana, crist\u00e3o e santo.<\/p>\n<p>Pessoalmente encontrei o P. Al\u00edrio uma vez. Esteve uma semana em Tomar, em 1968, dizer-nos o que \u00e9 Miss\u00e3o. Como jovem aprendiz de mission\u00e1rio, bebi as suas palavras, a sua alegria e o seu entusiasmo. \u00c9 com muita alegria que participo nesta homenagem que a Par\u00f3quia de Calv\u00e3o lhe vai prestar nos dias 21 a 23 de Novembro. Um povo com hist\u00f3ria tem o futuro garantido.<\/p>\n<p>Calv\u00e3o recordou um sacerdote da terra<\/p>\n<p>A par\u00f3quia de Calv\u00e3o recordou o P.e Al\u00edrio Baptista no passado fim-de-semana. Os Mission\u00e1rios da Boa Nova, instituto a que pertencia o P.e Al\u00edrio, apoiados pelos Leigos da Boa Nova, realizaram sess\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis de catequese com a finalidade de divulgar a figura do Pe. Al\u00edrio junto das camadas mais jovens, para quem ele era um desconhecido.<\/p>\n<p>As Eucaristias dominicais lembraram igualmente o sacerdote de Calv\u00e3o.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado \u00e0 noite, no Sal\u00e3o da Igreja Paroquial, evocou-se a figura do m\u00e1rtir, com a presen\u00e7a dos familiares, conterr\u00e2neos que o conheceram e do povo em geral.<\/p>\n<p>Fizeram interven\u00e7\u00f5es de contextualiza\u00e7\u00e3o, o P.e Jer\u00f3nimo Nunes, respons\u00e1vel pela anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Boa Nova, o P.e Georgino Rocha, na qualidade de vizinho e estudioso da vida do P.e Al\u00edrio (escreveu um esbo\u00e7o biogr\u00e1fico na revista \u201cIgreja Aveirense\u201d, Julho\/Dezembro de 2006), e o Pe. Agostinho Pereira de Sousa, companheiro de miss\u00e3o, a pessoa que mais tempo privou com ele.<\/p>\n<p>Jorge Carvalhais, professor e leigo mission\u00e1rio, relatou ao Correio do Vouga as imagens mais fortes da evoca\u00e7\u00e3o: \u201cSobressaiu a imagem de um homem corajoso, apaixonado pelo Evangelho e pela Miss\u00e3o. Arriscou a pr\u00f3pria vida, por amor ao povo mo\u00e7ambicano, com quem quis ficar, apesar da guerra civil. Foi um lutador incans\u00e1vel pela paz e acabou por ser v\u00edtima da viol\u00eancia que ele tanto condenava, ao ser assassinado por guerrilheiros da RENAMO quando se prestava para revitalizar outro campo de miss\u00e3o na Diocese de Nampula\u201d. E acrescenta: \u201cHouve diversos momentos fortes, ao longo do fim-de-semana, mas destaco a curiosidade que o percurso de vida do Pe. Al\u00edrio gerou nas crian\u00e7as e adolescentes da catequese, assim como o clima de grande como\u00e7\u00e3o que os presentes viveram na sess\u00e3o mission\u00e1ria na noite de s\u00e1bado. Sobretudo com o testemunho do Pe. Agostinho, seu companheiro de sempre\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P.e JER\u00d3NIMO NUNES Mission\u00e1rios da Boa Nova \u201cNo dia 20 de Novembro, dia de Cristo Rei, o P. Al\u00edrio saiu de jeep de Iapala para Nampula. Trazia como companheiro um Professor da Escola Secund\u00e1ria de Iapala. A cerca de 60 km de Nampula, um cami\u00e3o do Projecto Agr\u00edcola de Rib\u00e1ue caiu numa emboscada da Resist\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-13744","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13744\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}