{"id":13750,"date":"2008-11-27T11:29:00","date_gmt":"2008-11-27T11:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13750"},"modified":"2008-11-27T11:29:00","modified_gmt":"2008-11-27T11:29:00","slug":"escola-que-formou-gente-de-tempera-para-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/escola-que-formou-gente-de-tempera-para-a-vida\/","title":{"rendered":"Escola que formou gente de t\u00eampera para a vida"},"content":{"rendered":"<p>Refiro-me \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Celebrou agora os 75 anos de exist\u00eancia em Portugal. Foi e continua a ser, na Igreja e para a Igreja, grande escola de forma\u00e7\u00e3o de leigos militantes, que enriquecem tanto a comunidade crist\u00e3, como tornam presente, na sociedade, o Evangelho feito vida.<\/p>\n<p>A minha hist\u00f3ria est\u00e1 ligada \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica desde 1958. Padre novo, acabado de regressar de Roma, onde fizera tamb\u00e9m, por iniciativa pr\u00f3pria, estudos relacionados com esta, logo fui designado assistente de movimentos oper\u00e1rios e, depois, de diversas estruturas diocesanas. Conhe\u00e7o a hist\u00f3-ria e a realidade da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, admiro e continuo a seguir a sua metodologia, experimentei ao vivo o dinamismo que a institui\u00e7\u00e3o traz consigo desde sempre, tentei dar-lhe for\u00e7a e lugar na ac\u00e7\u00e3o pastoral, sofri os seus momentos dif\u00edceis, estou-lhe grato pelo n\u00famero de leigos crist\u00e3os que nela se formaram. Pela sua t\u00eampera e coragem, creditaram a ac\u00e7\u00e3o da Igreja nos diversos meios sociais e em situa\u00e7\u00f5es diversas em que a milit\u00e2ncia dos leigos crist\u00e3os era n\u00e3o apenas um desafio, mas tamb\u00e9m um risco, conscientemente assumido.<\/p>\n<p>A Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica hoje, em Portugal, lamentavelmente, n\u00e3o tem a expans\u00e3o de outros tempos. Os movimentos oper\u00e1rios continuam os mais resistentes, porque a vida os oprime mais. As altera\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas dos chamados meios sociais s\u00e3o por demais evidentes. O mundo da escola encontrou derivativos mais propensos a aspira\u00e7\u00f5es pessoais, mas menos exigentes e duros, frente aos desafios e compromissos da vida concreta. Mesmo assim, continua a haver, pelo pa\u00eds fora, militantes de qualidade e de horizontes largos, tanto no meio rural agr\u00e1rio, como no mundo escolar, no meio independente e nas associa\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n<p>O Vaticano II assinalou a import\u00e2ncia da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Os bispos portugueses tamb\u00e9m a afirmaram sem reservas. As mu-dan\u00e7as sociais e culturais real\u00e7aram a sua import\u00e2ncia. Por\u00e9m, os caminhos do laicado parecem agora andar noutra direc\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A crise vivida na mudan\u00e7a n\u00e3o foi bem lida por muita gente respons\u00e1vel, que mais apontou nos desvios inevit\u00e1veis, do que no rumo que sempre levara e que fazia parte da sua identidade. S\u00f3 n\u00e3o pisa o risco em momentos de perplexidade, quem n\u00e3o suja os p\u00e9s no lama\u00e7al da vida&#8230; At\u00e9 os bispos, l\u00e1 atr\u00e1s e num momento dif\u00edcil, votaram pelo seguro, \u00e0 revelia da hist\u00f3ria e do testemunho dos que continuavam a acreditar na Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica porque a conheciam por dentro, nela tinham trabalhado e sabiam ler os sinais e o sentido dos ventos. Estes votaram vencidos, em contram\u00e3o da maioria vencedora. Com o cora\u00e7\u00e3o a sangrar, mas com a esperan\u00e7a em ponto alto, aguardando a luz da profecia. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Igreja e do laicado apost\u00f3lico n\u00e3o se faz, entre n\u00f3s, sem olhar a Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. O governo de h\u00e1 d\u00e9cadas perseguiu-a, quis p\u00f4r-lhe morda\u00e7as, anotou os que a acompanhavam e p\u00f4s-lhe os r\u00f3tulos condenat\u00f3rios de ent\u00e3o. Gente da Igreja, sempre a houve, que n\u00e3o gosta de ventos fortes que sacodem e acordam, deu apoio aos governantes. Mas s\u00f3 a verdade faz hist\u00f3ria. E essa fez-se, a seu tempo. <\/p>\n<p>Quantos jovens formados na Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, hoje adultos ainda na primeira linha! Quantos outros descobriram e andaram rumos novos nas suas vidas! Quanta gente houve, a acender, corajosamente, o f\u00f3sforo que rompeu trevas e desmascarou rotinas e mentiras! Quantos projectos solid\u00e1rios inovadores, aparentemente temer\u00e1rios, que mostraram que a f\u00e9 se vive fora dos templos e n\u00e3o no aconchego dos mesmos! Quantos padres, com militantes ao seu lado, venceram crises, abriram caminhos pastorais novos, contagiaram colegas! Sempre houve cegos e surdos e hoje tamb\u00e9m os h\u00e1.<\/p>\n<p>Outros movimentos laicais surgiram na Igreja. Parece que alguns ainda n\u00e3o entenderam que a voca\u00e7\u00e3o de leigo \u00e9 de ser crist\u00e3o no mundo e animador evang\u00e9lico das estruturas sociais. A AC \u00e9 movimento de fronteira e sem ela as fronteiras est\u00e3o desguarnecidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refiro-me \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Celebrou agora os 75 anos de exist\u00eancia em Portugal. Foi e continua a ser, na Igreja e para a Igreja, grande escola de forma\u00e7\u00e3o de leigos militantes, que enriquecem tanto a comunidade crist\u00e3, como tornam presente, na sociedade, o Evangelho feito vida. 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