{"id":13790,"date":"2008-12-10T16:49:00","date_gmt":"2008-12-10T16:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13790"},"modified":"2008-12-10T16:49:00","modified_gmt":"2008-12-10T16:49:00","slug":"cara-oculta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cara-oculta\/","title":{"rendered":"Cara oculta"},"content":{"rendered":"<p>O dia 8 de Dezembro, que acabamos de celebrar evocando m\u00faltiplas efem\u00e9rides, merece que sublinhemos algumas delas de maior import\u00e2ncia, sobretudo para focar aspectos que sejam relevantes, afim de que n\u00e3o vejamos apenas o verso, mas tamb\u00e9m o reverso da medalha. Desse modo, encararemos os acontecimentos com outra vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Este dia, em 1854, foi para toda a Igreja um dia marcante. O papa Pio IX proclamou solenemente a Concei\u00e7\u00e3o Imaculada da Virgem Maria, tornando essa verdade, para os crentes, um novo desenvolvimento adquirido de compreens\u00e3o da Revela\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A alergia ao dogma, t\u00edpica dos nossos tempos, desencorajar-se-\u00e1 da contesta\u00e7\u00e3o, se estudar os s\u00e9culos de hist\u00f3ria que precederam este acto solene, seja no que respeita ao \u201csentir dos fi\u00e9is\u201d, expresso num culto origin\u00e1rio de reconhecimento da excel\u00eancia desta criatura como M\u00e3e de Deus, seja no que respeita \u00e0 reflex\u00e3o teol\u00f3gica e ao acolhimento da mesma verdade por mundos acad\u00e9micos t\u00e3o s\u00e9rios e capazes como os dos nossos dias.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m em 8 de Dezembro de 1869 que, na ala direita do transepto da Bas\u00edlica de S. Pedro, se inaugurou o Vaticano I. E que viria a ter a sua \u00faltima Congrega\u00e7\u00e3o Geral a 1 de Setembro do ano seguinte, declarando-o o mesmo papa Pio IX prorrogado sine die a 20 de Outubro desse ano, ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o dos Estados Pontif\u00edcios.<\/p>\n<p>Os enunciados dogm\u00e1ticos resultantes desse truncado trabalho conciliar deixam uma imagem pobre do Vaticano I. Seria injusto consider\u00e1-lo o sinal residual de uma idade caduca \u201cque se agarrava desesperadamente \u00e0s \u00faltimas t\u00e1buas de um naufr\u00e1gio\u201d. \u00c9 facto que o mundo, neste quase s\u00e9culo e meio transcorrido, rodou a uma velocidade louca. Olhar para tr\u00e1s simplesmente pode dar-nos a ideia de que esse foi um Conc\u00edlio que se perdeu nas brumas do esquecimento.<\/p>\n<p>Todo o trabalho preparado para dar continuidade ao inacabado Vaticano I mostra \u00e0 saciedade que, embora enquadrado nas circunst\u00e2ncias do seu tempo, ele estava prestes a ser um passo de gigante na renova\u00e7\u00e3o da Igreja. Muitos dos assuntos reflectidos e proclamados no Vaticano II tiveram nele um lastro de prepara\u00e7\u00e3o, em muitos documentos que comp\u00f5em cinco grossos volumes da colec\u00e7\u00e3o de Mansi.<\/p>\n<p>Imaginemos que o Vaticano II tinha terminado no final da sua primeira sess\u00e3o, que a morte do saudoso e bem-aventuado papa Jo\u00e3o XXIII tinha terminado os trabalhos iniciados!&#8230; Que desilus\u00e3o n\u00e3o experimentar\u00edamos, face aos resultados vis\u00edveis dos in\u00edcios do Conc\u00edlio!&#8230; <\/p>\n<p>Quando o papa Paulo VI encerrou o Vaticano II, mais uma vez em 8 de Dezembro, mas de 1965, muito caminho se tinha feito. Apesar disso, a recep\u00e7\u00e3o de toda a riqueza conciliar vai levar muito tempo e exige que tamb\u00e9m aqui se procurem sobejos elementos ocultos, que teceram a caminhada conciliar. Importa buscar a cara oculta dos factos, sobretudo dos relevantes, para os avaliarmos com justi\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 8 de Dezembro, que acabamos de celebrar evocando m\u00faltiplas efem\u00e9rides, merece que sublinhemos algumas delas de maior import\u00e2ncia, sobretudo para focar aspectos que sejam relevantes, afim de que n\u00e3o vejamos apenas o verso, mas tamb\u00e9m o reverso da medalha. Desse modo, encararemos os acontecimentos com outra vis\u00e3o. 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