{"id":13837,"date":"2008-12-11T11:58:00","date_gmt":"2008-12-11T11:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13837"},"modified":"2008-12-11T11:58:00","modified_gmt":"2008-12-11T11:58:00","slug":"desigualdades-gritantes-gritadas-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/desigualdades-gritantes-gritadas-ou-nao\/","title":{"rendered":"Desigualdades gritantes&#8230; gritadas ou n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> \u00ab(&#8230;) As excessivas desigualdades sociais e econ\u00f3micas entre os membros e povos da \u00fanica fam\u00edlia humana provocam o esc\u00e2ndalo, e s\u00e3o obst\u00e1culo \u00e0 justi\u00e7a social, \u00e0 equidade, \u00e0 dignidade da pessoa humana e, finalmente, \u00e0 paz social e internacional\u00bb &#8211; (n\u00ba. 29 da \u00abGaudium et Spes\u00bb &#8211; \u00abConstitui\u00e7\u00e3o Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contempor\u00e2neo\u00bb, 1965). Estas desigualdades sempre existiram, e agora v\u00eam sendo objecto de forte contesta\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito da crise financeira, econ\u00f3mica e social; s\u00e3o consideradas gritantes, porque ultrapassam todos os limites razo\u00e1veis.<\/p>\n<p>Acontece, por\u00e9m, que o leque das desigualdades \u00e9 bastante largo: tanto se verifica nos rendimentos mensais de centenas de milhares de euros como nos de dezenas de milhares, embora umas sejam mais gritadas contestariamente do que outras. No entanto, \u00e9 id\u00eantico o processo que est\u00e1 na origem de umas e de outras; por isso, \u00e9 bastante amb\u00edgua a den\u00fancia das injusti\u00e7as sociais feita por detentores de rendimentos que, n\u00e3o sendo dos mais altos, s\u00e3o muit\u00edssimo superiores aos mais baixos. <\/p>\n<p>N\u00e3o faltam princ\u00edpios favor\u00e1veis \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das desigualdades excessivas, mas faltam propostas sobre a maneira de a conseguir; prevalece at\u00e9 a contesta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, com fortes doses de demagogia, que acaba por favorecer a perpetua\u00e7\u00e3o das desigualdades. Em termos pol\u00edticos, nem a esquerda nem o centro nem a direita t\u00eam sido coerentes. Dentro da Igreja, invocam-se &#8211; e bem &#8211; os princ\u00edpios da sua doutrina social; mas, em contrapartida, os movimentos do laicado e o pensamento social crist\u00e3o v\u00eam descurando a respectiva concretiza\u00e7\u00e3o e, bem assim, a conjuga\u00e7\u00e3o com a realidade econ\u00f3mica e social.<\/p>\n<p>S\u00f3 para efeitos de registo, assinalo cinco vectores indispens\u00e1veis numa estrat\u00e9gia a favor da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades gritantes. O primeiro respeita \u00e0 moral e aos valores, sem os quais n\u00e3o se interioriza o reconhecimento da igual dignidade de todas as pessoas. O segundo respeita \u00e0 correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as; no caso de esta ser desfavor\u00e1vel ao reconhecimento daquela igualdade, n\u00e3o se alcan\u00e7am resultados consistentes. O terceiro vector respeita ao sistema econ\u00f3mico e social; \u00e9 indispens\u00e1vel que este neutralize as tend\u00eancias para as desigualdades inaceit\u00e1veis. O quarto respeita \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias empresariais, ou outras, que mostrem ser poss\u00edvel a concilia\u00e7\u00e3o do sucesso com a equidade social. E, por fim, o quinto vector respeita aos sistemas de ci\u00eancia e de ensino; um e outro precisam de profunda inflex\u00e3o estrat\u00e9gica, a favor da igual dignidade humana, sobretudo no quadro dos grandes interesses.<\/p>\n<p>Nota: o artigo publicado em 3 de Dezembro apareceu sob o t\u00edtulo \u00abac\u00e7\u00e3o social desconhecida\u00bb, em vez de \u00abac\u00e7\u00e3o sindical desconhecida\u00bb; pe\u00e7o desculpa pelo lapso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-13837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}