{"id":13839,"date":"2008-12-11T12:01:00","date_gmt":"2008-12-11T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13839"},"modified":"2008-12-11T12:01:00","modified_gmt":"2008-12-11T12:01:00","slug":"gritos-de-dor-e-opinioes-mais-ou-menos-enfeudadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/gritos-de-dor-e-opinioes-mais-ou-menos-enfeudadas\/","title":{"rendered":"Gritos de dor e opini\u00f5es mais ou menos enfeudadas"},"content":{"rendered":"<p>Embora s\u00f3 ou\u00e7a na estrada, sigo sempre, com grande interesse, o f\u00f3rum da TSF, com as muitas interven\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio-ouvintes, que pedem a palavra para dar a sua opini\u00e3o sobre o tema anunciado. A situa\u00e7\u00e3o social, a crise que se instalou no pa\u00eds, os problemas do desemprego, da escola, da fam\u00edlia, as leis mais discut\u00edveis, o div\u00f3rcio injusto e compulsivo, as fal\u00eancias de bancos e de empresas, o futebol, tudo por ali passa.<\/p>\n<p>Vou acolhendo quer os gritos de dor, que s\u00e3o os dos eternos atingidos por todas as crises e acontecimentos sociais mais preocupantes para as pessoas individuais, as fam\u00edlias, os trabalhadores e as pequenos empres\u00e1rios, quer as opini\u00f5es coloridas dos simpatizantes e dos partid\u00e1rios, pol\u00edticos e sindicais, que tanto atacam e desprezam, como louvam e defendem. H\u00e1 ainda a opini\u00e3o dos cidad\u00e3os sabedores e sensatos\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 lugar para responder a opini\u00f5es contr\u00e1rias, nem para pol\u00e9micas. Todas as opini\u00f5es valem como express\u00f5es livres e desabafos incontidos. O moderador mant\u00e9m-se sereno, deixa que cada um se exprima com igual direito, apenas controla o tempo.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, tamb\u00e9m ali, as raz\u00f5es se sobrep\u00f5em \u00e0s opini\u00f5es, porque exprimem vida e n\u00e3o teorias. Por outro lado e para al\u00e9m do programa, fica, normalmente por cima, o poder de quem manda e decide e raramente tem tempo para ouvir a voz do povo e lhe pesar as raz\u00f5es. Por baixo, e al\u00e9m do programa, permanece o sofrimento de quem mergulha no duro da vida, na inseguran\u00e7a do presente e do futuro e na dor de quem se sente marginalizado nas opini\u00f5es que lhe respeitam e exclu\u00eddo das decis\u00f5es que o afectam.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias, era a actual crise social e suas consequ\u00eancias o tema que ocupava o espa\u00e7o e as aten\u00e7\u00f5es dos ouvintes e dos participantes. O tempo esgotou-se sem que todos se pudessem fazer ouvir. Surgiu, obviamente, o confronto entre o litoral e as grandes cidades, zonas que mais beneficiam, e o interior do pa\u00eds, carente de muitas coisas fundamentais, com aldeias esquecidas de benef\u00edcios, que n\u00e3o do pagamento de impostos. Surgiu o confronto entre as grandes empresas sem rosto, que a um pequeno espirro logo lhe acorrem pol\u00edticos locais e governantes centrais com paninhos quentes, e as pequenas empresas, que produzem, d\u00e3o trabalho e geram emprego local, asfixiadas, a pouco e pouco, com leis iguais e aten\u00e7\u00f5es e oportunidades diferentes. Empresas que, por mais que gritem, raramente se fazem ouvir. E, mais ainda, milhares de lares sem casa de banho, milhares de fam\u00edlias com ordenados de mis\u00e9ria, idosos com reformas de igual ordem, milhares de pais sem poderem ajudar os filhos ir mais longe, milhares de pessoas desanimadas e sem sa\u00edda para problemas prementes, um mundo de jovens sem perspectivas de futuro e de gente que n\u00e3o acolhida, nem respeitada e estimulada.<\/p>\n<p>Hoje as pessoas podem falar e desabafar. Mesmo que exagerem &#8211; quando o cora\u00e7\u00e3o se solta isso acontece com todos n\u00f3s &#8211; h\u00e1 sempre um pano de fundo a espelhar que as coisas n\u00e3o est\u00e3o bem e que a realidade \u00e9 dura para muitos, todos os dias, dia e noite.<\/p>\n<p>Estranho \u00e9 ver como se cala e distorce a realidade conforme os interesses e as conveni\u00eancias, e como se esquece que, mesmo tendo o pa\u00eds, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, melhorado em muitos aspectos, h\u00e1 problemas que persistem e outros surgiram, n\u00e3o menos graves que os de ontem. A destrui\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, a corrup\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios e na vida di\u00e1ria, a inseguran\u00e7a em tantos meios, a ilus\u00e3o dos sup\u00e9rfluos e a m\u00edngua de p\u00e3o, a\u00ed est\u00e3o, ao lado de tantos outros, a confirmar que problemas n\u00e3o faltam.<\/p>\n<p>A verdade, moeda rara e pouco corrente, \u00e9 um direito de todos. Pode abalar prest\u00edgios, mas n\u00e3o custa dinheiro. Apenas exige coragem, dignidade e respeito, para que todos, a seu modo, saibam o porqu\u00ea das crises e se tocam a todos ou apenas e sempre aos mesmos. A verdade \u00e9 dever de todos mesmo \u00e0 mesa do caf\u00e9. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora s\u00f3 ou\u00e7a na estrada, sigo sempre, com grande interesse, o f\u00f3rum da TSF, com as muitas interven\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio-ouvintes, que pedem a palavra para dar a sua opini\u00e3o sobre o tema anunciado. 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