{"id":13883,"date":"2008-12-17T12:27:00","date_gmt":"2008-12-17T12:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13883"},"modified":"2008-12-17T12:27:00","modified_gmt":"2008-12-17T12:27:00","slug":"adopcao-familia-e-instituicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/adopcao-familia-e-instituicoes\/","title":{"rendered":"Adop\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia e institui\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Hoje quero usar o meu direito \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o. Um direito nacional que a gente acomodada n\u00e3o usa, esquecendo as consequ\u00eancias irrevers\u00edveis das omiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Ouvi, de fio a pavio, um debate longo sobre a adop\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. Um mundo de t\u00e9cnicos a expender saber, um molho de leis e de determina\u00e7\u00f5es recordadas, uma ladainha de casos por resolver ou mal resolvidos, casais estrangeiros como solu\u00e7\u00e3o para casos de v\u00e1rios irm\u00e3os, uma considera\u00e7\u00e3o irrealista da fam\u00edlia real e um despeito claro pelas institui\u00e7\u00f5es, sem qualquer distin\u00e7\u00e3o entre as estatais de h\u00e1 muito desagregadas e as que t\u00eam experi\u00eancia de d\u00e9cadas com m\u00e9todos humanos e s\u00e1bios e resultados \u00e0 vista. <\/p>\n<p>Ouvi, fui confrontando com as experi\u00eancias de que disponho, alarguei o horizonte da reflex\u00e3o, li e reflecti o tema a partir da vida, que n\u00e3o de modelos importados; lembrei os casos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, entrei em lares e ouvi casais que adoptaram e onde a vida tem sentido, acolhi express\u00f5es de alegria e gratid\u00e3o, enxuguei algumas l\u00e1grimas incontidas de dor&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 anos, depois de ouvir a um membro do governo um lindo discurso sobre a adop\u00e7\u00e3o, perguntei-lhe, \u00e0 queima-roupa, se adoptava um africano ou um deficiente. Considerou a pergunta uma provoca\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o gostou. \u201cMas saiba que h\u00e1 quem os adopte\u201d, retorqui.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, se n\u00e3o a destru\u00edrem mais, ser\u00e1 sempre o espa\u00e7o normal, quente e acolhedor, para nascer e crescer. Ser\u00e1 tamb\u00e9m a refer\u00eancia necess\u00e1ria para outras formas que a substituam, quando ela n\u00e3o existe ou perdeu condi\u00e7\u00f5es para realizar as tarefas que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. O Padre Am\u00e9rico sempre procurou que a Obra da Rua e nas suas casas, se seguissem as regras do viver e dos sentimentos da fam\u00edlia. Assim ele foi tratado, n\u00e3o porque o mandasse ou exigisse, como o \u201cPai\u201d dos gaiatos que encontrava abandonados e acolhia ou lhe levavam a casa, sabendo que a\u00ed havia amor, p\u00e3o e carinho. Outras institui\u00e7\u00f5es, com o mesmo saber e viver, geraram \u201cm\u00e3es\u201d, para aqueles que nunca a conheceram e a\u00ed chegavam beb\u00e9s e se tornaram homens e mulheres de bem, capazes de enfrentar a vida. S\u00f3 o orgulho, o poder prepotente, a ignor\u00e2ncia ou o despeito as desconsideram e menosprezam. As institui\u00e7\u00f5es sofrem as dificuldades das fam\u00edlias com \u00eaxitos e fracassos como todas elas, mas persistem no amor, sempre capaz de inovar e de aperfei\u00e7oar. Ou\u00e7am-se os que a\u00ed vivem e crescem para a vida e comparem-se com os das institui\u00e7\u00f5es do Estado, onde abundam t\u00e9cnicos, com hor\u00e1rios que se contam ao minuto, gente que s\u00f3 suja as m\u00e3os com pap\u00e9is, nunca com as crian\u00e7as e os adolescentes. Revolta ver jovens licenciadas, com poder mas sem vida que as recomende, falar de cima para baixo, para julgar padres, leigos e gente consagrada que vivem d\u00e9cadas em entrega e doa\u00e7\u00e3o total a crian\u00e7as sem fam\u00edlia ou como se n\u00e3o tivessem.<\/p>\n<p>Quem teve na sua m\u00e3e, ainda que simples e iletrada, a psic\u00f3loga mais atenta que corrigia e logo beijava, saber\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o sem amor e afectos, sem paci\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o, sem respeito e entrega, sem gratuidade e perd\u00e3o, sem regras e aten\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Quem teve a gra\u00e7a de uma fam\u00edlia, ainda que humilde e discreta, e nela o espa\u00e7o de aprendizagem de valores morais, rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua, pr\u00e1tica da verdade, amor ao trabalho, solidariedade com os mais pobres, sobriedade aprendendo a viver com o que se tem, saber\u00e1 sempre que a fam\u00edlia \u00e9 a melhor escola para a vida e que desconsiderar a fam\u00edlia \u00e9 retirar \u00e0s pessoas o sentido da vida e \u00e0 sociedade a sua consist\u00eancia natural.<\/p>\n<p>Legislar e ver na adop\u00e7\u00e3o o rem\u00e9dio, que o \u00e9 para muitos casos, mas ao mesmo tempo desprezar a fam\u00edlia ou torn\u00e1-la invi\u00e1vel, bem com \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que seguem os seus valores, \u00e9 coisa de n\u00e9scios e inconscientes. Escutem quem trabalha a s\u00e9rio e as leis ser\u00e3o a favor das pessoas, n\u00e3o dos sistemas. Ent\u00e3o, olhar-se-\u00e1 mais para os educadores capazes de amar, servir e sofrer, que para os degraus da escada onde os meninos podem trope\u00e7ar\u2026De onde vieram estes \u201cinteligentes\u201d legisladores e t\u00e9cnicos? Ser\u00e1 que na casa dos pais n\u00e3o havia degraus, n\u00e3o havia irm\u00e3os a dormir no mesmo quarto?<\/p>\n<p>Para educar e ser educado n\u00e3o chegam diplomas e t\u00edtulos. N\u00e3o se dispensa \u00e9 amor. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje quero usar o meu direito \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o. Um direito nacional que a gente acomodada n\u00e3o usa, esquecendo as consequ\u00eancias irrevers\u00edveis das omiss\u00f5es. Ouvi, de fio a pavio, um debate longo sobre a adop\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. 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