{"id":13930,"date":"2008-12-23T16:36:00","date_gmt":"2008-12-23T16:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13930"},"modified":"2008-12-23T16:36:00","modified_gmt":"2008-12-23T16:36:00","slug":"filao-inesgotavel-de-tesouro-pertenca-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/filao-inesgotavel-de-tesouro-pertenca-de-todos\/","title":{"rendered":"Fil\u00e3o inesgot\u00e1vel de tesouro, perten\u00e7a de todos"},"content":{"rendered":"<p>A riqueza do crist\u00e3o na sua vida di\u00e1ria e a da Igreja na resposta generosa \u00e0 miss\u00e3o permanente que tem de realizar em todas as circunst\u00e2ncias \u00e9 a sua f\u00e9 em Jesus Cristo vivo, o \u201cDeus connosco\u201d por causa de n\u00f3s e para bem de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Um Deus connosco, com rosto e hist\u00f3ria humana, \u00e9 sempre um Deus acess\u00edvel.<\/p>\n<p>A f\u00e9 \u00e9 dom de Deus. Deus, por\u00e9m, um Pai rico em miseric\u00f3rdia, cede sempre ante a humildade dos que lha pedem com confian\u00e7a, dos que sentem a necessidade deste dom, porque nenhum outro at\u00e9 a\u00ed respondeu aos seus desejos e aspira\u00e7\u00f5es mais profundas.<\/p>\n<p>Depois que Deus se fez Homem em Jesus Cristo, o homem estar\u00e1 sempre incompleto sem a consci\u00eancia da sua dimens\u00e3o divina, que o acompanha desde o nascimento e o credencia para bens maiores dos que, simplesmente humanos, ser\u00e3o sempre e s\u00f3 passageiros e ef\u00e9meros. <\/p>\n<p>O Natal \u00e9 a refer\u00eancia universal ao gesto misterioso de um Pai que, por amor, nos deu o Seu pr\u00f3prio Filho e, por Ele, nos integrou numa nova fam\u00edlia, onde j\u00e1 n\u00e3o conta a ra\u00e7a, a cor, a l\u00edngua, o estatuto social ou a terra de nascen\u00e7a, mas somente esse amor que a todos une, n\u00e3o tem fronteiras terrestres que o diminuam ou tolham, porque as n\u00e3o tem o cora\u00e7\u00e3o novo de um crente verdadeiro, capaz, pela sua f\u00e9 em Cristo, de amar a todos, servir a todos, sofrer e se entregar por todos. Foi esse o caminho do seu Mestre.<\/p>\n<p>Respeitar o Natal e viver cada dia em conson\u00e2ncia com o mist\u00e9rio que Ele encerra, \u00e9 dar sentido novo \u00e0 humanidade e \u00e0 m\u00fatua rela\u00e7\u00e3o di\u00e1ria entre as pessoas, \u00e9 multiplicar as formas efectivas de solidariedade fraterna, \u00e9 saborear a alegria do amor. Desvirtuar o Natal \u00e9 esvazi\u00e1-lo da sua realidade e raz\u00e3o de ser, \u00e9 apoucar, sempre mais, a pessoa humana, homem ou mulher, que no Natal de Cristo foi para sempre dignificada, \u00e9 favorecer a selva de um viver quotidiano, onde a verdade, a justi\u00e7a, a alegria e a paz se v\u00e3o tornando imposs\u00edveis, por serem abafadas pelo ego\u00edsmo, pelo consumismo sem regras, pela indiferen\u00e7a para com os outros, pela rejei\u00e7\u00e3o de amar e de sentir-se amado.<\/p>\n<p>Os lampejos de amor solid\u00e1rio no tempo de Natal s\u00e3o a express\u00e3o passageira de uma mensagem para todos os dias. N\u00e3o h\u00e1 sempre gente a dizer por a\u00ed que Natal \u00e9 todos os dias ou quando cada um quiser? Para o disc\u00edpulo de Cristo de facto assim \u00e9. Por isso, a sua entrega aos outros \u00e9 esse o esp\u00edrito do Natal, n\u00e3o \u00e9 ocasional ou fruto de entusiasmo de \u00faltima hora, mas projecto permanente, vivido em disponibilidade e generosidade, que pode levar at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias de um amor verdadeiro.<\/p>\n<p>Agora, tamb\u00e9m entre n\u00f3s, abundam os profetas do anti-Natal, que o s\u00e3o do imediatismo, da liberdade sem peias, do nivelar dos sentimentos pelas emo\u00e7\u00f5es pessoais e moment\u00e2neas, do apagar dos compromissos assumidos pela irresponsabilidade, da insensibilidade a quem sofre\u2026 O resultado \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, espa\u00e7o natal\u00edcio por excel\u00eancia, que j\u00e1 n\u00e3o sabe com quem festejar o Natal ou foge de si pr\u00f3pria para mergulhar na massifica\u00e7\u00e3o an\u00f3nima, ou divide os filhos como se fossem brinquedos ou coisas. \u00c9 a quebra dos la\u00e7os humanos que, irreversivelmente, nos unem uns aos outros. <\/p>\n<p>Natal \u00e9 fam\u00edlia, porque assim foi o Natal de Cristo. Fam\u00edlia cimentada no amor de todas as horas, como a de Nazar\u00e9. \u00c9 for\u00e7a, como nenhuma outra, para aceitar o desconforto de uma gruta in\u00f3spita, enfrentar poderes humanos que juram morte, voltar \u00e0 terra das m\u00e1s recorda\u00e7\u00f5es, recolher-se no sil\u00eancio discreto de uma pequena cidade e aguardar a\u00ed a hora da grande realiza\u00e7\u00e3o. Uma hist\u00f3ria que se repete cada dia em tantas fam\u00edlias, que persistem no prop\u00f3sito de o ser, quando o amor \u00e9 lei que as orienta, a f\u00e9, luz que as ilumina e aquece, o apre\u00e7o m\u00fatuo, fermento di\u00e1rio de doa\u00e7\u00e3o, respeito e perd\u00e3o.<\/p>\n<p>O Natal de Cristo, li\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da encarna\u00e7\u00e3o do sobrenatural na vida do dia a dia, em todas as suas dimens\u00f5es, \u00e9 porta, sempre aberto e dispon\u00edvel, para o acesso ao fil\u00e3o de um tesouro inesgot\u00e1vel, o do amor. Uma f\u00e9 esclarecida, bem sabe que assim \u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A riqueza do crist\u00e3o na sua vida di\u00e1ria e a da Igreja na resposta generosa \u00e0 miss\u00e3o permanente que tem de realizar em todas as circunst\u00e2ncias \u00e9 a sua f\u00e9 em Jesus Cristo vivo, o \u201cDeus connosco\u201d por causa de n\u00f3s e para bem de todos n\u00f3s. 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