{"id":13998,"date":"2009-01-14T15:35:00","date_gmt":"2009-01-14T15:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=13998"},"modified":"2009-01-14T15:35:00","modified_gmt":"2009-01-14T15:35:00","slug":"etty-hillesum-ou-o-sentido-no-meio-do-basurdo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/etty-hillesum-ou-o-sentido-no-meio-do-basurdo\/","title":{"rendered":"Etty Hillesum, ou o sentido no meio do basurdo"},"content":{"rendered":"<p>Vidas que fascinam <!--more--> Etty Hillesum nasceu no dia 15 de Janeiro de 1914, em Middelburg (Holanda), e morreu no dia 30 de Novembro de 1943, no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz (Pol\u00f3nia). Ainda n\u00e3o tinha 30 anos.<\/p>\n<p>At\u00e9 1981, Etty Hillesum foi apenas um dos seis milh\u00f5es de judeus an\u00f3nimos que n\u00e3o escaparam ao holocausto nazi. Nesse ano, na Holanda, s\u00e3o publicados excertos do di\u00e1rio que a judia holandesa manteve entre 1941 e 1943. Seguem-se edi\u00e7\u00f5es em Inglaterra, Fran\u00e7a, EUA\u2026 e Portugal, em 2008 (na Ass\u00edrio&#038;Alvim, com o t\u00edtulo \u201cDi\u00e1rio 1941-1943\u201d), sempre com grande sucesso, excepto na Alemanha (o que n\u00e3o surpreende) e em Israel (\u201cpor causa da mensagem pacifista\u201d \u2013 diz ao \u201cP\u00fablico\u201d de 2 de Maio de 2008 Klaas Smelik, que promoveu a publica\u00e7\u00e3o e preside ao Centro de Estudos Etty Hillesum).<\/p>\n<p>Numa recente interven\u00e7\u00e3o no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, o historiador Jos\u00e9 Mattoso referiu-se a Etty Hillesum como algu\u00e9m que, rodeada pelos horrores nazis, \u201csoube estar acima de tudo isso\u201d e n\u00e3o perdeu o sentido de Deus. Encontrou o sentido no meio do absurdo. \u201cEu creio em Deus, mesmo quando daqui a pouco os piolhos me devorarem na Pol\u00f3nia\u201d (do \u201cDi\u00e1rio\u201d).<\/p>\n<p>O padre e te\u00f3logo Tolentino Mendon\u00e7a, que prefacia a edi\u00e7\u00e3o portuguesa diz que o \u201cDi\u00e1rio\u201d \u00e9 \u201cuma das aventuras espirituais mais significativas do s\u00e9culo\u201d. E exemplifica (o texto pode ser lido, tamb\u00e9m, no site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, www.snpcultura.org): \u201cNo meio da tortura absoluta, \u00e9 ela quem se preocupa com Deus. \u00abVou ajudar-te, Deus, a n\u00e3o me abandonares\u00bb, escreve. (\u2026) Claro que \u00e9 tamb\u00e9m uma prece nocturna, povoada de dilacerantes interroga\u00e7\u00f5es: \u00ab\u00c0s vezes pergunto-me, num momento dif\u00edcil como esta noite, quais s\u00e3o os planos que tens para mim, tu Deus.\u00bb Mas o tra\u00e7o mais forte \u00e9 o de uma impressionante e inexplic\u00e1vel confian\u00e7a: \u00abQuando ontem, \u00e0s duas da manh\u00e3, finalmente cheguei l\u00e1 acima ao quarto da Dicky e me ajoelhei quase nua, no meio do quarto, totalmente deprimida, eu disse de repente: \u201cHoje, vendo bem, vivi coisas grandiosas e esta noite tamb\u00e9m, meu Deus, agrade\u00e7o-te por eu poder suportar tudo e por haver poucas coisas que n\u00e3o ponhas no meu caminho\u201d\u00bb.<\/p>\n<p>Contra o \u201cgrande \u00f3dio\u201d aos alem\u00e3es, que \u201cenvenena a alma\u201d, quando os judeus muito compreensivelmente dizem: \u201cEles que se afoguem. Essa ral\u00e9\u2026 Deveriam ser todos fumigados\u201d, Etty v\u00ea surgir uma \u201cideia libertadora, hesitante e fr\u00e1gil, como rebento de relva que come\u00e7a a nascer num terreno bravio rodeado de ervas daninhas\u201d. \u201cMesmo que s\u00f3 houvesse um alem\u00e3o digno de ser protegido contra essa chusma b\u00e1rbara, por causa desse alem\u00e3o decente, n\u00e3o se devia derramar o \u00f3dio sobre um povo inteiro\u201d. Esta ideia \u201cn\u00e3o significa que uma pessoa deva ter uma atitude indecisa em rela\u00e7\u00e3o a determinadas correntes\u201d, diz. \u201cUma pessoa toma posi\u00e7\u00e3o, indigna-se regularmente com determinadas coisas. Tenta informar-se. Mas o \u00f3dio indiferenciado \u00e9 a pior coisa que existe. \u00c9 uma doen\u00e7a da pr\u00f3pria alma\u201d.  <\/p>\n<p>Etty n\u00e3o deixou que o \u00f3dio vencesse.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vidas que fascinam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-13998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}